Inside A5 entrevista o Sound

Com mais de 10 de resistência underground, o Sound é um dos espaços que mais recebeu eventos independentes do interior de São Paulo, administrado pelo saudoso, Geleia Presley, trocamos uma ideia com ele sobre toda essa doideira que é essa casa preta.

 

INSIDE A5: Como surgiu a ideia de montar o Sound? Vocês se inspiraram em algum outro lugar?
Geléia Presley: Eu frequentava bares undergrounds do final dos anos 80 e pirava naquela energia Dark, Punk e libertária. Era fascinado pela história de bares como Madame Satã e na gringa o CBGB. Resolvi após muitos anos trabalhando em Banco que queria ter um bar com essa temática. Minha namorada na época a Natália Carriel foi essencial nessa mudança de estilo de vida, já que me apoiava em tudo e inclusive ela que criou o nome SOUND após estarmos assistindo o filme Cristiane F.

Foto por: Dhyego Xinxilah

INSIDE A5: O Sound é um local importante para o cenário underground de Sorocaba e do país, como vocês enxergam isso?
Geléia Presley: Bem, esse ano o SOUND está fazendo 10 anos e passou muita coisa por aqui, cedemos espaço para várias tribos explorem sua ideologia e também rolou bandas do Brasil todo e do planeta também, então acho que sim, deixamos nossa marca na história do underground e suas vertentes sempre na raça e simplicidade para poder incluir a todos.

 

INSIDE A5: Nesse tempo de vida o Sound já recebeu shows históricos, quais você pode destacar que te marcaram?
Geléia Presley: Todo show, evento e acontecimento foi marcante para mim, agradeço a todos que acreditaram nesse sonho e partilharam sua arte e ideias no SOUND.

 

INSIDE A5: Como o cenário político brasileiro impacta nos eventos que acontecem no Sound? Tem uma luz no fim do túnel?
Geléia Presley: O SOUND sempre foi libertário, diferente e anti senso comum, o que causa muito desconforto em grande parte da sociedade, esse governo atual é apenas o retrato do que sentimos por todos esses anos, pela maioria fascista e preconceituosa, muitos até do universo artístico que pagam de desconstruídos, mas só querem mais do mesmo, status e não se misturam, daqui a pouco estão tocando em Templos Religiosos. A diferença incomoda, mas o lema do SOUND é “Onde os diferentes encontram seus iguais “então que esses sejam bem vindos. Sintetizando, Sorocaba e o Brasil sempre foram conservadores e sempre seremos resistência independente do governo atual ou dos passados.

 

INSIDE A5: Como as bandas, artistas e público podem colaborar para espaços como o Sound continuem firmes?
Geléia Presley: Acreditando no SOUND e continuando nos apoiando, tanto os artistas combinando ideias conosco para novos eventos e pelo público que curte essa loucura toda há 10 anos.

 

Foto por: Dhyego Xinxilah

INSIDE A5: Quais os planos futuros para o Sound? Existe alguma coisa que desejam alcançar?
Geléia Presley: O plano é seguir autêntico como sempre e o que pretendemos alcançar é a maior quantidade de mentes para lutar junto com o SOUND contra o status quo.

 

INSIDE A5: Fale agora ou se cale para sempre:
Geléia Presley: SIFODASI . PAU NO CU DOS GOOD VIBES!!!

 


 

Sound nas redes!

Foto por: Dhyego Xinxilah

Inside A5 entrevista Profusão

Idealizado no final de 2017, Profusão surgiu com a proposta de organizar eventos para artistas independentes de várias vertentes e gêneros musicais, sendo realizado mensalmente e em espaços culturais de Sorocaba e região. O projeto oferece uma vivência cultural descomprometida com rótulos ou estilos.

