Jake The Dog Hardcore

Compreendendo: Jake The Dog

Hoje estamos batendo um papo com um pessoal que tive a honra de ver o primeiro show, lá ainda no fim de 2015 no famigerado Bar do Léo, reduto Underground Tatuiano, a primeira coisa que me chamou atenção foi o nome, até por que só sendo muito louco como eles, para ter um nome de um cachorro loucasso dos desenhos atuais, haha. Confiram aqui em baixo a galera da Jake The Dog!

 

Inside A5: Por quê vocês se chamam Jake The Dog?
Gleison: O nome surgiu devido a identificação do grupo com um dos personagens do desenho Adventure time, uma vez que todos da banda sempre piraram nas formas psicodélicas e abstratas da animação.
Nay: Surgiu porque na época a gente tava pilhadão no desenho e procurando um nome pra banda veio a calhar na época, lembro que no início do show sempre rolava a intro de hora de aventura numa pegada hardcore, era louco!
Ferrugem: Hahaha, imagina várias mentes perturbadas por assistir hora de aventura! Realmente tem haver com o desenho, mas o engraçado é encontrar um sentido no cachorro, e na minha visão é que o Jake é uma espécie de conselheiro, aquele que passa uma visão, mesmo sujeito á cagadas, mas com boas intenções.
Vini: O nome vem do desenho Adventure Time,que na época estávamos vendo muito, e foi o nome que mais nos identificamos quando fomos escolher

 

Inside A5: Como se deu a ideia de formar a banda? A primeira formação era composta por três cidades diferentes né, como rolou essa união, como foi a passagem do tempo, com troca de formações?
Gleison: A banda surgiu como um projeto para um seminário do curso de História da Universidade de Sorocaba, onde a temática era realizar uma apresentação sobre o punk rock brasileiro no período da Regime Civil Militar. No começo a banda era formada por mim no baixo, Rodrigo Ferrugem na guitarra e Igor Costi na bateria, sendo cada um de uma cidade do interior paulista, ou seja, as cidades de Tatui, Sorocaba e Iperó. Com o passar do tempo e uma estruturação da banda, o Vinicius assumiu a bateria com a saída de Igor, e a Nayara passou a integrar o grupo na posição guitarrista.
No ano de 2015, nosso amigo Tom Diniz passou a fazer parte da banda, acrescentando ao nosso som uma segunda guitarra durante o período de um ano, onde devido a alguns problemas internos da época tanto ele quanto a Nayara, vieram a sair da banda entre os anos de 2015 e 2016. Foi em meados de 2016 que o Guilherme Mota vulgo Morto foi convidado a entrar na banda, ocupando o lugar vago de guitarrista, integrando dessa maneira o quarteto de malucos. Após algumas apresentações no interior paulista, entramos numa hiato até o meio de ano de 2018, onde com a saída do Guilherme a Nayara voltou a integrar nossa banda.
Se recuperar dos golpes que a vida nos dá e criar resiliência sempre foi uma das capacidades que mais admiro no ser humano, e mesmo com as dificuldades, nós continuamos a caminhar.
Nay: Eu já conhecia o Glei por ele namorar uma amiga minha, um dia ele me trombou na e falou q tava afim de montar uma banda que tinha ideias e uns amigos que também estavam afim, eu tava parada fazia um tempo e topei na hora. Ele me deu um salve depois e logo conheci o Ferrugem (Rodrigo) e o Vinicius em um ensaio se a minha memória ruim me permite dizer.
Ferrugem: Gleison e eu nos conhecemos no curso de História, e pela amizade rolou o lance de formar uma banda, o Vine começou a dar rolê com a turma da faculdade e logo chamamos ele, e nas idas e vindas à Iperó a Nay apareceu para nos salvar, acredito que isso foi no início de 2014, está foi a primeira e atual formação. A questão da distância sempre me incomodou, mas nunca desanimamos, sempre revezamos os ensaios entre as cidades. Por meados de 2015 a Nay decidiu sair da banda por questões pessoais, porém já estávamos com o Tom como segunda guita, então continuamos com as atividades, mas logo o Tom resolveu sair também e chamamos o Morto (Guilherme), que já colava nos roles e trocava uma ideia com a gente, isso por volta de junho/julho 2016. Acredito que início de 2017 o Morto já não estava mais na banda, entramos num hiato, retornando aos ensaios em julho de 2019 Vine, Gleison e eu, e mais uma vez para nos salvar, em agosto de 2019 a Nay retorna para completar esse quarteto insistente hahaha.
Vini: Aquela vontade de tocar com banda sempre esteve presente na minha vida, quando fiz uma jam com o Gleison,no mesmo dia ja comentamos sobre tocar juntos e viajar,esse começo foi muito importante para todos,pois aprendemos muito,como banda.

