Release do EP “O Outro” do Vermenoise

É incrível você ouvir a evolução de uma banda – comparar os discos, as músicas, e ver que tudo progrediu. Essa é a sensação ao ouvir o novo play da banda sorocabana Vermenoise, intitulado O Outro, que teve seu lançamento no último dia 04.

A banda está na ativa desde 2009, e entre lançamentos de singles e splits, passaram-se quatro anos desde o lançamento de Inimigo Figadal, o primeiro EP. Obviamente que as coisas mudaram nesse interim, a começar pela formação – com a saída do baixista Renan Bonassa e entrada da vocalista, Chris Justtino, a banda automaticamente se direcionou para uma nova pegada. Mas evolução nítida presente em O Outro nada tem a ver com a alteração dos integrantes, mas sim com o amadurecimento deles.

Foto por: Al Passini

Fica claro ao ouvir o EP, num primeiro momento, que a banda está completamente entrosada. O baterista, Mauro Abrahão, parece cada vez mais rápido e intenso nas baquetas. Já a guitarra do Victor Costa, se encaixa perfeitamente, soando ora extremamente limpa, ora escrotamente suja. O combo fica completo com o gutural potente e ogro da Chris, fazendo com que o trio apresente um grindcore sem firulas, honesto e coeso, ainda que flerte com alguns outros estilos. Nas músicas MOLOTOV e Abuso, por exemplo, algumas passagem são quase que black metal. Isso também demonstra um amadurecimento e diversificação de influências, que claramente torna o som da banda bastante versátil, agradando não somente os fãs de grindcore.

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Gravado pelo Robin Wolf, no Covil Music Studio, em Sorocaba, e masterizado por Kiko no Estúdio Duna, em São Paulo, a sonoridade desse disco é de encher os ouvidos. A gravação tá cristalina demais, nada soa embolado ou descuidado. Visualmente, a arte também está impecável, pois a capa é uma imagem da Chris que, além de berrar por aí, também é uma fotógrafa talentosa pra caramba, que já fez registros promocionais e capas para bandas como Test, Turning Off, Labirinto e Days of Hate.

No que tange a mensagem a ser passada, as letras também se mostram mais maduras e temas como relacionamentos abusivos, fanatismo religioso e resistência política denotam um tom mais pessoal ao disco. E é ótimo que a banda se posicione liricamente sobre assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, ainda mais porque, dentro do cenário extremo, contraditoriamente os discursos conservadores e preconceituosos parecem ganhar número.

Complementando o primeiro parágrafo, pra mim pessoalmente, que acompanho de perto a Vermenoise a alguns anos, é ainda mais gratificante me deparar com um lançamento do calibre desses. Porque ao ouvir você percebe que há muito trabalho duro por trás daquela gravação, e isso fica nítido na qualidade do EP que eles entregaram para o público. Fica fácil entender o fato da Vermenoise ser uma das bandas mais completas da cidade, e também o fato deles estarem, aos poucos, ganhando outros municípios e estados. O Outro é a prova de que pra isso eles tem capacidade e talento de sobra.

Texto por: Niia Silveira

 

Você pode adquirir sua cópia do EP O Outro fisicamente com a Vermenoise ou entrando em contato pelas redes sociais:

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