 

INSIDE A5: O que é o Profusão? Onde vocês desejam chegar com esse projeto?
Lucas Oliveira: O Profusão no momento atua mais como uma produtora de eventos/shows na questão de organização, produção e promoção (materiais gráficos e identidade) e meio que flertamos com audiovisual de forma simples, fazendo algumas lives e coberturas de evento. E sempre contando com a ajuda de casas de shows e estúdios de Sorocaba que são os nossos principais parceiros e somos muito gratos (Asteroid, Solana, Deaf Haus e a Pupa). O projeto tem apenas 02 anos de idade e aos poucos vamos entendendo um pouco melhor sobre o mercado da música e aprendendo com nossos erros e observando as produções que rolam no país. No começo meio que não sabíamos exatamente o que estávamos fazendo e aos poucos tomamos ciência da tamanha importância do projeto e aos poucos o que era meio abstrato para nós, começou a tomar forma.

No momento a prioridade é criar uma identidade fixa para o Profusão e assim começar produzir eventos em outras cidades e quem sabe produzir algumas bandas no quesito booking e gerenciamento da parte de comunicação e conteúdo. Estamos para aumentar a equipe, fizemos alguns convites para um pessoal que admiramos e espero que role. Atualmente, somente eu e o Paulo Gaspar na organização. Mas queremos abranger o foco para as outras vertentes no evento, em 2020 vai ter muita novidade.

Umas das coisas que eu tenho me questionado ultimamente, é qual o objetivo nisso? Da produção de eventos/shows em si e o futuro disso. E vejo que o que fazemos atualmente pode se tornar vago e até em vão, em alguns sentidos, pq realizamos eventos para as mesmas pessoas de sempre e isso não é legal. Precisamos atingir públicos diferentes, principalmente para as classes mais pobres e pessoas fora da nossa bolha artística, a qual por maioria pensam que cultura é coisa para Burguês safado (as vezes é, tenho essa sensação quando piso em alguns lugares culturais de Sorocaba, a própria estrutura amedronta).

Precisamos atingir a periferia e criar projetos para aproximar as pessoas da música seja ela um rock triste ou Funk de mensagem. Atualmente atuamos com os eventos mais próximo ao centro de Sorocaba e é uma área muito nobre. Mas falando assim parece fácil, e na real é muito trampo e dedicação, e ainda enfrentar uns diplomatas safados de plantão. Espero conhecer mais pessoas a qual tenham esse desejo e assim começar a estruturar algo. A chama já temos (risos).

 


INSIDE A5: Como alcançar jovens/crianças atualmente? Em tempos onde parece que todos estão mais nas redes do que nos eventos.

Lucas Oliveira: Em relação a crianças, eu confesso que não faço ideia e não tenho muita experiência. algo a se pensar. A tecnologia tem nos distanciado muito e isso é perigoso em certos pontos. Agora temos voz, mas não sabemos bem o que comunicar nessa onda de informações e sem falar nas bolhas sociais que isso criou, vivemos com a visão turva com o que é somente interessante dentro do nosso catálogo pessoal de algoritmos, e isso é um problema grande. Mas por outro lado é super positivo, exemplo: Hoje eu posso mandar uma mensagem fácil para qualquer produtora do país e até mesmo de fora e dialogar para ter noção de culturas e ideias de organizações diferentes do que temos aqui, direto eu troco ideia com produtores de outros estados só para saber como rola lá na cidade deles, a informação está bem mais acessível e fácil e essa troca é importante.

Já a galera Jovem/adulto também está difícil de se comunicar e atrair, cada vez mais querendo ficar em casa e economizar, o que de certa forma é compreensível. Mas nessa questão, eu aprendi algo recentemente com o nosso querido amigo Tiago Oliveira, o público não tem culpa do rolê estar vazio, isso é uma responsabilidade de quem produz tornar o seu evento/festa/show atrativo em diversos sentidos, se o rolê está vazio a culpa é do produtor/organização, pois temos que prever as situações e possíveis problemas que possa ocorrer durante o processo e existem ferramentas (tecnologias) que pode ajudar a organizar melhor. É necessário inovar de tempo em tempo, ainda mais nessa era da super mega velocidade, onde as coisas perdem a relevância fácil.

