Superbrava entrevista

Superbrava: emoções e sentimentos através da música

Formado em meados de 2018, composto por Vicente Anacleto (Vocal), Nathan Motta (Baixo), Silas Filho (Guitarra), Rodrigo Dido (Guitarra) e Moises Alencar (Bateria), o Superbrava surge com intuito não só de fazer som, mas também expressar emoções e sentimentos através da música, da arte e acima de tudo da amizade entre nós e todxs amigxs que colecionamos por onde passamos ♥

 

INSIDE A5: Como surgiu a ideia de começar o Superbrava? O que mudou na vida de vocês pós esse começo?
Dido: Superbrava surgiu mesmo de forma involuntária quando eu (Dido) em constantes conversas com o Moisés decidimos que deveríamos tentar fazer uns sons juntos como nos velhos tempos (tocamos juntos há mais ou menos uns 18 anos), já que ao longo da vida, por inúmeras oportunidades, fossem essas por motivos de trabalho, realizações pessoais, nós nunca de fato havíamos conseguido tocar uma banda por tanto tempo assim.
Posteriormente chamamos o Silas e o Nathan, dos quais tínhamos contato com certa frequência no momento das idéias musicais que a gente tava tendo, e fechamos o time. Dá pra dizer que o que mudou foi que conseguimos constituir um vínculo ainda maior de amizade entre todos nós, nossas famílias, amigxs, passamos a conviver muito mais juntos.

 

INSIDE A5: Vocês lançaram alguns meses atrás o “Todas as Cores”, como foi o processo de composição e gravação?
Silas: A composição do disco, na parte instrumental, foi bem desprendida. Por mais que eu já saiba mais ou menos algumas soluções e gostos do Dido pra linhas de guitarra, foi surpreendente a rapidez como fluíram músicas diferentes entre si e diferentes do que tocávamos antes. Claro que a veia artística de nossas composições é presente, mas a atitude de criar nosso som do zero e mostrar nossa atual fase musical, deu uma “nova cara” pra nós mesmos. Decidimos gravar para registrarmos esse momento musical e pessoal, pois a atmosfera do momento nos alimentou e as músicas nos empurraram para nos tornarmos uma banda. Resolvemos gravar no Playrec, em Santos, com o Nando Basseto, guitarrista muito respeitado e admirado por nós pelos trabalhos de gravações, na noite de Santos e pelo trabalho com o Garage Fuzz, banda da qual respeitamos imensamente, tanto pelo som quanto pela postura simples e simpática dos caras. Gravamos o instrumental e a ideia inicial era do Dido cantar, porém não rolou como imaginávamos. A gravação ficou paralisada por alguns poucos meses até que o Vicente aceitou o convite de fazer parte da banda. Ele conheceu as músicas através da gravação, ainda não finalizada, do Nando. Daí mostramos algumas ideias de letras e melodias, somamos às idéias dele e ficou registrado o Todas As Cores, lançado pela Seeinred Recods.

Vicente: As gravações vocais foram bem tranquilas. Claro que, por estar um bom tempo longe do microfone tive as minhas dificuldades, contei com a experiência do Nando em alguns momentos e a ajuda dos meus fiéis companheiros que sempre me dão suporte, e fomos gravando com calma as linhas vocais que faltavam até chegarmos nesse resultado.

 

INSIDE A5: Sobre o que tratam as letras das músicas?
Vicente: As temáticas são variadas. No geral, tentamos fazer letras para reflexão, para que você possa ouvir e entender de acordo com o seu ponto de vista ou momento atual. Gostamos de falar de liberdade, auto aceitação, situações cotidianas ( “Verdadeiro Eu” / “Mais Uma Vez” ), mas sem deixar de lado a questão social ( “Político” / “Todas as Cores” ). Tentamos em cada letra e melodia, inserir o ouvinte na música, pra que ele sinta aquilo como algo dele, sentir que faz parte daquilo.. e faz.

Dido: Em relação as letras, abordamos temas dos quais nos identificamos e quase sempre baseado em situações que nós ou pessoas muito próximas a nós vivem. Baseado nisso tentamos fazer com que o nosso som vá muito além de um simples entretenimento e possa de fato abraçar e representar aquelxs que se identificam com a nossa proposta.

 

 


INSIDE A5: Quais são as referências musicais da banda? O que vocês gostam de ouvir em casa?
Dido: Eu particularmente amo Belchior, e nos últimos 6, 7 anos tem sido a minha maior fonte de inspiração (apesar do som do Superbrava estar a milhas de distância dele). Acho que os demais integrantes tem suas preferências ali entre o punk, hardcore melódico, até o rock’n’roll clássico.

