Strong Reaction

Entrevista: O Hardcore reto do Strong ReactionPor: Felipe Fogaça

Destruindo conceitos! O Hardcore reto 80s do Strong Reaction, diretamente de Americana/SP aparece por aqui. Trocamos uma ideia com o vocalista, Guilherme Turco sobre o inicio da banda, referências, política e muito mais, confira.

 

INSIDE A5: Nos conte como foi o início do Strong Reaction. Como surgiu o nome da banda?
Guilherme Turco: Entre 2014/2015 eu tinha 8 dos 10 sons da demo quase prontos, mas o momento chave para banda realmente começar partiu do primeiro baixista, Cioto, que não chegou a gravar a demo, mas foi a primeira pessoa para quem eu mostrei os sons e o ânimo dele realmente serviu de incentivo para tirar ideia da banda do papel e a encontrar o restante da primeira formação, e até mesmo me ajudou no processo de finalização dos sons. Uma rapa já me perguntou se o nome foi tirado do disco do Pegboy, mas não foi o caso, eu nem ouço a banda. Na verdade foi tirado de um verso de Under Pressure, terceira faixa do disco Imaginário Absoluto d’O Inimigo, disco que possui algumas das melhores letras já escritas.

 

INSIDE A5: Quais as principais influências de vocês? Tanto musicalmente quanto artisticamente.
Guilherme Turco: O foco era fazer algo que emulasse diversas bandas de youth crew dos anos 80, principalmente Youth Of Today e Inspire aqui no Brasil no fim dos anos 90. Hoje vejo que, felizmente, fracassei em me ater apenas a isso. Tem riffs inteiros em que me baseei em Minor threat, Bad Brains, Warzone, SSD, Cro-Mags. O que gera um pouco mais de originalidade, características específicas para banda quando comparado a bandas que se adequam mais como um protótipo de outra banda anterior. Esteticamente falando a influência primordial vem também do youth crew, como por exemplo na capa da demo e ambos os logos da banda.

INSIDE A5: Para quem não conhece a banda, sobre o que tratam as músicas? Como tem funcionado o processo de composição?
Guilherme Turco: Na demo eu trazia o som já pronto para o restante da banda. O processo permanece o mesmo, com exceção de duas faixas no próximo disco que foram composta pelo Vitor, nosso guitarrista, onde eu só coloquei a letra em cima. Os temas abordados variam entre recusar conceitos pré-concebidos, imposição religiosa, o poder da ação individual, veganismo, não se intimidar perante um conflito iminente, etc.

 

 

INSIDE A5: O quanto a política está envolvida com a música para vocês? Qual a opinião de vocês sobre esse caos atual brasileiro?
Guilherme Turco: Qualquer expressão criativa está totalmente ligada à política, tendo em vista que até mesmo quando o agente evita abordar o tema, isso também é uma escolha política. Quanto à opinião sobre o estado atual que nos encontramos, não posso falar pelo restante da banda, mas eu assumo que subestimei o quão grave e ridículo a situação poderia se tornar. O poder que as redes sociais e os novos monopólios midiáticos virtuais possuem para moldar nosso comportamento e mudar a maneira com que consumimos e reproduzimos informação, que resultou na migração de uma massa desinteressada para um posicionamento retrógrado. É inegável a influência externa (entenda-se, Estados Unidos) não só nas eleições, privando o maior líder popular que o Brasil já teve de concorrer, como trazer o foco no retorno da agenda neoliberal. Não consigo ver o Bolsonaro como um grande vilão, capaz de arquitetar o que quer que seja. Ele é apenas um palhaço feito pela ocasião. Não me entenda mal, não acho que ele possua algo além de más intenções, mas também não tem maestria para o papel principal que lhe é designado.