Uma saída também é ocupar praças e realizar eventos gratuitos, uma galera que admiro muito e que faz isso muito bem é o Coletivo Extensão e a banda Mar de Lobos.

Momento coach: Enfim, tendo um bom planejamento de mídia e estratégia, é possível criar um público e alimentar com conteúdos interessantes/relevantes. Mas isso requer pesquisa, tempo, qualidade e um pouco de grana. E no momento estamos pesquisando para isso.

 


INSIDE A5: Que livro|filme|série |podcast que vocês indicam? Que possa ter ajudado vocês de alguma forma.

Lucas Oliveira: Cara, eu sou um péssimo leitor. Entretanto eu acompanho muito blogs e empresas que criam conteúdo para música e uma delas que super recomendo a acompanhar é Buzz Music Content que é do Eduardo Panozzo (ex-Catavento) ele tem um canal e de certa forma um podcast a qual tem entrevistas com produtoras, selos e bandas, as minhas favoritas são com a Fabiana Batistela (SIM Festival) e Katia Abreu (Dia da música). Tem alguns podcasts também como: Escuta que é bom, vamos falar sobre música, Tenho mais discos que amigos e horário nobre. Esses materiais ajudam a manter atualizado e dão algumas ideias massa.

Agora de canais de música eu curto acompanhar a Audiotree, Colors, KEXP, La Blogothèque, Lavanderia Estúdio, Bananas Music Branding, Music Thunder Vision, ONErpm, Couple of Things (BR são muito bons) e alguns mais ai a qual não lembro agora.

Canal a qual indiquei: Buzz Music Content.


INSIDE A5: A produção de vídeos é uma marca de vocês, da onde vem inspiração para esse tipo de trabalho?
Lucas Oliveira: Surgiu como uma ferramenta para ajudar algumas bandas que não tinha material ao vivo e também para ajudar nos custos, porque o cachê das bandas por maioria não é grande, ainda mais as independentes regionais. Nunca cobramos de nenhuma banda as lives, sempre fizemos por uma certa paixão e como uma forma de registrar os eventos que acontecesse aqui, pois dá um trampo danado produzir. E assim começamos a se interessar pelo audiovisual. Ainda somos muito amadores, mas a cada edição aprendemos um pouco mais. O Fred Guerrero (fotógrafo de Sorocaba) sempre pega no nosso pé, porque cometemos alguns erros grotescos, como por exemplo: esquecer baterias e carregador (risos).

A inspiração vem de muitas lives que acompanhamos (algumas citadas acima na questão anterior), gosto muito do trabalho do Rafa Souza de Campinas (Lavanderia Estúdio). Sempre inovando.

E trabalhamos muito com vocês da Inside A5, tem sido bem legal cobrir os shows, pois a cena do Hardcore é muito viva e o público simplesmente sensacional, tenho grande prazer de filmar os eventos e ao mesmo tempo aprendemos muito. E tivemos a oportunidade de cobrir 2x o Locomotiva Festival de Piracicaba (2018 e 2019), foi uma experiência muito foda e aprendemos muito observando alguns profissionais que estavam no festival fazendo a cobertura também. O nosso material de 2019 está prestes a sair.

 

INSIDE A5: Qual o posicionamento de vocês a respeito do estado político atual brasileiro?
Lucas Oliveira: Somos totalmente contra o governo atual, acredito que estamos regredindo cada vez mais com esse fascista no comando. Cada dia é um novo medo a se superar, mas vejo que os artistas e profissionais da área tem se posicionado de uma forma muito admirável, não baixando a bola e batendo de frente de todas as formas possíveis. Esse cara vem destruindo muita coisa e mais do que nunca precisamos estar unidos. Estamos flertando forte com uma possível ditadura, a forma de gestão deste governo não respeita a cultura, meio ambiente, educação e muito menos o trabalhador brasileiro.

 


INSIDE A5: O que opinam sobre a produção de eventos independentes em Sorocaba e no Brasil?

