Foto: Mateus Mondini

Entrevista: Futuro – Os Segredos do Espaço e TempoPor: Felipe Fogaça

O Futuro começou em 2010, primeiro como uma mudança de nome de outra banda que já existia, o B.U.S.H., mas com a entrada da Mila em 2011 se tornou uma banda inteiramente nova.

A ideia sempre foi tocar punk rock no sentido amplo, aberto a influências diversas e sem o propósito de reproduzir um estilo específico.

Em 2015 o Alemão, baterista original, saiu e o Xopô entrou no lugar dele consolidando a formação atual: Mila Leão – voz, Pedro Carvalho – guitarra e voz, Flávio Bá – baixo, Cauê Xopô, bateria.
A discografia é:
MMX – LP (2011), Futuro – EP (2012), Hábitos Ruins – LP (2014), A Torre da Derrota – EP (2017), Os Segredos do Espaço e Tempo – EP (2020)
E participação nas coletâneas “Não Somos os Primeiros, Não Seremos os Últimos” (2013) e “Ritmo Selvagem” (2015)

 

INSIDE A5: Vocês lançaram recentemente “Os Segredos do Espaço e Tempo”, o que podemos encontrar nesse material?
Pedro Carvalho: São 6 músicas novas que nós fizemos entre 2017 e 2018, uma delas, “The Third Eye”, cover de uma banda obscura dos anos 60 chamada The Dovers.

Toda banda fala isso mas eu acho que é a melhor coisa que a gente já fez. Diria que de tudo que nós fizemos é o material mais consistente na composição, execução e gravação. Tivemos bastante tempo e fizemos tudo com calma. Quem gostou do que a gente fez antes deve gostar desse.

 

INSIDE A5: Como foi a composição e gravação dele? Levando o fato dos integrantes morarem em cidades diferentes.
Pedro Carvalho: Pior ainda, não só cidades, mas países diferentes também! Foi o seguinte: a gente voltou da turnê nos EUA em meados de 2017, demos aquela pausa regulamentar e decidimos então fazer mais som novo e gravar antes da Mila se mudar.

Começamos a fazer as músicas do jeito de sempre, criando a maioria das coisas coletivamente ali na sala de ensaio, com a banda toda junta, todo mundo dando palpites e sugestões até chegar num ponto legal.
Só que não deu tempo de terminar antes da Mila ir, então fomos mandando gravações de ensaio para ela e ajustando à distância os detalhes das músicas. Nisso o Xopô acabou indo morar em BH também e acabamos gravando o instrumental em julho de 2018. Depois, no começo de 2019 a Mila veio e gravou a voz.
No começo desse ano a gente ia fazer uns shows por aqui e a ideia era lançar o material, mas veio a pandemia e zoou os planos. Eu tava com um certo medo de mexer nesse material, gostei tanto que não queria estragar. Então acabei embaçando mais ainda para mixar e só soltamos quando nos pareceu que tava bom mesmo.

Capa por: Flávio Bá
Capa por: Flávio Bá

 

INSIDE A5: Que influências encontramos nesse material? Desde musical até de outras linguagens.
Pedro Carvalho: musicalmente as influências são mais ou menos as mesmas de sempre, essa mistura de punk/pós-punk antigos com toques de garageira e psicodelia. Que para mim na real eu nem separo como coisas diferentes.

Não posso falar pelos outros, mas algumas coisas que estavam na minha cabeça e ouvidos quando fizemos as músicas foram o disco “Yeti” do Amon Duul II, uma música do Los Shakers chamada “Espero Que Les Guste”, The Damned (sempre), Saints (sempre), Viletones, Pagans, os primeiros dois discos do Replacements, o começo do Amebix antes de ficar muito metal e mais um monte de coisa que eu não sei se influenciaram diretamente o disco mas influenciam minha maneira de pensar e sentir em geral.

