[NEM MAIS UM GOLE] – Entrevista com Iggor CavaleiraPor: Leo Cucatti

Iggor Cavalera dispensa apresentações. Baterista fundador do Sepultura, ele ajudou a moldar o metal como o conhecemos hoje, cimentando assim seu lugar nos livros de história.
Embora tenha deixado a banda há mais de dez anos, continua atuante no seu projeto subsequente com seu irmão Max Cavalera, chamado Cavalera Conspiracy, além de diversas participações em outras bandas.

Leo Cucatti: Como era na sua infância?

Iggor Cavalera: Minha infância foi bem legal, até a morte do meu pai, quando eu tinha 8 anos.

 

Leo Cucatti: Você se lembra de ver seus pais, tios, parentes bebendo? Lembra o que pensava a respeito?

Iggor Cavalera: Sim, o álcool, pelo menos na minha geração era tratado como uma coisa normal, e lembro de vários tios e tias dando vexame.

 

Leo Cucatti: Passou por alguma situação daquelas em que o pessoal molha a chupeta na cerveja ou deixa a criança beber a espuma da cerveja? O que acha sobre isso?

Iggor Cavalera: Na minha família italiana, era comum o pessoal fazer um vinho com água e açúcar para molecada beber nos jantares. Só depois fui me ligar que eles estavam anestesiando a gente para a noitada. Nunca fiz isso com meus filhos.

Leo Cucatti: Minha vó fazia isso com minha mãe e meus tios também; acho que é sangria o nome que falava heheh, mas minha mãe nunca fez isso com a gente não… 

 

Leo Cucatti: Você mora na Inglaterra já tem bastante tempo, e antes disso já viveu/esteve em outros países também; Eu vejo que aqui no Brasil existe uma cultura de que beber (desde muito novo) é legal, descolado (e inconsequente), como você vê esse consumo do álcool nos países que você já conheceu?

Iggor Cavalera: Eh a mesma merda, muita politicagem para uma droga destruidora,  muito triste.

 

Leo Cucatti: Na biografia do seu irmão, My Blood Roots, ele fala muito sobre as bebedeiras principalmente nos anos 80 com os caras do Ratos de Porão, e em alguns trechos ele fala que você não bebia, que estava sempre sóbrio, como foi essa fase? Como foi sua decisão/escolha de não beber esse época?

Iggor Cavalera: Sim, com certeza, eu era Straight Edge meio que sem saber que existia esse movimento. Depois descobri bandas como Minor Threat que abordavam o assunto. Sempre mais interessante alguém como Ian Mackaye do que alguém como os fitas do Guns and Roses.

Leo Cucatti: Comigo foi assim também, eu era “careta” antes de saber que existia o Straight Edge. Todos meus amigos bebiam e eu ficava de boa entre eles.

 

Leo Cucatti: E você já bebeu? O que te motivou a beber? Hoje em dia você bebe? Caso não, o que te motivou a parar ou nunca nem começar a beber?

Iggor Cavalera: Eu já bebi algumas vezes, e falo que foi o bastante para eu ver quanto destrutivo o álcool e para mim.

 

 

Leo Cucatti: Como foi seu primeiro contato com a cultura straight edge? O que você achou? Você se identificou? Teve interesse?

Iggor Cavalera: Como disse começou com o Minor Threat, e depois com bandas como Strife e Path of Resistance e Earth Crisis. Sempre achei legal, mas nunca curti muito fato de virar uma espécie de militância.

 

Leo Cucatti: E falando em Strife, conta pra gente como rolou o convite para gravar o disco “witness a rebirth” e como foram as gravações… Você chegou a fazer shows com eles? Como foi?

Iggor Cavalera: Conheci o strife numa tour do Chaos AD, desde então tenho um vinculo muito forte com eles, todo show que compareço acabo fazendo algum tipo de participação ao vivo, gravei o disco w.a.r. em São Paulo e foi muito legal, o Andrew Kline eh um dos meus melhores amigos.

 

Leo Cucatti: E depois, com o tempo, sua opinião mudou? Seu jeito de ver o straight edge mudou?

Iggor Cavalera: Acredito que ser SXE tem que vir de dentro, e não uma coisa para baixar goela abaixo das pessoas. E também acho legal deixar claro que acredito em plantas medicinais, para a cura e não para diversão.

Leo Cucatti: Eu concordo com isso, já li bastante a respeito e apoio, apesar de não fumar, eu sei dos benefícios que pode trazer. 

 

Leo Cucatti: Porque você acha que existe essa ideia de que bebida é coisa pra “macho” e “homem que é homem bebe”? E o que você acha dessas frases clichês como “não aguenta bebe leite” ou “bebida forte é pra macho” “bebida doce (fraca) é pra mulher”? 

Iggor Cavalera: Não tenho ideia, mas acredito que estamos mudando isso, ao falar abertamente sobre a desgraça que eh o álcool.

 

Leo Cucatti: E pra encerrar, eu gostaria de agradecer por essa conversa e deixar esse espaço para suas considerações finais, fique a vontade… Muito obrigado Iggor

Iggor Cavalera: Muito obrigado pelo papo.
Mantenha a mente e coração o mais aberto possível.

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