Lucas Oliveira: Certo, podemos começar pelo Brasil, pela minha breve experiência conheço alguns coletivos e selos espalhados por ai e o cenário não muda muito na questão de produção, todos sofrem com a questão financeira para suprir a demanda dos shows/eventos sem sair no prejuízo (o que já é uma vitória) até mesmo na capital (SP). Pelo que tenho sentido, 2019 não vem sendo uma ano muito bom, está cada vez mais difícil produzir e engajar novos públicos. Esse ano fizemos nosso primeiro evento em SP no estúdio Fiaca e também em Piracicaba. Levamos a Taco de Golfe (SE), Odradek e Yamasasi (ambos de Piracicaba) e os eventos foram muito bons e até acima do esperado, porém sabemos que não é sempre assim. Acho que tem que ter muita coragem e paixão para produzir hoje em dia. E com certeza estudo e planejamento e entender que vai demorar muito tempo para as coisas começarem a girar de uma forma financeira.

Ano passado vi uma palestra do Fabrício Nobre (Festival Bananada) e ele contou que o festival demorou cerca de 10 anos para começar a ter um lucro, então imagine a batalha de tudo isso, você tem que ter muita convicção e amor para entrar nessa. Mas no Brasil tem rolado muitos festivais e vem crescendo muito selos e produtoras. O mercado fonográfico é um dos mais lucrativos do Brasil e esse ano ultrapassou a média mundial (no consumo de streaming como Deezer, Youtube e Spotify). A própria Lei Rouanet gera muito lucro para o país, recentemente eu ouvi um podcast a qual entrevista a Dani Ribas da SIM Festival e ela tem os números dessa crescente na ponta da linguá, achei super interessante, vou deixar o link aqui pra vocês ouvirem e decorar os dados para jogar na cara de quem diz que a música não é rentável ou é coisa de vagabundo (risos)

Entrevista com Dani RIbas:

Em Sorocaba, estamos muito bem, temos diversas produtoras e “agentes” promovendo eventos e até mesmo festivais excelentes (Circadélica, espero que logo volte), acho que é a cidade mais ativa e persistente do interior de SP. Temos aqui produtoras como a Inside A5, Funâmbula, Impulso, Extensão, Beco do Inferno e Lobotomia. Todos com um trabalho excelente e focados na promoção e produção de eventos culturais da região. Mas ainda acho que falta um certo diálogo entre as produtoras de Sorocaba para se ajudarem mais, ano passado perdemos 2 festivais e o festival que rolou pela minha ótica não foi muito bem, alguns shows relevantes foram meio vazios. É necessário diálogo e uma certa união, mas rola um grande egocentrismo por parte de alguns produtores, um certo sentimento de posse e medo de perder espaço, espero de verdade que isso mude em breve, ou se não, vamos começar a regredir demais e estaremos fazendo um favor para o cenário político atual, principalmente da cidade.

Agora indo mais para o lado do Profusão, esse ano focamos mais em eventos mesmo, conseguimos trazer algumas bandas a qual admiramos muito como: Dingo Bells, Lau e Eu, Giovani Cidreira, Taco de Golfe, Pessoas estranhas, Alice Guél, Yamasasi, Stupid, Odradek e recentemente Menores Atos. E também trabalhamos com alguns artistas de Sorocaba/região sendo a Mundo Inverso, Wesley Aprille, Strawberry Licor, Marcus Alves, Yamasasi, Marina e os Dias e Wolf Among Us. Eu particularmente estou muito contente com as nossas produções deste ano, pois acredito que conseguimos variar bem os estilos/gêneros musicais e não focamos no que já rola muito aqui, sempre buscamos trazer coisas novas. Fizemos também um showcase em parceria com o Locomotiva festival na Deaf Haus a qual foi bem massa. E vai rolar mais algumas surpresas até o final deste 2019, tem muitos eventos pela frente até dezembro/2019.