Silas: Tenho minhas preferências musicais mas costumo dizer que pra compor eu costumo perceber mais a influência emocional e momentânea, e tentar traduzir a inspiração em melodias. A admiração por bandas alternativas/grunge/emo/melódicas dos anos 90/2000 se misturam aos clássicos do rock/hard rock/punk rock/metal na minha mente. Recentemente tive acesso ao Spotify e costumo ouvir playlists de Rock, Instrumental, Bossa Nova, Jazz e Blues, Alternativo e Chorinho. Meu gosto musical é bem variado, gosto de me surpreender com o simples. Gosto de perceber que o músico quer fazer música com o instrumento. Parece óbvio e redundante, mas é realidade!

 

INSIDE A5: Os videoclipes são um ponto forte da banda, como surge a ideia dos roteiros dos vídeos?
Vicente: Nós não sentamos e montamos o roteiro completo pros clipes. Geralmente temos uma ideia, nos reunimos e agregamos com alguma ideia que um ou outro venha a ter, um local, um corte. Em seguida nos reunimos com quem irá produzir, vemos o que tem o mesmo tem a acrescentar e basicamente é assim que a mágica acontece.

Dido: Os clipes a gente tenta colocar uma das várias formas interpretativas que as músicas podem demonstrar. Normalmente alguém tem alguma ideia, a gente discute sobre e acaba abraçando a ideia mediante a possibilidade de executa-la junto ao diretor.

Silas: São muitas opções a todo tempo para entretenimento das pessoas no mundo digital, e a menor procura por trabalhos físicos é uma realidade. Entendendo isso, a quantidade de conteúdo lançada a disposição é enorme, e independente do gosto musical de cada um, muita coisa se perde, já que música nem sempre é a primeira opção de quem tem um tempo livre no seu dia-a-dia. O clipe é uma maneira de buscar aproximar da banda quem teve interesse na música/imagem/fotografia. Assim como antigamente pegávamos o encarte do CD, ou víamos alguma matéria da banda que gostávamos e de repente aquele conteúdo encurtava um pouco a distância de ver quem são as pessoas, como se vestem e que idéias tem pra aquela arte. Nossas idéias surgem conversando entre nós mesmos, do que podemos fazer com o recurso que temos acessível. Tentamos entregar pra quem gosta da banda um resultado com qualidade e verdade.
Fizemos 3 com o Gabriel Imakawa, um destaque para “Verdadeiro Eu”, que além de ter sido o primeiro contato das pessoas com a banda (já que lançamos primeiro o clipe do que a música na internet), por ter concorrido ao festival Curta Santos, sendo um dos 10 melhores clipes selecionados para participar do festival, além de termos registrado também um pouco da nossa vibe ao vivo no clipe despretensioso da música “Mais Uma Vez”, quando tocamos no Alternapalooza, em Santos. “Todas As Cores” foi trabalhoso para nos colorirmos e tocarmos nas ruas de São Vicente/Santos. A reação das pessoas, algumas achando legal e outras achando uma porcaria, mostra um pouco do que passa alguém que “não é padrão de aceitação popular”. Além disso, poder contar com a participação de muitxs amigxs, que são presentes na nossa vida e história musical, foi muito gratificante… Essa receptividade da banda, sendo que era o segundo clipe, nos deu muita motivação.

 

INSIDE A5: Quais são os pontos positivos e negativos de pertencer a cena do litoral? Onde há bandas já consagradas e muita gente talentosa.
Vicente: Aqui quase sempre estamos em contato com pessoas que admiramos pelo serviço prestado a cultura local. Tivemos prazer de em um ano tocar com diversos amigos que a gente curte e aprecia o trabalho e isso não tem preço. Por outro lado, a enorme quantidade e opções de lazer, as vezes ofusca um rolê independente que não tem o mesmo poder de divulgação ou não atinge tanta gente, mas o que no geral não é ruim. Claro que queremos shows lotados, mas ter as pessoas engajadas num evento cultural mesmo que não seja o que estamos participando, também é bom.

Dido: Pergunta difícil. Acho que hoje em dia temos poucos lugares que abrem portas, e diria que existe também um pouco do desinteresse do público mais jovem em relação ao underground por aqui. Mas as vantagens, como a própria pergunta diz, é que temos muitas bandas e artistas incríveis e pelo menos entre essa “classe” existe uma troca incrível de experiência.

