Inside A5 entrevista Profusão

Idealizado no final de 2017, Profusão surgiu com a proposta de organizar eventos para artistas independentes de várias vertentes e gêneros musicais, sendo realizado mensalmente e em espaços culturais de Sorocaba e região. O projeto oferece uma vivência cultural descomprometida com rótulos ou estilos.

 

INSIDE A5: O que é o Profusão? Onde vocês desejam chegar com esse projeto?
Lucas Oliveira: O Profusão no momento atua mais como uma produtora de eventos/shows na questão de organização, produção e promoção (materiais gráficos e identidade) e meio que flertamos com audiovisual de forma simples, fazendo algumas lives e coberturas de evento. E sempre contando com a ajuda de casas de shows e estúdios de Sorocaba que são os nossos principais parceiros e somos muito gratos (Asteroid, Solana, Deaf Haus e a Pupa). O projeto tem apenas 02 anos de idade e aos poucos vamos entendendo um pouco melhor sobre o mercado da música e aprendendo com nossos erros e observando as produções que rolam no país. No começo meio que não sabíamos exatamente o que estávamos fazendo e aos poucos tomamos ciência da tamanha importância do projeto e aos poucos o que era meio abstrato para nós, começou a tomar forma.

No momento a prioridade é criar uma identidade fixa para o Profusão e assim começar produzir eventos em outras cidades e quem sabe produzir algumas bandas no quesito booking e gerenciamento da parte de comunicação e conteúdo. Estamos para aumentar a equipe, fizemos alguns convites para um pessoal que admiramos e espero que role. Atualmente, somente eu e o Paulo Gaspar na organização. Mas queremos abranger o foco para as outras vertentes no evento, em 2020 vai ter muita novidade.

Umas das coisas que eu tenho me questionado ultimamente, é qual o objetivo nisso? Da produção de eventos/shows em si e o futuro disso. E vejo que o que fazemos atualmente pode se tornar vago e até em vão, em alguns sentidos, pq realizamos eventos para as mesmas pessoas de sempre e isso não é legal. Precisamos atingir públicos diferentes, principalmente para as classes mais pobres e pessoas fora da nossa bolha artística, a qual por maioria pensam que cultura é coisa para Burguês safado (as vezes é, tenho essa sensação quando piso em alguns lugares culturais de Sorocaba, a própria estrutura amedronta).

Precisamos atingir a periferia e criar projetos para aproximar as pessoas da música seja ela um rock triste ou Funk de mensagem. Atualmente atuamos com os eventos mais próximo ao centro de Sorocaba e é uma área muito nobre. Mas falando assim parece fácil, e na real é muito trampo e dedicação, e ainda enfrentar uns diplomatas safados de plantão. Espero conhecer mais pessoas a qual tenham esse desejo e assim começar a estruturar algo. A chama já temos (risos).

 


INSIDE A5: Como alcançar jovens/crianças atualmente? Em tempos onde parece que todos estão mais nas redes do que nos eventos.

Lucas Oliveira: Em relação a crianças, eu confesso que não faço ideia e não tenho muita experiência. algo a se pensar. A tecnologia tem nos distanciado muito e isso é perigoso em certos pontos. Agora temos voz, mas não sabemos bem o que comunicar nessa onda de informações e sem falar nas bolhas sociais que isso criou, vivemos com a visão turva com o que é somente interessante dentro do nosso catálogo pessoal de algoritmos, e isso é um problema grande. Mas por outro lado é super positivo, exemplo: Hoje eu posso mandar uma mensagem fácil para qualquer produtora do país e até mesmo de fora e dialogar para ter noção de culturas e ideias de organizações diferentes do que temos aqui, direto eu troco ideia com produtores de outros estados só para saber como rola lá na cidade deles, a informação está bem mais acessível e fácil e essa troca é importante.

Já a galera Jovem/adulto também está difícil de se comunicar e atrair, cada vez mais querendo ficar em casa e economizar, o que de certa forma é compreensível. Mas nessa questão, eu aprendi algo recentemente com o nosso querido amigo Tiago Oliveira, o público não tem culpa do rolê estar vazio, isso é uma responsabilidade de quem produz tornar o seu evento/festa/show atrativo em diversos sentidos, se o rolê está vazio a culpa é do produtor/organização, pois temos que prever as situações e possíveis problemas que possa ocorrer durante o processo e existem ferramentas (tecnologias) que pode ajudar a organizar melhor. É necessário inovar de tempo em tempo, ainda mais nessa era da super mega velocidade, onde as coisas perdem a relevância fácil.