 

INSIDE A5: O que podemos esperar pro futuro do Profusão?
Lucas Oliveira: Vamos ter campeonato de truco, bilhar, banco imobiliário, pipoca, piscina de bolinha, etc (risos). Agora falando sério, estamos reunindo uma turminha ai para a nova temporada de Malhação 2020, e traremos algumas novidades nos eventos e principalmente em conteúdo para Sorocaba. Em janeiro/2020 já vamos lançar uma nova identidade e junto disso apresentar as nossas novas propostas e pilares para a produção de eventos. Não vamos focar somente em artistas da música, mas em outras vertentes também. Estamos bem ansiosos o/

 

INSIDE A5: Considerações finais
Lucas Oliveira: Gostaria de realizar aquele momento saudosista e mandar um salve para todos aqueles que ajudam a gente a realizar esse projeto e o público que cola nos eventos (não somente no nosso) e sem os estúdios e profissionais da área nada disso seria possível, queria citar uns em específico: Marcio Bertasso (Complexo Mofo), Mario (E toda a equipe do Asteroid), André Pinho (Solana), a gangue da Deaf Haus, Marcel Marques que sempre salva nas captações de áudio e mixagem, Fred Guerrero e Paulo Avance que são os fotógrafos mais fofos dessa cidade. E todos os expositores e artistas que apoiam e ajudam a gente nos eventos.

Obrigado Inside A5 pelo espaço para deixar registrados minhas ideias estranhas <3

 

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Links importantes sobre o Profusão:

 


 

Conheça o trabalho do Profusão:

Cobertura:

Live:

 

Fotos por: Marcela Guimarães

Inside A5 entrevista Sânias

“Sânias nasce da fusão de duas amigas em busca do autoconhecimento por meio de melodias e riffs carregados. Formada em fevereiro de 2019 e composta por Roberta Barcelli (bateria) e Stefany Riot (guitarra/voz), o duo sorocabano segue nas linhas instrumentais do punk-stoner-doom, assim, flertando com ambas vertentes”.

 

INSIDE A5: Como foi a iniciativa de começar a banda? Como a vida de vocês mudou desde o início desse projeto?
Barcelli: Conheci a Sté através do Girls Rock Camp Brasil, projeto de empoderamento feminino através da música do qual ambas participamos como voluntárias. Para mim (Barcelli) falar do Camp e do que ele propicia para as mulheres participantes é primordial para falar sobre a iniciativa em começar a banda. Sou baterista desde os 15 anos de idade mas só depois vivenciar as experiências propostas pelo projeto que consegui me ver como baterista e me enxergar em um projeto musical. A Sté me convidou para ouvir os materiais que ela já estava criando e meio que de cara já rolou uma afinidade muito grande entre nós, tanto musical quanto de relação pessoal mesmo e aí foi só deixar a coisa rolar… Estamos nesse projeto e as mudanças têm sido fluidas e constantes, a maior delas para mim tem relações bem diretas com a timidez e insegurança em me expor em público.

Stefany: Era final do ano passado, quando me veio a imensa vontade de colocar os projetos musicais pra funcionar, foi quando pensei na possibilidade de iniciar um duo e a primeira pessoa que eu pensei foi na Roberta por sacar que ambas tinhamos afinidade com o tipo de som que fazemos. Então só joguei a ideia, ela topou, marcamos um estúdio, apresentei uns sons gravados de forma caseira e pronto, rolou muita afinidade mesmo.
A vida mudou no sentido de rotina, começamos os ensaios pra valer no final de janeiro pra fevereiro, dois dias da semana se tornaram reservados pra ensaiar nossas músicas, ainda mais depois de ser anunciada a turnê do Anti-Corpos em março, que, possivelmente faríamos fazer parte da abertura ao lado de Vermenoise – como aconteceu -, então nos empenhamos em fechar cinco músicas em menos de dois meses, e foi, nosso primeiro show foi abrindo pra uma das bandas que a gente mais admira nessa vida. Foi bem emocionante, rolê de mina em peso. Depois rolou mais cinco shows incluindo VI Mostra de Arte das Mulheres de Sorocaba, Focinhada III, Sifodasi fest no Sound, XVII Feira Beco do Inferno, fechando com Dyke Fest #4.