 

 

INSIDE A5: O que vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Guilherme Turco:
Livros: Sociedade Do Espetáculo, do Guy Debord, Modernidade Líquida, do Zygmunt Bauman

Documentários: Capitalismo: Uma História De Amor e Fahrenheit 9/11 do Michael Moore, A 13ª Emenda da Ava DuVernay, Bastards Of The Party sobre a relação da formação dos Crips e dos Bloods, com o fim dos Panteras Negras.
Séries: When They See Us, Time: The Kalief Browder Story, Na Rota Do Dinheiro Sujo, Making A Murderer. Todas curtas e disponíveis no Netflix.
Filmes: Pixote: A lei do mais fraco, Anjos Do Sol, Apocalipse Now, Chinatown do Polanski, Spartacus do Kubrick, 12 angry men do Sidney Lumet, A Caça, filme dinamarquês. Princesa Mononoke do Miyazaki e Túmulo Dos Vagalumes, também do studio Ghibli.

Bandas: Gostei do primeiro disco do Wild Side de 2019, e vai sair o novo EP “Sobrevivência” de uma banda BR que eu curto muito chamada Make It Stop.

 

INSIDE A5: Sabemos que tem alguns músicas já no gatilho, o que podemos esperar? Quais são os planos da banda assim que tudo estiver mais seguro?
Guilherme Turco: Como mencionei antes, na demo tentei me limitar a elementos que nos vinculasse a bandas de youth crew. Esse próximo disco conta com influências primitivas e agressivas vindas de bandas como Negative Approach, Cro-Mags, Brotherhood e de diversas gerações de bandas de Boston. Começando com SDD e passando por bandas já do início dos anos 2000 como Stop And Think, Righteous Jams, Mental e Rampage, e bandas do final dos anos 2000/começo da década passada como No Tolerance, The Rival Mob, Boston Strangler. Isso tudo mesclado às influências que já possuíamos. Tenho conseguido abordar as letras de uma maneira menos autocentrada que na demo. O disco já está pronto há bastante tempo, mas houve mudanças na formação no começo do ano e então a pandemia. O plano é lançar o disco, e quando possível voltar a organizar shows na região e tocar no maior número de cidades possível, e se a vida for justa, que a maioria do shows seja com o Make It Stop.

 

INSIDE A5: Obrigado pelo tempo de vocês
Guilherme Turco: Agradeço quem teve interesse em ler algo do que eu tenho para falar e a vocês mais uma vez pelo espaço e pela amizade no decorrer dos anos.

—————————————————-

Links importantes sobre a banda:

Facebook: facebook.com/strongxreaction
Instagram: instagram.com/strongreactioncrew
Spotify: open.spotify.com/album/1a97xTFMqUZ25abaNOVckZ
Bandcamp: https://strongreaction.bandcamp.com/

RESENHA: Be Well fala sobre saúde mental em The Weight And The Cost

Sem dúvida hoje os transtornos mentais são mais debatidos de forma aberta, mas ainda é um tabu. Revelar que você tem um psiquiatra ou sequer faz terapia pode ser um […]

Leia Mais
Foto: Mateus Mondini

Entrevista: Futuro – Os Segredos do Espaço e Tempo

O Futuro começou em 2010, primeiro como uma mudança de nome de outra banda que já existia, o B.U.S.H., mas com a entrada da Mila em 2011 se tornou uma […]

Leia Mais

RESENHA: Make It Stop: Sobrevivência 2020

Quando Nina Simone disse que refletir sobre os tempos é dever de quem se envolve de alguma forma com arte, ela também explica que não temos escolha, já que isso […]

Leia Mais

A volta dos Resíduos Tóxicos

A volta dos Resíduos Tóxico! WebZine criado em 2011 por Fábio e Keyla agora torna-se o mais novo colunista do Inside A5, conheça o trabalho deles agora:   Sobre o […]

Leia Mais

Entrevista: 20 anos de Questions!

A banda foi formada com a intenção de unir a energia e a intensidade do hardcore ao peso e à agressividade do metal. O nome representa um pensamento crítico em […]

Leia Mais

Inside A5 indica 5 vídeoclipes #2 (Sorocaba)

5 videoclipes lançando nos últimos tempos por artistas de Sorocaba que merecem seu view e principalmente seu like! Make It Stop – Transformando a Consciência em Força O clipe é […]

Leia Mais