Camila Leão: Quanto à voz, desde o último material (Torre da Derrota) eu venho buscando trazer mais variações nas melodias conforme a energia de cada som. As referências que sempre me acompanham são a Siouxsie Sioux da Siouxsie and the Banshees, o HR do Bad Brains, a Alice Bag do The Bags e a Daniela Rodrigues do Renegades of Punk. Além disso, eu tento combinar algo que sempre curti no tipo de vocal “marrentinho” do hardcore americano dos anos 80, que é como se tivessem ligado um pedal de distorção na voz haha! E eu adoro essa leva recente de bandas americanas com mulheres fazendo vocais orgânicos e cheios de atitude e raiva.

 

INSIDE A5: O que vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Pedro Carvalho: banda – Astma; livro – Jon Savage – England’s Dreaming; filme – La Strada; documentário – a série do Ken Burns sobre a história da música country.

Cauê Xopô: banda – Magim; livro (hq) – Mau Caminho – Simon Hansselmann; filme – Suspiria (ambos) ; série – Lovecraft Country.

Camila Leão: banda – Haircut; livro – Os 5 níveis do Apego – Don Miguel Ruiz Jr.; Séries – Rotten, I May Destroy You e Mrs. America.

Foto por Mateus Mondini
Foto por Mateus Mondini

 

INSIDE A5: Como tem sido esse tempo de pandemia para a banda? O que esperam desse futuro pós pandemia?
Pedro Carvalho: a pandemia impediu nosso showzinho anual de 2020, o que foi chato. Mas por outro lado deu mais tempo de aperfeiçoar a mixagem do disco novo.

O lançamento rolou no meio da pandemia, mas acho que isso não interferiu muito. A resposta foi realmente surpreendente, de longe a melhor que qualquer trabalho nosso já teve, então não posso dizer que o timing bizarro atrapalhou o disco.

Não tenho a menor ideia do que esperar, de quando isso vai acabar e como o mundo vai ficar depois. Mas espero poder tocar ao vivo e viajar com eles de novo, porque são pessoas com quem eu adoro estar tanto tanto tocando quanto nas horas vagas.

Cauê Xopô: eu não vejo a hora de poder tocar essas músicas novas ao vivo, também. A pandemia trouxe uma gana maior ainda. Não tenho noção do que esperar assim como o Pedro, e nem quando pra falar a verdade, mas a gente transformou a distância em possibilidades, então definitivamente o céu é o limite.

Camila Leão: Como já rolava uma distância geográfica e física entre nós, a pandemia acabou não afetando muito a banda. Como o Pedro disse, nós tentamos nos reunir uma vez ao ano, quando eu vou ao Brasil visitar e infelizmente dessa vez tivemos que cancelar os shows mas o lançamento virtual do álbum foi muito positivo. Espero que quando estiver seguro de novo, possamos nos reunir e tocar juntos, temos alguns planos pendentes como por exemplo a tour no Nordeste que sempre comentamos, é algo que esperamos realizar em algum momento!

 

INSIDE A5: Quais são os próximos planos? O que podemos esperar?
Pedro Carvalho: Não sei. Mas posso dizer que a resposta positiva desse disco me deu vontade de fazer mais música. Então se por um lado não dá para prometer muita coisa em termos de show e tal, talvez role mais material novo quando der tempo e se todo mundo quiser. Quem sabe… Talvez Nordeste finalmente, talvez EUA de novo…
Cauê Xopô: Vira e mexe a gente conversa sobre fazer turnê. Ficamos com lembranças bem positivas na ida pros EUA em 2017, queríamos repetir, ou melhor, fazer outras; tocar em mais lugares do Brasil e outros países também.

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Pedro Carvalho: Obrigado pelo espaço, cuidem de si e uns dos outros e tentem manter a energia vital e a capacidade de se entusiasmar. É difícil, mas é o que resta nesse momento tão difícil.

Camila Leão: Muito obrigada pelo convite! 2020 foi um ano difícil para a música e para o mundo de uma forma geral no aspecto político, ambiental e socioeconômico… Que juntos, todos nós possamos doar o que temos ao nosso alcance, os nossos talentos e habilidades para uma realidade mais positiva.

 

Links importantes sobre a banda:

Instagram: instagram.com/futuro_is_a_band

Spotify: open.spotify.com/artist/1d2XZWUFD8AbtzC3E1h3b0?si

Bandcamp: futuro.bandcamp.com

Outras plataformas: flow.page/futuro

 

 

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