INSIDE A5: O que vocês gostam musicalmente? Quais bandas são referências de vocês?
Stefany: Da adolescência pra cá ouvi bastante punk, post-punk, grunge, metal, stoner, tudo que pudesse me influenciar a tocar guitarra, as favoritas são: Hole, Bikini Kill, Wipers, The Kills, Distillers, Savages, PJ Harvey, Placebo, Smashing Pumpkins, Deap Vally, Drenge, Courtney Barnett, Bully, Turnstile, Christian Death, Oathbreaker, Gojira, Windhand, YOB, Monolord, além da cena nacional independente que me influenciou muito, como: The Biggs, In Venus, Sky Down, Vermenoise, Anti-Corpos, As Mercenárias, Weedra, Mary Una Chica Band, Gangue Morcego, Harmônicos do Universo, Fones, Wry, Justine Never Knew The Rules, Water Rats, Sara Não Tem Nome, Miêta, e por aí vai…

Barcelli: Gosto muito de música independente e ai vou citar as que curto ouvir assim num looping eterno: Bia Ferreira, Doralyce, Tuyo, Mulamba, Paula Cavalciuk, Ananda Jacques, Tássia Reis, Drik Barbosa, Jorja Smith, Nina Simone… para referenciar no processo de criação nos ensaios eu ouço bastante The Biggs, Sky Down, Miêta, Nervosa, SixKicks, Vermenoise, Mar de Lobos, Bloody Mary Una Chica Band, Weedra (tem muitas outras mas atualmente tenho me referenciado nessas)

Fotos por: Mayara Vieira

Fotos por: Mayara Vieira, XVII Feira Beco do Inferno 2019

INSIDE A5: As letras tratam de quais temas? Como funciona o processo de composição? (tanto a letra, quanto instrumental)
Stefany: comecei o processo de criação baseado no que eu vivi no último ano, quis traduzir algumas desilusões em forma de letra e melodia, dessa fase saíram as músicas “Infection”, “Stone Cold”, “Empty” e “Burning Fever”. O instrumental meio que vem naturalmente quando fico brisando e tocando no quarto, às vezes sai letra primeiro e às vezes a melodia depois a letra, vai variando.
Atualmente tenho me inspirado bastante em temas como o universo, a alquimia e o ocultismo para escrever, saiu até um som que tocamos no último show deste sábado 31/08 no Dyke Fest em SP, chama “The Witch Is Coming” e fala sobre uma “bruxa alquimista e mãe do tempo que reflete o Sol em seus olhos”, rs. Essa foi uma brisa escrever e compor a melodia, acho que é o som mais longo e complexo que criamos até agora, ficou bem sensível e forte ao mesmo tempo. Esperamos lançar todas essas músicas no primeiro semestre de 2020, que é quando pretendemos produzir nosso EP.

 

INSIDE A5: Que livros|filmes|séries|podcasts|documentários vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Stefany: livro: O Tesouro Dos Alquimistas de Jacques Sadoul; filmes: The VVitch, Suspiria (2018), Häxan – A Feitiçaria Através dos Tempos; Documentários: The Punk Singer, She’s Beautiful When She’s Angry, Cosmos: A Spacetime Odyssey.

Barcelli: Livro: Quem Tem Medo do Feminismo Negro de Djamila Ribeiro, Série: Olhos que condenam, Podcast: Tudo que tem de Monique Evelle, Documentários: Estamira, Menino 23.

 

INSIDE A5: O que acham da cena atual política? Vocês acreditam que haja uma solução próxima? Isso impacta de alguma forma na música?
Barcelli: Eu procuro me referenciar em lideranças políticas que representam as minorias efetivamente e que elaboram e executam projetos políticos que busquem problematizar os desdobramentos desse projeto colonialista. As lideranças políticas que dialogam de forma coerente para enfrentar as questões e resoluções das violências estruturais. Eu procuro pesquisar e acompanhar projetos da Deputada Eleita Joenia Wapichana e Erica Malunguinho por exemplo, para aprender sobre o fazer político dentro da perspectiva partidária. Impacta profundamente também na música porque a arte é fazer político, não pode e não deve ser neutra. E quando você toma lado como se deve tomar você acaba sofrendo com as repressões.

