Inside A5 entrevista Antilhano

Os moleques do Antilhano acabaram de lançar seu primeiro EP, o “A Última Barreira”, conversamos um pouco de como foi o processo de gravação, referências e sobre o cenário do interior, confira.

 

INSIDE A5: Como e quando começou o Antilhano? Qual era a ideia inicial da banda?
Antilhano: Quando a banda começou não existia um intuito de gravar ou sair para fazer shows, eram só melodias feitas em poucos finais de semana para nós mesmo. Mas o sentimento de estar ao lados dos amigos e o ativismo pessoal de cada um da banda fez com que tivéssemos que tirar do papel.

 

Capa & Design por: Felipe Fogaça

INSIDE A5: Como foi o processo de composição e gravação do “A Última Barreira”?
Antilhano: O início da criação dos acordes foi num tempo livre, sem muita pretensão, juntando acordes tortos e influências musicais, estas quatros primeiras músicas foram idealizadas, de maneira bem simples mesmo, pois o único equipamento que geralmente estava disponível, era uma guitarra desplugada, sem qualquer equalização decente.

As letras tiveram um processo diferente, pois quando começamos a criação delas, já tínhamos as prévias das músicas em demo (sem voz), assim convidamos nosso amigo Rodolfo Grosso e partimos para gravar.

A gravação em si, ficou estagnada por alguns meses (por conta de problemas pessoais dos integrantes), voltamos em fevereiro de 2019 e terminamos de gravar com o mestre Rodolfo Della Violla (Anti-Herói Produções), o mesmo ajudou nas composições e deixou nosso material em uma qualidade incrível.

Foto por: Dhyego Xinxilah

INSIDE A5: O que quer dizer “A Última Barreira”? Sobre quais são os temas das músicas?
Antilhano: A postura da banda sempre será antifascista, por isto a última barreira é um nome que sintetiza tanto esse nosso primeiro EP, quanto o que a banda quer passar. Os estudantes, a classe trabalhadora e a classe intelectual sempre serão o alvo de governos fascistas, com isso, nós seremos a última barreira contra o fascismo!
Esse nome se inspira na palestra do Vladimir Safatle chamada: “Nós somos a última barreira contra o fascismo”, assista aqui.

1835: A Revolta dos Malês aconteceu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835 é um dos pontos mais importantes para história negra Brasileira, por isso decidimos contar a noite em que os nossos se levantaram e fizeram da rebelião a sua tentativa de liberdade, o que é uma grande referência de vida para nós, tentar se libertar das amarras e lutar por sua liberdade.

Perceber e Posicionar: Esse som é uma mistura de muitas indagações, refletindo todas as mazelas criadas pela desigualdades de classes e pode ser refletido muito mais a fundo. Materiais que ajudaram na composição foram: You can’t be neutral on a moving train, Panteras Negras (1995), O Grupo Baader-Meinhof (2008) e o CrimeThinc – Receitas de Desastre.

Acab: Baseamos-se no embate de Luiz Eduardo Soares sobre as questões da brutalidade policial em SP e no mundo, assimilando também as nossas vivências, ACAB é nossa música que tenta explicar (para quem ainda não entendeu) que a polícia é feita para matar gente preta, pobre e periférica.

Better Days: Construir dias melhores é uma forma de sobreviver, por isso consideramos que em meio a tanto pessimismo e negativismo que vivenciamos entre os nossos, é bom refletir sobre dias de esperança, pois já evoluímos muito e nunca foi fácil se livrar das amarras.

 

INSIDE A5: Quais livros|filmes|séries|podcasts|documentários vocês indicam? Alguns deles vocês usaram como referência ou inspiração?
Antilhano: Atualmente cada um de nós tem suas preferências de leituras e estudos, entretanto, porém existem certas obras que nos aproximam.

Livros, podemos citar: “Marighella – Manual do Guerrilheiro Urbano”, pois as questões de guerrilha é um ponto em comum de todos.

Sobre filmes: They Live (1988) é uma das grandes influências de todos na banda, pois retrata de uma maneira Thrash questões sobre o marketing e a publicidade massiva das cidades, sendo assim um clássico para todos nós. The Edukators (2004) e O Grupo Baader-Meinhof (2008) são os melhores no quesito de reflexão pois eles mostram de maneira aberta em seus diálogos a profundidade da luta e nos inspiram a atuar contra as forças do autoritarismo .

Os podcasts: “Guilhotina” do Le Monde Diplomatique, “the Ex-Worker” e “Do it Yourcast”, são grandes referências.

Documentários: O “Menino 23” que conta a história da propagação da escravidão no Brasil após o fim da escravatura é extremamente essencial para entendermos como se estrutura as questões de racismo no Brasil, “O dia que durou 21 anos” e “Cidadão Kane” são bons para olharmos e analisarmos a formação da manipulação do autoritarismo e da manipulação, assim são indispensáveis para o entendimento da realidade atual e o doc “Terráqueos”. que é essencial que todo ser humano assista e repense sobre certas questões.

 

Foto por: Dhyego Xinxilah - Julho 2019

INSIDE A5: Como o cenário político brasileiro impacta na cena independente? O que vocês acham dessa “balbúrdia” atual? Tem uma luz no fim do túnel?
Antilhano: O cenário atual nos afeta brutalmente no quesito pessoal, em volta dele cria-se um sentimento de fim e de uma guerra perdida, entretanto, a música ou qualquer outra forma de arte também tem um protagonismo gigantesco nesses momentos de letargia.
Mas é lógico, existem desmontes e uma repressão cada vez menos velada vinda da polícia sobre quem grita sobre resistência ou subversão, por isso temos que tomar certos cuidados, porém sem deixar de acreditar em dias melhores.

 

INSIDE A5: A produção de eventos, artes, grupos de estudos além da banda é essencial? Vocês participam de algum projeto?
Antilhano: Cada integrante tem suas aspirações diversificadas, Danilo é integrante do grupo de estudos anarquistas da Ufscar e faz Geografia na mesma instituição, Rafael é jornalista e participa de outro projeto chamado Mangata, junto com Afonso.
Afonso, que é artista Urbano, espalha sua idéia através de lambes* pela cidade, além de ser ciclista nato, lutador de krav maga e guitarrista de diversos projetos como Mangata e Mutualismo, Rodolfo Grosso faz o Interior Hardcore nas cidades de Salto e Itu e é vocalista na banda Noise Against The System (NATS). Murillo Fogaça é um dos fundadores do Inside A5, vocalista da Make it Stop, também participa em projetos beneficentes na ONG Associação Criança Feliz, que ajuda crianças em situação de dificuldade de aprendizado e participa da LSI (Liga dos Secundaristas Independentes) que estuda Anarquismo, Comunismo e Autonomia.

 

INSIDE A5: Quais são os planejamentos da banda para os próximos meses? Quais são os maiores objetivos a se alcançar?
Antilhano: Estamos querendo sair para tocar no máximo de cidades que pudermos e fazer chegar a nossa mensagem ao máximo de pessoas. Temos alguns shows marcados e esperamos ver todos que estão lendo essa entrevista presentes (todas as datas em nossas redes sociais).

Vamos as gravações do nosso próximo single em breve, fiquem de olho!

 

INSIDE A5: Uma mensagem final:
Antilhano: Agradecemos pelo espaço e todo suporte que a Inside A5 disponibiliza para nós, ficamos muito gratos pela oportunidade de conceder essa entrevista e que possamos juntos, confrontar toda a opressão! 🙂

 

 


 

Antilhano nas redes:

 

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