Foto por: Alice @ Aquário de fogo

Entrevista: Ideias & Instrumentais do DerrotaPor: Felipe Fogaça

Em 2018 lançaram um compacto em vinil 7” chamado ‘xxx’ que traz as faixas ‘sinestesia’ e ‘permanência’, que tem participação vocal do rapper Sick, nesse compacto a banda utilizou bastante sintetizador e piano, além das já características 3 guitarras; em maio de 2019 lançaram o primeiro disco cheio, intitulado ‘Parece insuportável’, são 7 músicas inéditas, exceto o single ‘não havia quase nada’, que já tinha saído na coletânea ‘Transmissão sonora’ do selo HBB, o disco trás participações especiais de Rayra Costa (Em Extinção), efeitos de circuitos eletrônicos em ‘Beauvoir’, Cyro Sampaio (Menores Atos), guitarra em ‘Beauvoir’, Alvaro Daguer (A Full Cosmic  Sound) voz em ‘Beauvoir’ e a filha do guitarrista Leonardo, Mirela Miwa Y. Cucatti, tocando xilofone em ‘Anandamina’ e o desenho da capa é da argentina Marietta do instagram @palmeirasprintclub.

Sua música, instrumental, tem influência de guitar, noise, postrock, shoegaze e indie, trazendo uma atmosfera emocionante com sentimentos que vão da calmaria a extremidade caótica em nuances rítmicas e palavras não ditas. (No Gods No Masters)

Agora em 2020 estão compondo para o lançamento de um EP.

 

 

INSIDE A5: Gostaríamos de saber sobre o começo da banda, como surgiu a iniciativa? O que mudou na vida de vocês desde que esse projeto começou?
Leo: Então, eu comecei a banda em 2012, junto com a Natt, mas nessa época era tudo mais na ideia mesmo, ideia de compor, de gravar, não tínhamos uma banda mesmo hehehe e nem fazíamos shows… com o tempo a banda mudou bastante de formação, até que em 2015 ficamos com uma formação mais estável e passamos a fazer mais shows, em 2017 começamos a gravar nosso primeiro disco “parece insuportável”; já tínhamos lançado alguns singles antes e um compacto que saiu em vinil 7”, mas o disco mesmo só saiu em 2019. Depois disso fizemos bastante shows e essa é a melhor parte!! A minha ideia sempre foi ser uma banda instrumental mesmo, acho que porque sempre gostei do estilo, via muito o Hurtmold e sempre achei sensacional esse formato.

Menega: Eu entrei na Derrota há 1 ano mais ou menos e devo admitir que mudou demais a minha maneira de ver música. Acho que me abriu os olhos ainda mais para a mensagem que uma melodia pode passar mesmo sem letra. É extremamente gratificante ver o pessoal curtindo o som junto com agente, dançando, mexendo a cabeça, viajando… É um caos controlado mas não tanto hahah.

Eduardo: Aprendi muito, principalmente com os shows. Para o baixo, é interessante que cada hora estou seguindo ou complementando uma das guitas. Por exemplo: na intro eu sigo a natt, no meio eu sigo o Léo e termino seguindo o Menega hahaha.

 

INSIDE A5: Para quem não conhece a banda, gostaríamos de saber um pouco mais sobre a discografia e lançamentos de vocês.
Leo: Então, nos lançamos 2 compactos em vinil, o “xxx” que saiu pela Neves Records e tem duas músicas, lado A e lado B, e lançamos também um vinil Lo-Fi em formato quadrado, que já esgotou. E depois lançamos o disco mesmo, que saiu virtual e também em fita K7 aqui e saiu também por um selo em Portugal.

 

 

INSIDE A5: Como funciona o processo de composição? Quais influências podemos encontrar nos trabalhos de vocês? 
Natt: A gente geralmente chega com alguma ideia na guitarra e vem complementando nos ensaios… Influências são infinitas… tudo misturado.

Leo: E na maioria das vezes a influência maior vem de coisas que estamos passando ou sentido; das angústias, tristezas e alegrias da vida mesmo.

Menega: Eu acho que é muita coisa junta que acaba virando essa derrota toda hahah. Cada um ouve uma coisa diferente e por mais que o principal acabe vindo do punk, acabamos incrementando com elementos dos mais diversos estilos. Absolutamente tudo o que eu ouço ou já ouvi acaba influenciando na hora de compor com o Derrota.

O processo de composição mesmo é muito doido. As vezes começa com um riffzinho, as vezes já tem um formato um pouco mais elaborado, mas no geral a composição ocorre com todo mundo junto ensaiando e experimentando o que der na telha.

Eduardo: Cada um traz as suas influências, algumas parecem que são incompatíveis, mas a gente consegue juntar.

 

INSIDE A5: O que vocês indicam para quem está lendo essa entrevista? 
Leo: Eu indico os livros do Kurt Vonnegut,em ‘café da manhã dos campeões’ por exemplo, o desencanto que ele tem com a humanidade é a própria derrota hehe, e recomendo também os livros da Maria Carolina de Jesus, apesar de publicado na década de 60, seus relatos sobre o cotidiano são brutalmente atuais. Indico também o documentário Religulous do Bill Maher, é muito engraçado!

Natt: Ouçam a banda Demônia, elas são foda!!! Livro: Estou lendo “mate me por favor”… Série: não acompanho… Documentário: o da Amy Winehouse é bonito, e triste..