Stefany: Parece que tudo tem caminhado para o pior, apesar de que a situação caótica já era esperada desde a última eleição, né. Tá sendo bem difícil acompanhar tudo, confesso passar dias fora das notícias pra poupar um pouco da saúde mental, pq às vezes é muita informação pra absorver do todo. Eu acredito nas nossas microbolhas de conscientização pra ganhar energia pra sair pra fora e tentar dialogar diante de tamanha ignorância e burrice. Estamos tentando.
Ainda não coloco os temas políticos na pauta principal das letras, mas não descarto a ideia. Acho que nossa presença como duas mulheres ocupando um palco e expressando suas ideias com instrumentos e microfones seja nosso próprio ato político.

Fotos por: Mayara Vieira, XVII Feira Beco do Inferno 2019

INSIDE A5: Vocês participam de outros projetos culturais fora da banda? (como: artes, produções, etc). Quais?
Barcelli: Eu procuro participar sempre Girls Rock Camp Brasil e Ladies Rock Camp Brasil, atualmente colaboro com a PLéB, um projeto voltado para discussões relacionadas a pessoas pan lésbicas e bissexuais e projetos com oficina de bateria para mulheres, chama nóis…

Stefany: Faço parte do voluntariado do Girls Rock Camp, acampamento de empoderamento musical para meninas de 7 a 17 anos, e do Ladies Rock Camp onde as atividades são direcionadas a mulheres de 21 anos pra cima. Nos camps sou instrutora de guitarra, baixo e auxílio na oficina de stencil em camisetas, também já me arrisquei como produtora de banda.

 

INSIDE A5: O que vocês acham da cena musical sorocabana? E do interior? O que vocês destacam de coisas boas que acontecem na cidade?
Stefany: Acho muito rica na questão de diversidade musical, não é de agora que a galera se movimenta por aqui e faz acontecer uns rolês incríveis envolvendo as bandas locais. Desde INI, Wry, Biggs à Justine Never Knew The Rules, Fones, Her, A Transgressão, e as mais atuais CAP, Ventilas, Ana Paia, Vermenoise, Make It Stop, Wolf Among Us, gosto muito!
Em Itapetininga também vejo uma movimentação muito massa na cena, tenho acompanhado as bandas Tempos de Morte e Casa de Sal, sonzera chique demais.

 

INSIDE A5: O que planejam para esse semestre? Quais são os maiores obstáculos a se alcançar?
Stefany: Queremos tirar esses últimos meses do ano pra planejar nosso primeiro EP que pretendemos produzir no primeiro semestre de 2020. A ideia é até focar mais nos ensaios do que nos shows durante esse período de planejamento. Acho que o maior obstáculo sempre vai ser arranjar tempo e dinheiro pra seguir com os projetos rs.

Fotos por: Chris Justtino, Focinhada III, PUPA Eventos - Sorocaba SP 2019

INSIDE A5: Considerações finais:
Stefany: Acho que a Sânias não teria vindo numa melhor hora, chegou num momento de necessidade de colocar em prática as vivências em forma de música, pelo menos pra mim, e tenho certeza que pra Barcelli também se encaixou nessa vontade. Foram 6 meses, 6 músicas e 6 shows até aqui e não teríamos conseguido concretizar tudo sem o apoio das mulheres fortes e talentosíssimas que nos cercam, que nos ajudou e influenciou no espaço de ensaio, composição, equipamentos e nas produções dos shows.
Que esse projeto seja cada vez mais simbólico pra nós e atingível pra quem nos ouve e assiste. No próximo ano vem gravação e lançamento de uns sons na forma de EP, aí sim vou sentir como todo esse rolê criou forma depois de tantas experiências fodas até aqui.
Agradecemos o pessoal da Inside A5 pelo convite da entrevista!


