[NEM MAIS UM GOLE] – Entrevista com July Salazar

Olá, meu nome é July Salazar, tenho 30 anos, vivo em Lima, Peru, sou graduada em administração e negócios internacionais, trabalho em um provedor de suprimentos abrangente, tenho uma banda de hardcore/punk feminista chamada Tomar Control, tocamos juntas há 7 anos. Gosto de escutar música, assistir séries e sinto muita falta de viajar, ir ao cinema, tocar e ir a shows!

Leo Cucatti: No Brasil o consumo de bebidas alcoólicas é muito comum e está presente em todo momento, seja numa festa infantil ou numa simples reunião de amigos, toda hora em propagandas na televisão… Eu acho que muitas pessoas são encorajadas (ou forçadas) a beber desde muito jovens. Gostaria de saber, no geral, como é o consumo de álcool no Peru

July: Olá Leo! Aqui no Peru o álcool sempre está presente das festas. Na verdade, eu lembro que quando eu era criança o álcool estava sempre presente nas festas de família, e ainda está. Nas festas infantis geralmente não há álcool, pois é uma festa apenas para crianças. É a partir dos 15 anos que se encontra álcool nas festas de adolescentes, uma vez que se vê que é um passo em direção à idade adulta, e que para muitos, beber álcool é sinônimo de ser adulto… e se não beber é como se continuasse sendo criança, e muitos para mostrar que já são grandes, se veem pressionados a beber mesmo que não gostem. Nas discotecas sempre tem que haver álcool, e não é uma verdadeira festa se você não acaba bêbado ou bêbada. Também nas reuniões de trabalho, quando precisa se reunir com algum cliente ou sócio muitas vezes beber álcool, nessas reuniões, pode te ajudar a fechar um negócio, porque é sinônimo de confiança. E em geral é usada qualquer desculpa para beber, se você está cansado e quer relaxar ou se está contente e quer celebrar algo com seus amigos; a publicidade reforça essa ideia, Você sempre pode ver na televisão, o álcool é como a recompensa por dias difíceis no trabalho ou na faculdade.

 

Leo Cucatti: Aqui no Brasil, na geração dos nossos pais, era comum que os pais deixassem as crianças provar a espuma da cerveja ou até mesmo molhar a chupeta da criança na cerveja… No Peru também ocorre algo assim?

July: Não, aqui no Peru não acontece isso.

 

Leo Cucatti: E como era na sua infância, você se lembra de ver parentes mais velhos, pais ou tios, bebendo? Você lembra o que pensava a respeito?

July: Lembro-me de ver os tios e amigos do meu pai bêbados de rostos vermelhos, não falavam bem e gritavam. Eu tinha medo quando criança, também não gostava do cheiro de cerveja.

 

Tomar Control

 

Leo Cucatti: Você se lembra quando começou a ter um pensamento crítico em relação ao consumo de álcool e como foi sua decisão de não beber?

 July: Como mencionei, quando criança eu achava a cerveja nojenta apenas por causa do cheiro e o que eu via que fazia às pessoas, mas como adolescente, quando eu comecei a ir a festas, tinha que beber para estar na onda, para ser legal e adulta, então comecei a beber; não podia com cerveja porque era nojenta, mas bebia vodka com suco, e mesmo que meu estômago doesse porque era literalmente álcool no meu estômago, Eu bebia porque me deixava tonta e com a crença de que agora eu era legal.

Eu comecei a ter um pensamento crítico sobre o álcool quando entrei mais fundo no punk hardcore aos 22 anos, porque quando entrei no punk aos 15 anos, Eu era crítica contra o estado, religião, machismo, etc. Mas era normal lutar bêbado ou drogado, não havia crítica ao álcool como arma de manipulação do estado.

No hardcore punk pude me dar conta de todos os motivos que tinha para não beber. Primeiro não necessitava ingerir substâncias tóxicas em meu corpo para mudar minha personalidade, para “ser mais legal” e mesmo para agradar os demais. Aprendi a me aceitar e me amar como sou, não queria causar mais danos ao meu corpo. Segundo me dei conta de que o álcool também afetava a sociedade e sempre trouxe consigo a delinquência, a violência e mais pobreza.

Decidi que não queria isso para minha vida, então eu me tornei abstêmia e não só isso, me aceitei como straight edge e decidi que o compartilharia sempre que pudesse, uma vez que o que funcionava para mim também ajudava outras pessoas.

