Institution: Ruptura do Visível

Seja na atitude ou na sonoridade, no Institution o hardcore e o metal sempre caminharam lado a lado. A banda foi formada no final de 2013 e um ano depois lançou o EP “Uncritical Receiver” em vinil 7″. O álbum de estreia “Desolation Times” veio em 2015 abrindo novas portas para o Institution. Em 2017, o grupo lançou o EP digital “Fragmentos Subversivos” com duas músicas cantadas em português. A mudança na língua foi decisiva e abre novos caminhos em seu segundo álbum, “Ruptura do Visível”, lançado no primeiro semestre de 2020.

 

INSIDE A5: Vocês lançaram recentemente o “Ruptura do Visível”, como foi o processo de composição e gravação? Sobre o que trata os temas?
Hélio: O processo de composição foi o mais árduo de todos os trabalhos da banda. Passamos um ano em estúdio compondo o “Ruptura do Visível” e demais mais meio ano em estúdio gravando-o. Levamos todo esse tempo porque quisemos explorar mais a nossa música, experimentar elementos novos. Foi um processo muito natural, mas também cansativo. Estamos muito satisfeitos com o resultado final e acreditamos que este é o nosso melhor trabalho até o momento.

 

INSIDE A5: O que significa “Ruptura do Visível”? Porque a banda optou por cantar em português?
Hélio: A escolha do título visa contextualizar a ideia do desenvolvimento de uma consciência crítica. É por meio desse desenvolvimento que somos capazes de compreender os problemas vigentes à nossa volta. Quanto mais compreendo o mundo, mais ele se torna visível a mim, logo, fica mais fácil e prático buscar os meios mais adequados para romper com os problemas sociais vigentes quando temos uma compreensão de como eles funcionam e de onde se originam. A mudança para o português foi um processo natural, já era algo que queríamos experimentar e depois que lançamos o EP “Fragmentos Subversivos” decidimos de vez ficar no português. É a nossa língua e uma vez que as nossas letras possuem contextos sociopolíticos o português é a escolha mais assertiva.

 

Foto por: PH Fotos
Foto por: PH Fotos

INSIDE A5: Pós-pandemia quais impactos vocês acreditam possam causar na música independente? Quando as coisas se normalizarem e voltarem a ser seguras.
Hélio: É muito difícil dizer os impactos reais que a pandemia vai deixar, mas já sabemos ao menos que muita gente que trabalha com música não estará mais presente depois, ou seja, terão mudado para outras áreas. Isso porque um dos setores mais impactados com a quarentena é o nosso. A subsistência de muita gente que toca ou que trabalha com outros músicos está sendo diretamente afetada. Acredito que alguns lugares estarão fechados, pessoas deixarão de organizar shows e talvez até bandas deixem de existir, isso porque a quarentena mostrou o quão frágil e difícil é viver ou trabalhar com música no Brasil.

 

INSIDE A5: O momento atual político do Brasil é catastrófico, de que forma isso impacta no cenário independente? Como o punk/hardcore pode ajudar de alguma forma nesse atual contexto que vivemos?
Hélio: O impacto do cenário político atual vai muito além do cenário independente. É deplorável o caminho que o país tomou, mas confesso não estar surpreso uma vez que o presidente durante as eleições já fomentava preconceito, ódio e uma completa incapacidade de governar o Brasil. O punk e o hardcore nasceram como movimentos de resposta aos problemas sociais existentes e tendem a se fortalecer em períodos de crise política. A quarentena dificulta as coisas, mas tenho visto as bandas e pessoas mais unidas, movimentos que visam ajudar os menos favorecidos etc. Por ora, acho que o maior impacto é o crescimento de uma consciência crítica a respeito de tudo o que está acontecendo.

 

INSIDE A5: Gostaria que vocês indicassem filmes | podcasts | livros | séries que você recomendam para quem está lendo essa entrevista.
Hélio: Bem, aqui vai uma lista muito pessoal e espero que gostem. Filmes: Incêndios, Sétimo Selo, O Homem Elefante. Podcasts: Estado da Arte, Seita Macabra, 100 Words Or Less. Livros: “Microfísica do Poder” Foucault, “História e Consciência de Classe” Lukács, “Simulacros e Simulação” Baudrillard. Séries: Dark (Netflix), True Detective (primeira temporada na HBO) e Seinfeld.

 

Foto por: @klfotografa
Foto por: @klfotografa

INSIDE A5: Quais são os próximos planos que desejam realizar com a banda? O que podemos esperar?
Hélio: Acredito que o que mais queremos é divulgarmos o disco. O “Ruptura do Visível” foi lançado na mesma semana que o país entrou na quarentena, então não tivemos tempo nenhum de divulgá-lo na estrada.

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Hélio: Obrigado pelo interesse e pelo espaço. Foi um prazer enorme e espero que possamos superar o momento atual. Se cuidem.

 

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Links importantes da banda:

Instagram: instagram.com/institutionband
Facebook: facebook.com/institutionhardcore
Spotify: https://open.spotify.com/artist/4VJikg23UMLuG0vZdHd57P
Bandcamp: institutionband.bandcamp.com

 

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