Jake The Dog Hardcore

Inside A5: Quais são as idéias das composições? Sobre o que falam? Quais as razões pelas quais escrevem?
Gleison: Nossas musicas, procuram na sua grande maioria, realizar críticas ao sistema educacional vigente no pais, e principalmente através da ironia e humor ácido apontar os pontos cegos da sociedade capitalista e de quem mantem em pé o status quo. O que nos motiva a escrever e compor, é uma constante insatisfação com o modo de produção no qual estamos inseridos, e o desejo de despertar uma consciência mais critica e uma pratica social mais ativa por parte da população.
Nay: Eu não posso falar muito dessa parte de composição que ainda to em processo pra conseguir expressar tudo escrevendo, os meninos conseguem dizer melhor. Mas nossos sons são em torno de jogar a real, fazer críticas sobre a sociedade, prezar sobre a liberdade de ser e etc
Ferrugem: Bom, vou falar pela banda, mas cada vai dar sua resposta. Vejo que temos nossas influências de bandas e visões de mundo, onde na maior parte das vezes fazem críticas ao moldes de sociedade que vivemos, isso nos leva a crer que compor uma banda, se debruçar sobre uma letra onde possa transmitir o que acreditamos que deve ser problematizado. A ideia é tocar na ferida, mesmo com um estilo agressivo e incompreensível no primeiro momento, queremos levar as pessoas que nos ouvem a uma reflexão sobre o determinado assunto, assuntos esses que vão desde problemas no âmbito educacional, cerceamento social, processo urbano opressor e sentimentos feridos.
Vini: O cotidiano confuso e injustiças sociais sempre estiveram presente nas letras,é importante usar a música para passar uma mensagem de protesto contra o atual governo.

 

Inside A5: A banda tem dois professores né? Como isso influencia no som de vocês, no modo de se expressar?
Gleison: Nós sempre procuramos abordar em nossas letras, alguns conceitos tanto da História, Psicanalise e Filosofia, no intento de tornar mais acessível e fazer a ponte entre o discurso acadêmico e o povo propriamente dito. Além disso, acredito que o fato de sermos professores da rede publica de ensino, acaba influenciando diretamente na temática de nossas composições, uma vez que assim como nosso s alunos, nos também sentimos na pele, as consequências do descaso e o sucateamento do ensino público no Brasil.
Ferrugem: É uma questão interessante, porque estando diariamente com a juventude é uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo que busco entender e refletir sobre os conflitos que presencio, na maior parte das vezes eu sou o causador dos conflitos, vestindo a carapaça do opressor, buscando manter uma “ordem”, coisa da qual abro mão muitas vezes também, mas quem já pisou em uma escola pública vai me entender o quanto é complexo. E nessa complexidade toda deu fruto a quatro sons.

Inside A5: A primeira música de vocês foi a já clássica “Charlinho”, é um misto de humor com a critica sobre a educação, que foi até compartilhada pela galera do Hermes e Renato né? Como foi isso? De quem foi a ideia de escrever?
Gleison: A Música “Charlinho quer estudar”, foi escrita por mim em uma tarde qualquer de junho no ano de 2014, onde após assistir o episódio do “Brasil Mulambo”, esquete do grupo Hermes e Renato onde nos é apresentado o personagem Charlinho, decidi escrever uma música sobre a dificuldade de acesso a educação que muitos jovens brasileiros enfrentam, no seu processo de aprendizagem. Ver a musica ser compartilhada pelo Felipe Fagundes ,ator que interpreta o Charlinho, no deixou muito felizes , eufóricos e sonhando em quem sabe um dia realizar o clipe da música com a participação dele.
Nay: Pra mim na real foi quando a gente fez o show de retorno da Jake na formação inicial em Tatuí, fiquei um tempão sem tocar e quando o Glei me chamou novamente p banda e fizemos o show, eu realmente só pensei que era p isso que to aqui, foi foda demais, amo vocês pessoal!