Menega: De livro eu indico todos do Isaac Asimov, e consequentemente a série que mais me pegou ultimamente foi Umbrella Academy. Um mix bem doido de teorias da conspiração, viagens no tempo, e super-herois com problemas emocionais hahah.

Banda pra mim é Bioma! Adoro elas e a força que elas têm nas músicas. Mas toda e qualquer banda independente deve ser ouvida mesmo que vc saia odiando depois hahaha

Um filme que já assisti milhões de vezes e sempre me pega é Requiem Para um Sonho que apesar de ter o Jared Letto traz uma trama sensacional.

Eduardo: Indico jazz dos anos 50 a 70 (miles davis, Herbie Hancock, bill cobham, chick corea). E a série “Auto Posto Amigos do Nelson”.

INSIDE A5: Vocês participaram da Coletânea “V/A Sangue Preto – Nossa Luta Contra o Racismo”, como foi essa participação? Nos conte um pouco sobre a música que vocês escolheram.
Leo: Quando eu tive a ideia de produzir essa coletânea eu nem pensei que o derrota participaria, mas quando conversei com a Josie da banda Hayz e ela disse que participaria da coletânea nem que fosse sozinha e depois falei com a Natália da banda Punho de Mahin e ela me disse que a banda não tinha música gravada mas que queria muito participar da coletânea nós começamos a pensar juntxs no que poderíamos fazer, foi quando surgiu a ideia de gravarmos uma trilha instrumental para a introdução onde elas pudesses fazer um texto por cima. E o resultado é a intro da coletânea. Elas acabaram convidando também a Bah Lutz da Bertha Lutz de Belo Horizonte; nós gravamos o instrumental aqui no HUP, estúdio do Menega, nosso guitarrista e elas gravaram as vozes cada uma em sua casa. Foi uma conexão incrível!

Menega: Além de ser minha primeira experiência de compor um som no próprio estúdio, fui o responsável por apertar os recs, mixar e masterizar o som todo. Estar no meio de tanta gente foda é extremamente gratificante principalmente quando temos uma causa tão urgente e como mensagem principal.

Eduardo: Muito massa! Espero que coletânea consiga a relevância que ela merece!

 

 

 INSIDE A5: O quanto a política está envolvida com a música para vocês? Qual a opinião de vocês sobre esse caos atual brasileiro?
Leo: Não sei bem se na nossa música, né? Por conta do nosso som instrumental, mas acho que está presente em nossa postura, no nosso dia a dia, nos rolês que abraçamos. Pra mim o simples fato de você ter uma banda de rock alternativo já era motivo pra te identificarem como contestador, mas de um tempo pra cá apareceu até banda de rock conservador e eu não consigo entender bem a lógica. Rock de direita, sei lá… muito estranho. Tudo realmente parece um caos mesmo, muita ignorância e ódio, e os ignorantes e raivosos é que parece que são os donos da verdade absoluta; antes, eu acreditava que com conversa, informação, estudo, as pessoas entenderiam e começariam a compreender melhor um caminho à seguir, pra derrubar esse governo, para pensar melhor coletivamente, respeitar as diferenças e minorias, compreender a desigualdade social, lutar contra isso… mas hoje acho que não tem mais esperança de que isso possa acontecer com diálogos e estudos. Só não sei qual a saída. E muito menos onde isso tudo vai acabar.

Natt: Acho que a melhor forma de se falar de política é com a música, pode ser um rock, uma mpb, independente do gênero musical, as letras te fazem pensar e afrontar… e no nosso caso, mesmo sendo instrumental, sempre carregamos algo para que possamos protestar no palco, ou um simples: “fora bolsonaro” já adianta nossa parte.

Esse caos se chama bolsolixo, e ele tem que cair logo.

Menega: Ao meu ver toda música é política de alguma forma. Cada raiva, alegria, amor, tristeza é política. Esses dias a banda Wry twittou a seguinte frase “O mundo não precisa de mais uma letra inteligente, um discurso bonito. Precisa é de guitarra alta, precisa fazer barulho pra incomodar” e acho que isso resume bem o que é o Derrota hahah.

Eduardo: As atitudes valem mais do que palavras. Você pode por política na letra, no efeito da guitarra (igual Jimi Hendrix tocando o hino dos EUA), no volume, no clipe, no show e é um pouco isso que fazemos. O cenário político nacional está superando minhas expectativas, achava que ia ser uma bosta e está sendo bem pior que isso.

Foto por: Alice @ Aquário de fogo
Foto por: Alice @ Aquário de fogo

INSIDE A5: Quais os próximos planos da banda? 
Natt: Compor para lançar algo novo, e não vemos a hora de voltar ao palco, faz uma falta tão grande, que é inexplicável.

Menega: Eu quero tocaaaaaar. Mas já que tamo nesse caos todo, estamos focando em composição pra gravar algo em breve e quando voltarem os shows pudermos oferecer um set novo e incomodar ainda mais

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Natt: Obrigada pelo espaço e ouçam nosso som, comprem nosso merch. Hahaha

Menega: Valeuzaço pelo espaço! Estamos com saudades de todos os amigos de palcos e não vemos a hora de reencontrarmos cada um de vcs. A Derrota é inevitável!

Eduardo: Valeu pelo espaço! Saudade fazer barulho. Sigam o Derrota no instagram/youtube/facebook

 

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Links importantes sobre a banda:

● Instagram: @_derrota_

● Spotify: https://open.spotify.com/album/5HKJJY6UZSMa7nJfkvr1sS

● Bandcamp: https://derrota.bandcamp.com/

 

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