Uma saída também é ocupar praças e realizar eventos gratuitos, uma galera que admiro muito e que faz isso muito bem é o Coletivo Extensão e a banda Mar de Lobos.

Momento coach: Enfim, tendo um bom planejamento de mídia e estratégia, é possível criar um público e alimentar com conteúdos interessantes/relevantes. Mas isso requer pesquisa, tempo, qualidade e um pouco de grana. E no momento estamos pesquisando para isso.

 


INSIDE A5: Que livro|filme|série |podcast que vocês indicam? Que possa ter ajudado vocês de alguma forma.

Lucas Oliveira: Cara, eu sou um péssimo leitor. Entretanto eu acompanho muito blogs e empresas que criam conteúdo para música e uma delas que super recomendo a acompanhar é Buzz Music Content que é do Eduardo Panozzo (ex-Catavento) ele tem um canal e de certa forma um podcast a qual tem entrevistas com produtoras, selos e bandas, as minhas favoritas são com a Fabiana Batistela (SIM Festival) e Katia Abreu (Dia da música). Tem alguns podcasts também como: Escuta que é bom, vamos falar sobre música, Tenho mais discos que amigos e horário nobre. Esses materiais ajudam a manter atualizado e dão algumas ideias massa.

Agora de canais de música eu curto acompanhar a Audiotree, Colors, KEXP, La Blogothèque, Lavanderia Estúdio, Bananas Music Branding, Music Thunder Vision, ONErpm, Couple of Things (BR são muito bons) e alguns mais ai a qual não lembro agora.

Canal a qual indiquei: Buzz Music Content.


INSIDE A5: A produção de vídeos é uma marca de vocês, da onde vem inspiração para esse tipo de trabalho?
Lucas Oliveira: Surgiu como uma ferramenta para ajudar algumas bandas que não tinha material ao vivo e também para ajudar nos custos, porque o cachê das bandas por maioria não é grande, ainda mais as independentes regionais. Nunca cobramos de nenhuma banda as lives, sempre fizemos por uma certa paixão e como uma forma de registrar os eventos que acontecesse aqui, pois dá um trampo danado produzir. E assim começamos a se interessar pelo audiovisual. Ainda somos muito amadores, mas a cada edição aprendemos um pouco mais. O Fred Guerrero (fotógrafo de Sorocaba) sempre pega no nosso pé, porque cometemos alguns erros grotescos, como por exemplo: esquecer baterias e carregador (risos).

A inspiração vem de muitas lives que acompanhamos (algumas citadas acima na questão anterior), gosto muito do trabalho do Rafa Souza de Campinas (Lavanderia Estúdio). Sempre inovando.

E trabalhamos muito com vocês da Inside A5, tem sido bem legal cobrir os shows, pois a cena do Hardcore é muito viva e o público simplesmente sensacional, tenho grande prazer de filmar os eventos e ao mesmo tempo aprendemos muito. E tivemos a oportunidade de cobrir 2x o Locomotiva Festival de Piracicaba (2018 e 2019), foi uma experiência muito foda e aprendemos muito observando alguns profissionais que estavam no festival fazendo a cobertura também. O nosso material de 2019 está prestes a sair.

 

INSIDE A5: Qual o posicionamento de vocês a respeito do estado político atual brasileiro?
Lucas Oliveira: Somos totalmente contra o governo atual, acredito que estamos regredindo cada vez mais com esse fascista no comando. Cada dia é um novo medo a se superar, mas vejo que os artistas e profissionais da área tem se posicionado de uma forma muito admirável, não baixando a bola e batendo de frente de todas as formas possíveis. Esse cara vem destruindo muita coisa e mais do que nunca precisamos estar unidos. Estamos flertando forte com uma possível ditadura, a forma de gestão deste governo não respeita a cultura, meio ambiente, educação e muito menos o trabalhador brasileiro.

 


INSIDE A5: O que opinam sobre a produção de eventos independentes em Sorocaba e no Brasil?

Lucas Oliveira: Certo, podemos começar pelo Brasil, pela minha breve experiência conheço alguns coletivos e selos espalhados por ai e o cenário não muda muito na questão de produção, todos sofrem com a questão financeira para suprir a demanda dos shows/eventos sem sair no prejuízo (o que já é uma vitória) até mesmo na capital (SP). Pelo que tenho sentido, 2019 não vem sendo uma ano muito bom, está cada vez mais difícil produzir e engajar novos públicos. Esse ano fizemos nosso primeiro evento em SP no estúdio Fiaca e também em Piracicaba. Levamos a Taco de Golfe (SE), Odradek e Yamasasi (ambos de Piracicaba) e os eventos foram muito bons e até acima do esperado, porém sabemos que não é sempre assim. Acho que tem que ter muita coragem e paixão para produzir hoje em dia. E com certeza estudo e planejamento e entender que vai demorar muito tempo para as coisas começarem a girar de uma forma financeira.

