Release do EP “Untitled” do Dee, I am

Quando coloquei o play no Spotify, automaticamente voltei a 2002, quando o toca disco girava enlouquecido o Nevermind do Nirvana e aquele garoto que estava descobrindo a música alternativa e underground ressuscitou na mente. Não que a Dee, I am seja igual ao Nirvana creio que nem seja isso que queiram ser, mas eles tem a mesma atmosfera que só um verdadeiro grunge poderia passar e apesar do ótimo álbum ostentar em sua capa “Grunge Is Dead”, tenho a plena certeza, que “Grunge is not dead” ouvindo o maravilhoso Untitled.

Conheci a Dee, I am através de uma surpresa mensagem em meu facebook do vocalista, o John, ele me mostrou um pouco da banda e vi alguns vídeos e como bom fã de música alternativa, fui entender melhor e de deparei com o ep “Excerto”, que já trazia uma temática noventista, digna de muita atenção, fiquei alguns dias ouvindo e indicando o álbum para os amigos, inclusive ao meu barbeiro, que fui cortar mais ou menos nessa época e pedi que ele coloca-se no youtube, a banda foi ganhando espaço, fazendo shows e consequentemente amadurecendo, os vi ao vivo em 2019 e posso afirmar que é um grande show, completo, visceral, como todo show underground deve ser, tendo na formação atual John Gasparini no vocal e guitarra, Matheus Dal Bó no contrabaixo e Rodrigo na bateria, um powertrio de respeito, daqueles que você olha e pensa: Caralho! Que som!

Conhecedor de outros lançamentos percebi que o “Untitled” veio mais denso, maduro e ‘cascudo’, em dois aspectos, o primeiro que ficou mais marcado foi a forma como as músicas foram executadas, claramente há uma evolução melódica e não digo na qualidade, pois isso já tem desde o inicio, mas no sentimento que elas passam nos instrumentos tocados, é como se os captadores tivessem captando as dores e angustias ao invés das notas musicais e isso meus amigos, não é fácil de fazer, o segundo aspecto foi o cuidado com a produção, desde a capa que carrega a forma mais grungeira possível, até os nomes das músicas e letras, que falam sobre diversos aspectos do mundo sentimental, relações, angustias e medos e nesse sentido, bati um rápido papo com o letrista da banda, John Gasparini, para entender as composições e ele me falou um pouco sobre cada uma:

 

Dead

A primeira faixa, foi a última música escrita. É uma composição minha e do Rodrigo que surgiu de uma brincadeira metafórica que fizemos. Queríamos falar sobre pessoas que dizem que algo está “morto”, mesmo sabendo que não está. É bem subjetiva. Pode ser interpretada como um sentimento, um evento, ou alguém.

Myself

Foi a penúltima música escrita, e foi também a primeira com o Rodrigo ja nas baquetas. A letra é minha, e fala sobre o problema da auto-aceitação e depressão. É algo bem pessoal, e descreve como, mesmo com o mundo te dizendo coisas boas, te fazendo elogios, você de alguma forma não consegue parar de se odiar e conseguir aceitar a você mesmo. É um som que gosto muito de ter escrito, porque muita gente se identificou com ele, e fico feliz que nossa banda tenha provocado esse sentimento em quem nos ouve, porque é uma das nossas maiores intenções, “abraçar” por assim dizer a galera que escuta a gente rs.

 

Craig

É um som antigo, foi uma das primeiras músicas que escrevemos na Dee, e que ficou de fora do nosso primeiro EP, o “Excerto”. Quando o Rodrigo entrou na banda, fizemos alguns ajustes e registramos ela nesse novo trabalho. Também foi lançada uma versão acústica, gravada ao vivo no Napô Place Studios aqui em Itapetininga. A letra é de autoria minha e da ex-baixista que gravou os dois primeiros EPs conosco. A letra fala sobre uma relação tóxica, familiar ou amorosa, usando como metáfora um animal de estimação, preso em uma gaiola. Este, sendo medo e pavor do seu dono, e tenta a todo momento fugir do seu cativeiro, mas quando a gaiola por fim é aberta, não consegue deixar o conforto do seu cárcere e enfrentar o mundo externo, ainda inexplorado e desconhecido.

I Don’t Care

Também é um som que vem da nossa antiga formação, escrita pouco tempo depois do lançamento do Excerto. Lançamos um clipe totalmente independente dela em Novembro do ano passado, pra divulgação do EP, que alcançou a marca de 500 visualizações em 5 dias e impressionou bastante a nós todos. É bem curiosa a história de como escrevi esse som. Estava no carro indo pro ensaio, com um riff na cabeça, e escrevi algumas palavras soltas num guardanapo de papel. Chegando ao estúdio, organizei as palavras, e ficou do jeito que é até hoje rs. A letra meio que descreve uma relação de desordem entre duas pessoas, eu gosto de descreve-la como um grande “foda-se” pra alguém que te perturba. É uma letra bem subjetiva minha também (rs).

 

Depois de conhecer um pouco mais sobre o que quis dizer cada som, voltei a ouvir cada música, com mais sentimento ainda, pois parecia que a cada palavra falada e acorde tocado vinha um trecho de algo, relacionado a todo aspecto que foi escrito, enfim, “Untitled” entra facilmente na minha lista de “EP’s” favoritos do underground, e se você ainda não ouviu os caras, tá perdendo maior tempo, corre, que vou deixar links aqui para conhecê-los!

 

Escute o som deles:

SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist

YOUTUBE: https://www.youtube.com/deeiam

DEEZER: https://www.deezer.com/br/artist/55828272

 

Texto por: Ricardo Huss

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