Banda fofa

FOFA: Fala fofo, grita rude!

A união de 4 mulheres com o prazer em musica em comum e a necessidade de expressar toda indignação e intolerância a cultura do machismo a partir disso, com influências no punk, buscando levar uma mensagem e reunir mais mulheres que se identificam com o mesmo propósito.

 

INSIDE A5: Como foi a iniciativa de começar esse projeto? O que mudou na vida de vocês depois que começaram a banda?
Laís Zanetti: Eu e a Flávia já tinha flertado com a ideia de fazer banda em 2016, mas calhou de fazer agora com as meninas que conheci a partir daí. A princípio as músicas eram numa maioria de autoria da Ana Paula (Ana Paia), tinha nada a ver com o som que a gente faz agora. Nesse 1 ano de caminhada as coisas foram fluindo e assim amadurecendo, tomando forma e construindo nossa identidade. A banda me trouxe novas amizades, além da May e da Gabi, trouxe mais autonomia como pessoa, me sinto livre e independente. Também me trouxe autoconhecimento, hoje sei me curtir, me divertir com minhas amigas.
Ana Flávia : Basicamente é o que a Laís falou, acho que toda mina tem esse sonho de ter uma banda só com mulheres, eu só tomei a iniciativa de juntar as amigas. A banda tá sendo importante pra todas, estamos gostando demais de poder fazer nossa música do nosso jeito, tá rolando muito aprendizado e isso é muito legal.

 

INSIDE A5: Como funciona o processo de criação das músicas? As letras tratam de quais temas?
Ana Flávia : O processo de criação das músicas flui nos ensaios na real, normalmente eu faço a letra com uma melodia e passo pras meninas depois nos ensaios todas vão opinando e vamos fazendo umas mudanças. As letras falam de como nós nos sentimos sendo mulheres na arte no geral, situações que já passamos, e também falamos sobre nossa amizade.
Gabrielle Corrêa: Escrevemos as músicas de forma muito variada, já teve letra que escrevemos juntas e depois desenvolvemos a melodia, letras que eu escrevi sem pretensão e em um ensaio acabamos colocando melodia, e também já teve música que a Ana apareceu com ela praticamente pronta, a gente só precisou organizar os outros instrumentos. Eu acho que cada música acabou tendo um processo diferente.

INSIDE A5: Quais são as referências musicais da banda? O que vocês gostam de ouvir em casa?
Laís Zanetti: Como banda eu amo tudo da CSS e Mercenárias, mas em casa eu ouço tudo
Ana Flávia: Bikiini Kill e CSS me inspiram demais hahaha eu ouço de tudo em casa também.
Gabrielle Corrêa: Eu escuto de tudo. Mas tenho aquelas bandas que levo como referência pra Fofa, Sleater Kinney, Bikini Kill, Hole, The Runaways, Patty Smith, Mercenárias, Charlotte Matou um Cara, Bertha Lutz, Sânias, Biggs, Tosca. Acho que além do punk também, porque ver mulheres ocupando o palco é incrível, então posso citar a Ana Paia, Crime Caqui, etc.
Mayara Vieira: Não negamos que são referências pra nós bandas do movimento Riot Girl, mas também não da pra deixar de citar as bandas amigas. Quando colamos nos shows de bandas como Crime Caqui, Sânias, Ana Paia, Vermenoise, Mar de Lobos, Tosca, Marina e os Dias, Cap, Farpas, Casa de Sal e entre muitas outras, voltamos muito inspiradas para os ensaios por ver mulheres que conhecemos também ocupando esses espaços.

 

INSIDE A5: Quais são os pontos positivos e negativos de ter uma banda em Sorocaba? O que opinam sobre o cenário do interior?
Mayara Vieira: Algo que me incomoda um pouco, é a falta de comunicação entre alguns rolês que acontecem, ao meu ver, os eventos poderiam ser mais diversificados nos estilos e não se prender a uma coisa só, e isso poderia ser considerado um ponto negativo já que quero que nosso som chegue a todos. Porém, estou vendo uma galera/coletivos tentando mudar isso em seus eventos, e fico feliz que esteja caminhando. No geral, temos mais pontos positivos em Sorocaba, apesar de ser interior, aqui é muito rico no cenário cultural, tem uma galera que ta nesse corre de produzir eventos a muito tempo, e também sempre aparece outras começando; também existem muitas bandas e muito boas saindo daqui, e artistas incríveis. Interior resiste muito!
Gabrielle Corrêa: Eu sempre acabo exaltando Sorocaba com relação ao cenário cultural daqui. Eu acho incrível o quanto tem pessoas que realmente fazem acontecer e estão dispostas. Acho que os pontos negativos vão ser reproduções da própria sociedade que acabam rolando dentro da cena, como muitos homens ocupando espaços e produzindo em comparação às mulheres, muito mais homens organizando eventos e roles, mas também sinto que tem um movimento de mulheres que estão dispostas a fazer isso mudar, e quero fazer parte disso.

 

INSIDE A5: Como enfrentar esses tempos sombrios político? Em que o Presidente é declaradamente machista e cada vez mais são cortados direitos das minorias. Como a cena independente pode ser organizar para ajudar em algo?
Laís Zanetti: A luta contra discriminação de minorias não veio a partir do atual presidente, já resistimos antes disso, a eleição de um fascista é o reflexo da cultura em massa. Nosso papel como cidadãos é a união e a troca, de ideias e informações pela conscientização. E como cena, é o apoio a artistas locais, a democratização de espaços, lazer e cultura, aumentar acessibilidade de rolês chegando nas periferias, são coisas que estão em nosso alcance.

INSIDE A5: Que banda|livro|filme|série|documentário vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Ana Flavia: Filme eu indico Juno e Bacurau!
Mayara Vieira: The Punk Singer com certeza é uma indicação, esse documentário nos inspirou muito no começo da banda, e gostaria que outras mulheres que tem vontade de aprender a tocar assistisse!
Gabrielle Corrêa: Meu livro favorito no momento é o Garota da Banda da Kim Gordon, ela me inspirou muito em muitos momentos, inclusive pra pegar em um instrumento e tentar, eu acho esse livro um abraço amigo. Vale a pena demais a leitura.

 

INSIDE A5: Quais são as próximas metas a alcançar com a banda? O que podemos esperar pro próximo semestre?
Laís Zanetti: Um EP humilde com certeza.
Ana Flávia: E mais shows também, queremos sair gritando nosso som por aí.
Gabrielle Corrêa: Que as pessoas escutem o que temos pra falar e curtam!
Mayara Vieira: Chama noisss!

Foto por: Chris Justtino

INSIDE A5: Considerações finais:
Mayara Vieira: Obrigada Inside A5 pelo espaço, e ao Felipe Fogaça pelo convite! Estamos felizes demais com as pessoas que estão nos acompanhando e nos apoiando nesse início de banda, obrigada!

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