 

Inside A5: Vocês tem algum show marcante? Um que vocês subiram no palco e pensaram: “Caralho, é por isso que tô aqui?”
Gleison: Todo show deixa a sua impressão e nos marca de alguma maneira, assim como os shows ao lado da Simon Chainsaw (Austrália ), Revivir (Chile) e Anti- Banda (Uruguai), mas penso que o dia em que tocamos ao lado da banda Cólera deixou uma marca profunda, que iremos sempre lembrar com muito carinho. Afinal, não é todo dia que se toca junto com uma das banda mais influentes no cenário punk mundial.
Nay: Pra mim na real foi quando a gente fez o show de retorno da Jake na formação inicial em Tatuí, fiquei um tempão sem tocar e quando o Glei me chamou novamente p banda e fizemos o show, eu realmente só pensei que era p isso que to aqui, foi foda demais, amo vocês pessoal!
Ferrugem: Sei que tocar com bandas de longa estrada é algo marcante, assim foi quando abrimos para o Cólera em Sorocaba, mas eu vivi um êxtase justamente na nossa primeira apresentação em Tatuí, foi um misto de sentimentos que marcaram a minha vida hahahaha.
Vini: Na abertura no Cólera no sound,lembro que tinha muita gente,realmente fiquei em choque,tocar com bandas que admiro desde criança, importância do Cólera para a música e para uma questão social e ambiental sempre me fizeram pensar e repensar nas coisas de um maneira diferente, ser sincero e lutar por um mundo melhor, são coisas que aprendi com eles.

 

Inside A5: Recentemente vocês entraram em estúdio para novas gravações, o que vem por ai? Como foi esse novo processo com a formação que iniciou a banda?
Gleison: Recentemente entramos em estúdio e lançamos algumas demos do que esta por vir, onde realizar esse processo com a formação idealizada por nós, é como a realização de um sonho que vem sendo acalentado por nos desde o ano de 2014.
Nay: As gravações da demo foram um sucesso, inclusive já lançamos uns sons la no nosso IG. E seguimos como novos planos, já temos ideias para sons futuros também!
Ferrugem: Bom temos muitos sons que já apresentamos em shows, porém ainda não foram gravados, é provável que logo esses sons cheguem aí para serem melhor apreciados. Agora temos um enorme desejo de dar uma nova configuração a banda, muitas ideias, porém ainda não sentamos para definir o que da para fazer de diferente, o lance é se reinventar, acredito nessa proposta.
Vini: Estar com a banda em estúdio é algo que não tem preço,as músicas não tinham sido gravadas antes com essa formação,foi um sentimento muito bom e as musicas saíram do jeito que nós queríamos.

Jake The Dog Hardcore

Inside A5: Quais são os próximos passos da Jake? O que pretendem para esse ano pandêmico que vivemos?
Gleison: Atualmente estamos trabalhando na produção de nosso merch, em conjunto com a produção de nosso primeiro ep. Logo, teremos mais novidades para o pessoal em nossas plataformas digitais.
Nay: Estamos com ideias de gravar um cd, vamos fazer uns adesivos e camisetas da banda também. Vamos ter que nos adaptar nesse período difícil que estamos vivendo, vamos ver o que conseguimos produzir um longe do outro, é um pouco esquisito não ter o contato olho no olho, mas vamos conseguir nos adaptar com certeza!
Ferrugem: Temos que gravar uns sons ai, lançar um CD no mínimo. Mesmo na pandemia da para ser feito muita coisa, mas realmente, eu estou perdido hahaha.
Vini: Hahaha espero que isso passe logo, não vejo a hora de fazer uma tour com o pessoal, com certeza quando as coisas voltarem ao normal vamos voltar com tudo, estamos trabalhando no merch ultimamente e podem esperar coisa nova por ai!!

 

 

Inside A5: Deixa aqui uma mensagem, uma ideia, um discurso anarquista!
Gleison: Vivemos em tempos de necropolitica, onde o individualismo de massa, o fascismo e narcisismo exacerbado, cada vez mais moldam e instrumentalizam a subjetividade dos seres humanos na modernidade. São tempos onde é preciso lutar por valores de uma sociedade mais justa e igualitária, sem esmorecer de nosso sonho em busca por liberdade e autonomia. Que possamos ter força e resiliência para aguentar estes tempos sombrios.
Nay: Primeiramente gratidão pelo espaço, muito legal poder contar mais sobre a banda pra geral. Queria deixar um recado pras minas: bora fazer essa cena levantar pro universo feminino, se vocês tem vontade de cantar, tocar, dançar, desenhar e entre outras coisas, não deixem as opiniões de fora afetar e matar esse sonho de vocês, temos a liberdade de poder ser o que quiser! E aproveitando o espaço FORA BOLSONARO!
Ferrugem: Salve galera, fico feliz pela entrevista, fico feliz por fazer parte dessa banda, maior felicidade é poder ser quem realmente somos, ou buscarmos isso, nada mais valioso do que a nossa liberdade, essa da qual não tem preço. Liberdade é poder viver em harmonia com toda forma de vida, mas não tolerar os intolerantes. Rasteira nos fascistas!

 

Jake The Dog nas redes!

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Entrevista por: Ricardo Huss