RESENHA: Be Well fala sobre saúde mental em The Weight And The CostPor: Filype Ruiz

Sem dúvida hoje os transtornos mentais são mais debatidos de forma aberta, mas ainda é um tabu. Revelar que você tem um psiquiatra ou sequer faz terapia pode ser um choque para algumas pessoas. E no punk/hardcore, meio em que não é incomum saber de casos de depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outras condições, vejo que o tópico ainda é colocado de segundo plano, e por vezes até motivo de deboche ou preconceito. O que é curioso, já que há um link fortíssimo entre tudo isso e política ou questões sociais. Racismo, homofobia, machismo, e a própria sobrevivência em um sistema opressor contribuem indiretamente para que a busca por ajuda profissional seja necessária, a fim de tratar da saúde mental.

De forma escancarada, a banda de Baltimore que conta com membros e ex-membros de bandas como Battery, Bane, e Darkest Hour, joga na roda letras que abordam exatamente desse assunto. Mais especificamente, as experiências do vocalista Brian McTernan, que luta desde muito novo contra os demônios da depressão. É impossível não sentir a angústia na voz, aliada à um instrumental que mescla uma sonoridade melódica e agressiva ao mesmo tempo.

No álbum de estreia, “The Weight And The Cost”, lançado pela Equal Vision, fica claro desde a primeira faixa que a ideia não é tentar resgatar o que já foi feito em suas bandas anteriores, o que seria bem mais fácil em vários aspectos. Pelo contrário, apresentam influências que talvez as pessoas não esperassem, o que torna o disco ainda mais interessante. São 11 faixas, e por enquanto duas delas com clipes belíssimos que seguem a mesma estética dos “lyric videos” das outras. Aliás, algo que chama a atenção é justamente a parte das artes. Desde os primeiros singles lançados, nota-se que a ideia era seguir um padrão, seja no gráfico, quanto nas imagens.

Independente se você já era fã dos projetos dos caras ou não, vale muito a pena dar uma chance pra esse trampo, que pra mim é sem dúvida o melhor disco gringo lançado no ano, e um dos melhores de alguns anos pra cá.

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