 

Leo Cucatti: Como foi seu primeiro contato com a cultura SXE? Você se identificou logo de cara? Como você descobriu que havia um grupo de pessoas que se recusava a usar álcool e drogas?

July: Meu primeiro contato foi nos shows de hardcore! No começo me surpreendeu que algumas bandas que eu via tocar não bebiam nada, me parecia muito raro sendo adultos e tocando música pesada. Me pareceu algo muito legal, mas ainda não sentia que era para mim. Depois de um tempo continuei pesquisando o problema do álcool e das drogas e me senti mais identificada com esta posição, então depois de um tempo deixar o álcool, foi fácil.

 

Leo Cucatti: Um assunto que me ocorreu agora enquanto conversava com o Leo, do Surra, é uma falsa impressão que pode acontecer, pois pode parecer que optamos por não beber por moralidade e não nos permitimos certas liberdades como experimentar sensações proporcionadas pelo álcool ou outras drogas. O que você pensa sobre isso? Há algum moralismo, algo como apontar o dedo e julgar, dentro da cultura SXE? Você já refletiu sobre isso?

 July: No caso do consumo de álcool que não se aplica porque é bem visto socialmente, ao contrário, é raro ver uma pessoa que não bebe. No caso das outras drogas, é verdade que é mal visto, o que acho curioso, porque não consideram o álcool uma droga igualmente nociva. Considero que cada um é livre para escolher o que é melhor para si. Se uma pessoa deixa de ser Straight Edge, não deveria haver nenhum tipo de julgamento, isso não muda quem a pessoa é. Tenho muito amigos que deixaram de ser Straight Edge e seguem sendo ótimos amigos.

 

Tomar Control

 

Leo Cucatti: E porque você acha que o álcool não é visto como uma droga como as outras? Porque será que a sociedade no geral critica e julga o usuário de outras drogas enquanto o álcool tem boa aceitação?

July: O álcool não é visto como droga porque é legal, porque todos usam e porque é culturalmente aceito.

 

Leo Cucatti: Muitas vezes o álcool é usado como uma forma de acabar com a timidez ou mesmo para potencializar a diversão… Você acha que é possível se divertir, cantar e expurgar toda fúria sem precisar de álcool?

July: Antes eu também acreditava que precisava do álcool para me divertir mais, então percebi que não me divertia, mas outras pessoas é que se divertiam comigo. Claro que podemos nos divertir, cantar, dançar e tudo o que quiser sem precisar de álcool. Nada melhor do que estar ciente do que você está aproveitando para estar 100% presente em sua vida.

 

Leo Cucatti: Você já esteve no Brasil, certo? O que você percebeu de diferente ou similiar em relação ao consumo de bebida alcoólica entre o Brasil e o Peru?

July: Sim, estive no Brasil em outubro de 2019. Lembro que estava andando nas ruas de São Paulo com meus amigos e vimos uma festa de rua chamada “La Peruada”, que aliás gostei muito porque dava para dançar na rua, O que eu percebi é que é permitido beber na rua, havia muitos vendedores ambulantes com carrinhos de supermercado cheios de bebidas alcoólicas. No Peru não é permitido o uso de bebidas alcoólicas nas ruas. Embora nas áreas rurais você possa ver as pessoas bebendo e fazendo uma grande festa nas ruas.

 

Leo Cucatti: Muito obrigado por essa conversa, deixo aqui um espaço final pra você falar algo que possa ter faltado na entrevista e também uma mensagem para quem pensa em parar de beber.

July: Muito obrigado pela entrevista, Leo. Acho importante gerar um conteúdo que fale sobre o consumo de álcool tão normalizado em muitas culturas. Para as pessoas que estão pensando em parar de beber, deixe-me sugerir que você pondere as coisas positivas e as coisas negativas que beber álcool implica para você, Acho que assim é mais fácil ter consciência das coisas negativas que estão sendo deixadas para trás e das coisas positivas que parar de beber pode trazer para suas vidas. E se o álcool já começou a se tornar um vício, peça apoio à sua família, amigos e colegas, as pessoas que o amam não o deixarão sozinho.

