Carlos Caszely, o artilheiro de Salvador Allende | Futebol Político #3Por: Ricardo Huss

Carlos Caszely, o artilheiro de Salvador Allende.

Recentemente o técnico Luiz Felipe Scolari foi especulado como possível treinador do tradicional Colo Colo do Chile, logo após sua saída do Palmeiras, parte da torcida Antifascistas De La Garra Blanca se revoltou e estampou em faixas de protestos, dizendo que apoiador de Pinochet não treinaria a equipe, o negocio melou e o time.

Não é de hoje que este clube de futebol tem papel importante na luta contra personagens com tendências a direita em suas fileiras, formando jogadores com opiniões politicas contundentes como Claudio Bravo, Arturo Vidal e Jorge Valdivia, o Colo Colo teve um personagem muito forte no período de ditadura de Pinochet, Carlos Caszely o artilheiro de Allende.

Nascido no bairro de San Eugenio, na capital chilena, Carlos Caszely é tido como o jogador mais popular e querido da história do Colo-Colo. Começou nas categorias inferiores do Colo-Colo e atuou no time profissional pela primeira vez em 1967 em um jogo amistoso internacional contra o Peñarol do Uruguai.

Sua estreia oficial foi no Estádio Nacional em 30 de julho de 1967, tornou-se titular do time em 1969 e conquistou o campeonato chileno em 1970. Nesse mesmo ano sofreu uma grave contusão em um jogo contra a Unión Española que o deixaria inativo até 1971.

Em 1972, o treinador Luis Álamos nomeia Caszely, então com apenas 21 anos, capitão da seleção chilena. Isso faz com que o craque amadureça. Tem ótimas atuações pela seleção na Copa Independência jogada nesse mesmo ano no Brasil a ponto da equipe do Santos de Pelé perguntar ao Colo-Colo o preço de seu passe e, nesse mesmo ano, conquista mais um campeonato chileno. Em 1973 já era definitivamente um ídolo. Suas atuações deslumbrantes pelo Colo-Colo fizeram com que seu time fosse a primeira equipe chilena a chegar a um final da Copa Libertadores da América. Esse período se encerra com sua transferência para o Levante, então na segunda divisão espanhola, pelo qual marcou 15 gols em 24 partidas, e em seguida, foi para o Espanyol, da cidade de Barcelona, onde ficariam quatro de seus cinco anos em território espanhol.

Jogou a copa de 1974 pelo Chile e acabou entrando para a histórica como o primeiro jogador a ser expulso em uma Copa do Mundo, que havia acabado de colocar em pratica esse mecanismo.

Declaradamente apoiador da unidade popular de Salvador Allende, Carlos foi um dos poucos jogadores de futebol a ter coragem de se expor publicamente contra o golpe de estado aplicado por Pinochet, ficou os primeiros anos da ditadura em gramados espanhóis, por isso não sofreu retaliação nesse período, porém sua mãe foi espancada e torturada pelo policia da ditadura. Quando a seleção Chilena retornou do mundial de 74, a televisão do país filmou o ditador cumprimentando um jogador de cada vez, quando chegou a Caszely, este colocou as mãos para trás em ato de repúdio, estampando manchetes chilenas no dia posterior.

Não sei se transpirava mais no campo, jogando, ou nesse momento, quando lhe neguei a mão. E eu lhe neguei a mão como se dissesse, como se o fizesse entender que não gostava de violência, nem ditadura, nem guerra. “Queria viver em paz”, contou o atacante no documentários Os rebeldes do futebol.

Em 1985 já aos 35 anos decidiu encerrar sua genial carreira jogando pelo time do coração, o Colo Colo, então foi organizado um jogo com um combinado de estrelas Sul Americanas para sua despedida e com o estádio nacional lotado de gente, o jogo festivo virou um ato politico, a TV Chilena foi proibida de transmitir a então despedida do jogador comunista, mas a implacável rádio Cooperativa conseguiu de forma clandestina cobrir o jogo e ouvia-se ao fundo a torcida gritando “Vai cair, vai cair” em referencia a ditadura de Pinochet.

Numa vã tentativa de dar legitimidade ao seu governo Augusto lança um plesbicito para que o povo decida se a ditadura permaneça ou não e Carlos é convidado a participar das propagandas da TV que defendiam o fim da ditadura, com uma condição, que não fosse ele quem fala-se sobre, mas sim quem viveu na pele todo aquele período horroroso, assim, em 20 de setembro, Olga Garrido contou em detalhes os momentos macabros que passara diante dos militares. Na sequência, junto dela, Caszely apareceu diante das câmeras, fazendo um chamado a votar pelo Não. “Porque sua alegria é minha alegria. Porque seus sentimentos são meus sentimentos. Porque esta linda senhora é minha mãe”.

Carlos Caszely ficou conhecido dentro das quatro linhas como o rei do metro quadrado e fora delas como o maior ídolo do Colo Colo, pelos feitos esportivos e pela coragem demonstrada.

 

Texto por: Ricardo Huss

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