Rock disorder

Rock Disorder: Nuances na Terra Rasgada

Desde 2002 na ativa, iniciativa do nosso parceiro, Emerson Punk, que segue forte com o Rock Desordêro Sorocabano com diversas produções de eventos, shows, bandas e com o Programa na Mutante Rádio, confira!

 

INSIDE A5: O que é o Rock Disorder? Como e quando surgiu esse projeto?
Emerson Punk: A Rock Disorder Produções nasceu em 2002 e tinha também a palavra Disaster – ROCK DISORDER DISASTER- numa conversa em um encontro de amigos e amigas na casa do Felipe Marinelli (Volpina), jogando bilhar e surgiu pelo descontentamento com a então apatia musical do rock mais acessível (que estava nas rádios, tv) por bandas que adocicaram o punk rock hardcore, não só nas pegadas e principalmente nas letras mais sintonizadas com o sertanejo ruim (pois as “moda de viola” são lindas e eu adoro).
Eu já tinha feito bastante coisa nessa linda vida de fazer eventos para as bandas tocarem, se mostrarem e aquele intuito de fazer um rolê para você mesmo ir e poder juntar o pessoal que curte, muito disso com meus amigos do WRY e antes também, mas depois de passar um ano em Londres, volto em 2002 e eles (WRY) seguem por lá. Voltei cheio de ideias , de formatos que vi por lá, muitos desses seguem forte até hoje na cidade, mas sem meus “partners in crime”. Mas aqui reencontrei, estreitei e se firmou uma amizade que vai além do tempo-espaço com o Fabio Pugna e ele era o motor propulsor das minhas idéias. Era só eu falar algo que ele já estava fazendo o cartaz e me botando pilha, me fazendo pensar quais bandas, data , fazendo os contatos e tava montado o circo! Junto conosco no apoio Brown e Flavia Biggs, Rai Mein, Maritza e mais uma galera que se juntava pesado para nos apoiar.

 

INSIDE A5: O que a cidade da terra rasgada tem de diferente musicalmente de outras cidades do Brasil?
Emerson Punk: O legal aqui de Sorokaos é que temos no DNA o espírito caipira, os desafios de cururu contra a nossa “rival” Piracicaba e o clima de cidade industrial, suas fábricas, seus apitos da “Sorocabana” – estrada férrea (claro que nos dias de hoje são essas e muitas outras nuances) e isso faz com que as pessoas que transmitem arte musical através de seus filtros e pontos de vista o façam de um modo tão cheio de criatividade e diversidade. Em todos os estilos, não estou falando só de rock não, a qualidade das criações sempre é surpreendente.

 

INSIDE A5: Como funciona o programa do Rock Disorder na Mutante Radio? Conte nos sobre esse projeto.
Emerson Punk: O Programa ROCK DISORDER na MUTANTERADIO é um sonho de ter um programa de rádio desde que eu ouvia, em 1988 acho eu o “Independência ou Morte” na 89 fm e que era apresentado pelo Hard e pelo Core – respectivamente Redson do Cólera e Tatola- na época Não Religião, era a coisa mais difícil do mundo conseguir ouvir a 89 aqui em Sorocaba, tinha que colocar palha de aço (pra não fazer propaganda do bombril -ops- rsrsrsrs). Era só banda underground- punk – hardcore – crossover, informações sobre shows, manifestações , teve até uma entrevista com o Jello Biafra. Eu ficava esperando começar e fazer sintonizar e sempre com a fita k7 preparada para poder gravar . Rolava de terça feira, se não me engano, 23h. Isso eu sempre tive vontade de ter, até que um dia Ricardo Drago (Kako), outro grande irmão de um monte de shows, eventos, caipira que nem nóis, de Limeira- Americana (terra do Milionário & José Rico) me fala que havia montado uma rádio e me convida pra ter um programa. O nome eu já tinha, fazia muito tempo que não “usava” Rock Disorder , queria que fosse , de repente uma loja, uma marca e de repente veio o Programa de rádio e com ele uma nova força para fazer alguns eventos, pois desde a partida do irmão Fábio não tive mais nenhum “motor propulsor” para me” jogar na ladeira” e fazer as idéias se concretizarem. Esse novo motor é o Kako, que mantém o programa no ar e que, desde o primeiro episódio, de segunda a sexta , 5 da tarde em www.mutanteradio.com , jamais deixou de rolar. Teve um dia de apagão na cidade e eu não consegui fazer pois eu fazia todos os dias, gravações como consigo fazer, áudio de telefone, mandar os mp3s, roteiro com as sequências e pronto, e nesse dia eu não tinha como fazer, pois o KAKO convocou as e os mutantes e fizeram o programa , com suas vozes e escolhas musicais e eu fiquei sabendo só depois que voltou a energia. E por acaso, e claro que não, pois não existe acaso, hoje 07/02/2020 , o dia que peguei para responder a entrevista ( aqui peço desculpas publicamente ao Felipe e Inside A5 pela demora mas que tudo tem o seu tempo certo) é o MILÉSIMO Programa !!!! O Programa e a Rádio é a casa de todos nós. todos vocês que estão lendo, que fazem acontecer!!! Podem chegar e falar comigo quando quiserem dominar e fazer o programa todo!!!