 

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En español

Hola mi nombre es July Salazar, soy feminista, vegana y straight edge, tengo 30 años, vivo en Lima-Perú, soy feminista, vegana y straight edge, egresada de la carrera de Administración y negocios internacionales, trabajo en una proveedora de abastecimiento integral, tengo una banda de hardcore punk feminista llamada Tomar Control, ya llevamos 7 años de formada. Me gusta escuchar música, ver series, y extraño mucho viajar, ir al cine, tocar e ir a shows!

 

Leo Cucatti: En Brasil el consumo de bebidas alcohólicas es muy común y está algo presente en todo momento, ya sea en una fiesta infantil, en una simple reunión con amigos, todo el tiempo en los anuncios de televisión, o tan pronto como cada uno sale del trabajo.  Creo que mucha gente se alentada (o obliga) a beber desde muy joven, me gustaría saber cómo es (en general) el consumo de alcohol en el Perú.

July: Hola Leo! Aquí en Perú el alcohol siempre está presente en las fiestas. De hecho recuerdo que cuando era niña siempre el alcohol estaba presente en las fiestas familiares, y aún lo sigue estando. En las fiestas infantiles no suele haber alcohol ya que es una celebración solo de niños. Es a partir de los 15 años que sí encuentras alcohol en las fiestas de adolescentes, ya que se ve que es un paso hacia la adultez, y es que para muchos el beber alcohol es sinónimo de ser adulto… y si no lo consumes sigues siendo un niño o niña, y muchos para demostrar que ya son grandes se ven presionados a beber a pesar de que no les guste. En las discotecas siempre tiene que haber alcohol, y no es una verdadera fiesta si no terminas borracho o borracha. También en las reuniones de trabajo, cuando necesitas reunirte con algún cliente o socio muchas veces el beber alcohol puede ayudarte a cerrar un negocio, porque es sinónimo de confianza. Y en general se toma cualquier excusa para beber, si estás cansado y quieres relajarte, o si estás contento y quieres celebrar algo solo o con tus amigos, la publicidad refuerza esta idea, se puede ver siempre en la televisión, el alcohol es como la recompensa a días pesados en el trabajo o en la universidad.

 

Leo Cucatti: Aquí, en la generación de nuestros padres, era común que los padres dejaran a los niños probar la espuma de la cerveza o incluso mojar el chupete en la cerveza … ¿Pasó algo así en Perú también?

July: No aquí no pasó así

 

Leo Cucatti: Como sucedió en su infancia, ¿alguna vez pasó por un momento así? ¿Recuerda haber visto a parientes mayores como padres o tíos bebiendo? ¿Recuerdas lo que pensaste al respecto?

 July: Recuerdo haber visto a tíos y amigos de mi papá borrachos con la cara roja, no hablando bien y gritando, a mi de pequeña me daba miedo, el olor de la cerveza tampoco me gustaba

 

Leo Cucatti: ¿Recuerdas cuando empezaste a tener un pensamiento crítico en relación al consumo de bebidas alcohólicas y cómo fue tu decisión de no beber?

July: Como te comentaba , de niña me parecía asquerosa la cerveza por solo cómo olía y por lo que veía que le hacía a la gente, pero de adolescente cuando empecé a ir a fiestas tenías que beber para estar en onda, para ser genial y grande, entonces empecé a tomar, no pude con la cerveza porque era asquerosa, pero sí con vodka y jugo, y aunque me dolía el estómago porque era literal alcohol en mi estómago , lo tomaba porque me hacía sentir mareada y con la creencia de que ahora yo sí era cool. Recién empecé a tener un pensamiento crítico sobre el alcohol cuando me metí de fondo en el hardcore punk a los 22 años, porque cuando entré en el punk a los 15 años fue crítica contra el estado, la religión, el machismo, etc pero era normal luchar alcoholizado o drogado, no había crítica contra el alcohol como arma de manipulación del estado.

En el hardcore punk pude darme cuenta de todos los motivos que tenía para no beber. Primero, no necesitaba de meter sustancias tóxicas a mi cuerpo para cambiar mi personalidad, para “ser más cool” para agradarle a los demás. Aprendí a aceptarme y amarme como soy, no quería hacerle más daño a mi cuerpo. Segundo, me di cuenta que el alcohol también afectaba a la sociedad, siempre traía consigo delincuencia, violencia y más pobreza.

Decidí que no quería eso para mi vida, así que me volví abstemia y no solo eso, me acepté como straight edge y decidí que lo compartiría siempre que pudiera , ya que lo que me sirvió a mi también podría apoyar a otros.