Ano passado vi uma palestra do Fabrício Nobre (Festival Bananada) e ele contou que o festival demorou cerca de 10 anos para começar a ter um lucro, então imagine a batalha de tudo isso, você tem que ter muita convicção e amor para entrar nessa. Mas no Brasil tem rolado muitos festivais e vem crescendo muito selos e produtoras. O mercado fonográfico é um dos mais lucrativos do Brasil e esse ano ultrapassou a média mundial (no consumo de streaming como Deezer, Youtube e Spotify). A própria Lei Rouanet gera muito lucro para o país, recentemente eu ouvi um podcast a qual entrevista a Dani Ribas da SIM Festival e ela tem os números dessa crescente na ponta da linguá, achei super interessante, vou deixar o link aqui pra vocês ouvirem e decorar os dados para jogar na cara de quem diz que a música não é rentável ou é coisa de vagabundo (risos)

Entrevista com Dani RIbas:

Em Sorocaba, estamos muito bem, temos diversas produtoras e “agentes” promovendo eventos e até mesmo festivais excelentes (Circadélica, espero que logo volte), acho que é a cidade mais ativa e persistente do interior de SP. Temos aqui produtoras como a Inside A5, Funâmbula, Impulso, Extensão, Beco do Inferno e Lobotomia. Todos com um trabalho excelente e focados na promoção e produção de eventos culturais da região. Mas ainda acho que falta um certo diálogo entre as produtoras de Sorocaba para se ajudarem mais, ano passado perdemos 2 festivais e o festival que rolou pela minha ótica não foi muito bem, alguns shows relevantes foram meio vazios. É necessário diálogo e uma certa união, mas rola um grande egocentrismo por parte de alguns produtores, um certo sentimento de posse e medo de perder espaço, espero de verdade que isso mude em breve, ou se não, vamos começar a regredir demais e estaremos fazendo um favor para o cenário político atual, principalmente da cidade.

Agora indo mais para o lado do Profusão, esse ano focamos mais em eventos mesmo, conseguimos trazer algumas bandas a qual admiramos muito como: Dingo Bells, Lau e Eu, Giovani Cidreira, Taco de Golfe, Pessoas estranhas, Alice Guél, Yamasasi, Stupid, Odradek e recentemente Menores Atos. E também trabalhamos com alguns artistas de Sorocaba/região sendo a Mundo Inverso, Wesley Aprille, Strawberry Licor, Marcus Alves, Yamasasi, Marina e os Dias e Wolf Among Us. Eu particularmente estou muito contente com as nossas produções deste ano, pois acredito que conseguimos variar bem os estilos/gêneros musicais e não focamos no que já rola muito aqui, sempre buscamos trazer coisas novas. Fizemos também um showcase em parceria com o Locomotiva festival na Deaf Haus a qual foi bem massa. E vai rolar mais algumas surpresas até o final deste 2019, tem muitos eventos pela frente até dezembro/2019.

 

INSIDE A5: O que podemos esperar pro futuro do Profusão?
Lucas Oliveira: Vamos ter campeonato de truco, bilhar, banco imobiliário, pipoca, piscina de bolinha, etc (risos). Agora falando sério, estamos reunindo uma turminha ai para a nova temporada de Malhação 2020, e traremos algumas novidades nos eventos e principalmente em conteúdo para Sorocaba. Em janeiro/2020 já vamos lançar uma nova identidade e junto disso apresentar as nossas novas propostas e pilares para a produção de eventos. Não vamos focar somente em artistas da música, mas em outras vertentes também. Estamos bem ansiosos o/

 

INSIDE A5: Considerações finais
Lucas Oliveira: Gostaria de realizar aquele momento saudosista e mandar um salve para todos aqueles que ajudam a gente a realizar esse projeto e o público que cola nos eventos (não somente no nosso) e sem os estúdios e profissionais da área nada disso seria possível, queria citar uns em específico: Marcio Bertasso (Complexo Mofo), Mario (E toda a equipe do Asteroid), André Pinho (Solana), a gangue da Deaf Haus, Marcel Marques que sempre salva nas captações de áudio e mixagem, Fred Guerrero e Paulo Avance que são os fotógrafos mais fofos dessa cidade. E todos os expositores e artistas que apoiam e ajudam a gente nos eventos.

Obrigado Inside A5 pelo espaço para deixar registrados minhas ideias estranhas <3

 

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