Silas: Creio que ponto positivo é poder ter proximidade com ótimos artistas, por estar perto de São Paulo, pela Baixada Santista ter tido e ainda tem ótimas bandas e por ir conhecendo/fazendo parte de um pedaço da história musical da região. Inclusive recentemente saiu uma lista no Blog N’ Roll falando de 100 bandas importantes pro rock da região. Honrosamente, além de fazermos parte com o Superbrava, também fomos citados por trabalhos anteriores. Ponto negativo talvez seja meio que geral, não somente aqui, que é um desinteresse do público por bandas pequenas, shows pequenos sem muita estrutura e o raso interesse num geral em vertentes alternativas/questionadoras de arte e postura política/pessoal. Um dos atrativos para shows alternativos “lado B” para a galera acostumada a shows em grandes estádios, era justamente “o algo a mais que música”. Por aqui, tem alguns lugares que abrem as portas pra bandas menores, como o Jamel Pub no Guarujá, o Fullrise Arte em Praia Grande, o Boteco do Valongo e o Mr Dantas em Santos.

 

INSIDE A5: O que vocês indicam para quem está lendo essa entrevista? (livros, filmes, bandas, documentários, etc)
Vicente: Recentemente ouvi a música “Estações” da Agne Muniz (@agnemuniz) e achei bem interessante. Tem uma galera fazendo coisas bem legais no rap/trap e são aqui da região também, interessante ficar de olho no Instagram deles: @vidaincerta @dre.vila @soubegod

Dido: Em relação as bandas novas, eu particularmente ando bem próximo de algumas, principalmente agora que to trabalhando com estúdio novamente rs. Posso citar o The Scuba Divers, Mar Morto, Depois da Tempestade, Sempre e o Gilberto Vida Incerta, Noite Cinza, Cannon of Hate, Old Rust, são alguns bons nomes da baixada santista que vale a pena conhecer e ficar por dentro. Pra quem ainda não conhece muita a cena de Santos, tem o documentário “Califórnia Brasileira” que fala um pouco de como as coisas funcionavam por aqui entre os anos 90 e 2000, muito legal.

Silas: Indico conhecerem a banda de Santos chamada The Scuba Divers. Eu gosto de documentários ligados a história num geral, tanto mundial quanto da música, no YouTube mesmo.

 

INSIDE A5: O momento político atual na América do Sul está sendo muito catastrófico em muitos países, vocês acreditam que isso possa causar algum impacto no cenário independente? Existe alguma solução próxima?
Dido: O momento é caótico, aqui no Brasil mesmo vivemos tempos tensos. Aqui nós temos alguns movimentos e eventos como o próprio “Hardcore Contra o Fascismo”, que consegue atrair uma massa com o objetivo de instruir a galera contra os malefícios que esse governo atual representa pro nosso futuro. O corre de cada banda em se posicionar e fazer a sua parte junto ao seu público, seus amigos também faz toda a diferença contra qualquer tipo de opressão e preconceito também (tudo isso é claro, dentro do contexto do hardcore/punk ao qual fazemos parte).

 

INSIDE A5: Quais são os planos futuros da banda? O que podemos esperar para o próximo semestre?
Dido: Para os próximos meses pretendemos tocar mais algumas datas e encerrar o ciclo do Todas as Cores. 2019 foi um baita ano, e rolou uma química forte em relação a aceitação do público para com as músicas e principalmente com a banda como um todo. Temos o planos de entrar novamente em estúdio e começarmos a gravação de um trampo novo no qual faremos algo em torno de 10, 12 faixas. Pensamos sempre em vídeo clipes, artes, tudo que possa agregar artisticamente o trabalho como um todo (claro que pra tudo isso entrar em prática a gente precisa ajeitar a cozinha, colocar nossas contas em dia, até tudo envolve além de muito empenho e dedicação, envolve o fator financeiro). Mas estamos sempre trabalhando fazendo músicas e fazendo o possível pra manter a banda sempre em atividade, seja ensaiando e compondo, quanto também pensando em formas alternativas de expor a parte artística no geral.

 

INSIDE A5: Finalizando …
Vicente: Agradeço pela oportunidade de poder compartilhar um pouco da nossa experiência de banda com vocês e deixar um convite a todxs para que conheçam o som do Superbrava. Valeu demais o espaço.

Dido: Queria agradecer a oportunidade ao Inside A5 (Felipe e Murilo) que além de produzirem um baita conteúdo, sejam com os shows, com o Blog e principalmente com suas respectivas bandas, ainda dão espaço e voz pra uma pá de gente talentosa e inteligente (não me incluo nessa) expor sua arte, seu som e de alguma forma estarmos mais próximos mesmo estando geograficamente distantes.

Silas: Agradeço Inside A5 pelo espaço e atenção conosco e todxs que tiveram a curiosidade de saber um pouco mais sobre nossa banda. Estamos e queremos nos aproximar de vocês, colem nos shows, vamos conversar!

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