 

Leo Cucatti: ¿cómo fue tu primer contacto con la cultura SXE? ¿Te identificaste pronto? ¿Cómo se enteró de que había un grupo de personas que se negaba a consumir alcohol y drogas?

July: Mi primer contacto fue yendo a los shows hardcore! Al principio me sorprendió mucho de que algunas bandas que veía tocar no tomaban, me parecía muy raro siendo grandes y tocando música pesada. Me pareció algo muy cool, pero aún no lo sentía para mi. Luego de un tiempo seguí investigando sobre la problemática del alcohol y las drogas y me sentí más identificada con esta postura, así que después de un tiempo debe el alcohol, fue fácil.

 

Leo Cucatti: Un tema que se me ocurrió ahora, hablando con Leo do Surra, se trata de una falsa impresión que puede pasar, ya que puede parecer que elegimos no beber por moralismo y no nos permitimos ciertas libertades como experimentar sensaciones proporcionadas por alcohol u otras drogas. ¿tu que piensas sobre eso? ¿Hay algún moralismo (apuntar con el dedo) dentro de la cultura SXE? has reflexionado sobre eso?

July: En el caso de beber alcohol eso no aplica porque está bien visto socialmente, más bien es raro ver una persona que no tome. En el caso de otras drogas, sí es cierto que es mal visto, lo cual me parece curioso, porque no consideran el alcohol como una droga igual de perjudicial. Yo considero que toda persona es libre de elegir qué es lo mejor para sí mismo. Sí una persona deja de ser straight edge, no debería haber ningún tipo de señalamiento, eso no cambia quién es la persona.  Tengo muchos amigos que han dejado de ser straight edge y siguen siendo muy buenos amigos míos.

 

Leo Cucatti: ¿Y por qué cree que el alcohol no se considera una droga como las demás? ¿Por qué la sociedad en general critica y juzga al usuario de otras drogas mientras que el alcohol es bien aceptado?

July: El alcohol no se ve como una droga porque es legal, porque todo el mundo lo consume, y porque es culturalmente aceptado.

 

Leo Cucatti: Muchas veces el alcohol se usa como una forma de acabar con la timidez o incluso para potenciar la diversión … ¿Crees que es posible divertirse, cantar y purgar toda furia sin necesidad de alcohol?

July: Antes también creía que necesitaba del alcohol para ser más divertida, luego me di cuenta que yo no me divertía sino que las otras personas se divertían conmigo. Claro que sí puedes divertirte, cantar, bailar y todo lo que quieras sin alcohol. No hay nada mejor que ser consciente de lo que se está disfrutando, de estar presente al 100% en tu vida.

 

Leo Cucatti: Has estado en Brasil, ¿verdad? ¿Qué percibió como diferente o similar en relación al consumo de bebidas alcohólicas entre Brasil y Perú?

July: Sí estuve en Brasil en octubre 2019. Recuerdo que estaba caminando en las calles de São Paulo con mis amigos y vimos una fiesta en la calle llamada “La peruada”, la cual por cierto me gustó mucho porque se podía bailar en la calle, lo que sí pude notar es que está permitido tomar en las calles, había muchos vendedores con carritos de supermercados lleno de muchas bebidas alcoholicas. En Peru no está permitido el uso de bebidas alcoholicas en la calle. Aunque en zonas rurales sí puedes ver a gente en la calle tomando en una gran fiesta del pueblo en la calle.

 

Leo Cucatti: Muchas gracias por esta conversación, dejo aquí un espacio final para que digas algo que puede haber faltado en la entrevista y también un mensaje para cualquiera que esté pensando en dejar de beber.

July: Muchas gracias por la entrevista Leo. Creo que es importante generar contenido donde se hable del consumo de alcohol tan normalizado en muchas culturas. Para las personas que estén pensando en dejar de beber, permítanme sugerirles poner en una balanza las cosas positivas y las cosas negativas que para ustedes implica el consumir alcohol, creo que de esa forma es más fácil ser consciente de las cosas negativas que se están dejando y las cosas positivas que el dejar de tomar puede traer a sus vidas. Y si el alcohol ya empezó a convertirse en una adicción, pidan apoyo a su familia, sus amigos y compañeros, la gente que los quiere no los dejará solos.

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