 

INSIDE A5: Quais as mudanças positivas e negativas que vocês enxergam em Sorocaba da época que começaram a produzir para os dias atuais?
Emerson Punk: Só positivas!!! Muita gente boa fazendo com qualidade, profissionalismo e muita criatividade. Nós faziamos do nosso jeitão, hoje as pessoas que estão nos eventos vem com bagagem profissional, faculdade e colocam em prática o que aprendem, no que amam. O resultado é ótimo!! Fico feliz demais vendo tudo acontecendo!

 

INSIDE A5: Todo evento é especial sempre, mas quais eventos podem destacar que marcaram por algum motivo específico?
Emerson Punk: Dos eventos da Rock Disorder Produções vou tentar lembrar , pois não sou de guardar coisas, cartazes, fotos, deveria sim ter alguém pra ter documentado tudo, mas sempre preferimos deixar na mente e coração, vez ou outra alguém tem um flyer, um cartaz dai vou me lembrando. Bem, as duas edições do ROCK DISORDER FESTIVAL! Não me lembro os anos, mas foi a celebração da cena que rolava na época. X4, MAGUERBES, BIGGS, PUGNA, AÇÃO DIRETA, DEVOTOS , VOLPINA, os nomes, WARTHOG, DROPY, SEELE, THE FORTUNETELLERS, INSTINTO, RRANCATOCO, BELA ABSTRATA, BACKSEAT DRIVERS, NORMAN BATES (enquanto escrevia perguntei pro Brown Biggs, ele tem um print dos cartazes). O segundo teve dois dias numa chácara: DEALERS, THE GLEN, DIABILLYS, VILANIA, FAST FOOD BRAZIL, VINCEBUZ (SP), THE NAME, ROCK BOOTS, BASS N’ TROUBLE (SP), BIGGS, IL DIABOLO (ARG), INI, MONAURAL (SP), TRUQUE (PR), THE RESERVOIR DOGS, EL CABONG, VOLPINA, INVENTIVA, PUGNA, DEL FUEGO (ARG), entre outros tantos um show do CÓLERA que fizemos no Underground Bar (bar dos amigos) foi antológico e cheio de significados.

 

INSIDE A5: O quanto o cenário político tem interferido na cena independente? Acreditam em alguma solução diante desse caos?
Emerson Punk: O cenário político de todas as épocas interfere sempre de uma maneira bem significante na cena independente do mundo. É o que nos move a seguir em frente, nos reinventar, fazer novas conexões, se permitir enxergar os erros e planejar as ações que possam ser inclusivas e despertar o interesse das pessoas em participar desse processo tão verdadeiro de luta pela existência digna da humanidade através da arte .
Se não fosse a parcela humana que luta, que se esclarece, que ajuda a esclarecer, que se põe a fazer, e que faz mesmo por quem está cego e lutando contra sua própria sobrevivência, defendendo com unhas e dentes os mesmos que estão o/a oprimindo, o planeta gentil Terra já teria se acabado em destruição. A solução é buscar esse amor “por toda humanidade, por todas as vidas em geral” e entender que entrar em conflitos com quem ainda está dominado pelo ódio, só vai gerar mais dificuldade para que se esclareçam.

 

INSIDE A5: O que acham da cena atual Sorocabana de bandas, artes e produções de eventos? Tem influência daquela velha escola Sorocabana?
Emerson Punk: A cena atual é muita rica e diversificada aqui na cidade, em todos os estilos grandes artistas, produções de eventos, de álbuns, enfim, de toda a arte! Vejo uma grande aproximação das pessoas que se sintonizam pelos gostos, pelo caminho artístico preferido, festivais, feiras, mostras, workshops, manifestações culturais e pelas liberdades e direitos. Acho que a influência da “velha escola” é na verdade o mesmo sentimento de liberdade de expressão intrínseco ao ser humano e que, por exemplo que temos de lutas e realizações feitas antes, as pessoas se sentem ainda mais fortes para realizar as suas e para falar sobre a sua geração.

 

INSIDE A5: O que podemos esperar pro futuro do Rock Disorder?
Emerson Punk: Não sei exatamente sobre futuro, quando passamos uns anos a mais no planeta algumas perspectivas mudam. Amo ver um show acontecendo, algo que fiquei lá pensando, organizando e fazendo rolar, mas temos a sobrevivência diária que todas nós bem sabemos, o programa sempre vai ter, mesmo que eu não consiga mais fazê-lo todos os dias, ele tem de segunda a sexta, os shows adoraria fazer, os farei quando tiver uma oportunidade ou quando me mover para a oportunidade se fazer, sei que é assim ou quem sabe, um motor propulsor que me jogue na ladeira das realizações, ladeira essa que não tem conotação negativa e sim algo motivador e seguro para poder realizar as produções rockêras desôrderas!

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Emerson Punk: Muito feliz em ver tanta gente fazendo acontecer, sinto meus objetivos e paixões representados em cada show, festival, casa de show, cartaz , novas bandas, novas músicas e todo esse universo que é feito e protagonizado pelas pessoas amadas e queridas que fazem acontecer!!! Seus e suas ROCKÊRO/A DESORDÊRO/A!!! NUNCA PAREM !!!!!
E muito obrigado a galera INSIDE A5 da qual me orgulho sempre! Que honra poder contar um pouco sobre a nossa trajetória nesse canal que tanto tem contribuido e mostrado a importância de todos todas sermos um!! Abraço fraterno!!

 

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