Fotos por: Marcela Guimarães, Dyke Fest #4, Associação Cultural Cecilia - SP 2019
Links importantes sobre a banda:

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Conheça o trabalho do Sânias:

Oficina de Criação de Cartaz Punk em Formato Digital ////

Já pensou em aprender sobre a cultura dos cartazes punk?
Através desta oficina você poderá entender um pouco mais sobre a história dos cartazes punk até os dias atuais e ainda desenvolver seu próprio cartaz no Photoshop, obter dicas essenciais para a produção e principalmente viajar nesse mundo musical gráfico.

A Oficina surgiu a partir da ideia de unir o Design Gráfico com a música Punk/Hardcore, procurando entender o contexto de criação e a filosofia dos cartazes punk desde suas origens, conhecendo novas ferramentas para desenvolver esses trabalhos, sobretudo, colocando a mão na massa!

O que você aprende nessa oficina? A oficina é separada em duas partes:

• A primeira é teórica, onde estudamos sobre a história dos cartazes punk seguido uma linha do tempo que passa pelas décadas de 60, 70, 80, 90 e até os dias atuais; softwares; dicas sobre abertura e fechamento de arquivos; e, referências de artistas e impressos.

• A segunda parte é prática: desenvolvimento de um cartaz em grupo utilizando o Photoshop com a finalidade de aprender sobre as funcionalidades do programa e, logo após, cada participante da oficina faz seu próprio cartaz.

Para acontecer essa oficina é essencial que @ alun@ tenha um notebook com o Photoshop instalado, que é o programa usado para a atividade.

Qualquer pessoa pode participar, desde que tenha o material pedido para a oficina e tenha vontade aprender sobre cartazes punk, independente da idade ou experiência prévia com o software.

 

Para dúvidas, interesse ou parceria você pode entrar em contato através dos contatos:

Facebook: /orubrica
Instagram: @orubrica
E-mail: felipefogacaxxx@gmail.com | rubricaposters@gmail.com
Celular: 15 99786-6902

 

Inside A5 entrevista Coletivo Extensão

Coletivo Extensão é uma organização sem fins lucrativos formado por artistas e amigos no intuito de organizar eventos e shows de maneira totalmente independente.
O coletivo tem como seu propósito expandir o desenvolvimento cultural, musical e artístico pelo interior paulista. Organizando por si mesmo eventos e shows gratuitos usando energia e espaços públicos para todas as pessoas e comunidades sem acesso a entretenimentos cultural e artístico.

 

INSIDE A5: O que é o Coletivo Extensão? Como começou essa iniciativa?
Coletivo Extensão:
O CE é um grupo de artistas e amigos que se reuniu com o intuito de disseminar conteúdo independente no interior paulista. O pontapé inicial foi em 2016, despretensiosamente,  para fazer shows em locais públicos mas somente em 2018 nós nos organizamos e resolvemos oficializar o coletivo, cujo nome vem, basicamente, de uma extensão de 100 metros que compramos para esse fim.

 

INSIDE A5: Para vocês qual a diferença entre fazer eventos ocupando espaços públicos para eventos em lugares privados? Já aconteceu alguma situação complicada na produção desses eventos?
Coletivo Extensão: Ao ocupar espaços públicos, nós estamos abrangendo e agregando pessoas, não limitando a determinadas “cenas”. Dessa forma, conseguimos que pessoas que não tenham acesso a esse tipo de evento, seja por não conhecer os artistas, ou por questões geográficas e financeiras, participem sem exclusão. Todo mundo é bem vindo. Nos eventos privados, no entanto, esse público acaba sendo um pouco mais limitado, porém dispomos de uma melhor infraestrutura, evitando problemas já ocorridos, como por exemplo, intempéries vindas de condições climáticas ou, ainda pior, como repressão policial, fato ocorrido em nosso primeiro evento, na cidade de Iperó/SP, onde fomos impedidos de usar um ginásio esportivo público, por retaliação política.

 

 

INSIDE A5: Qual é o maior desafio na produção de eventos independentes? Quais são os lados positivos e negativos de estar na região de Sorocaba? 
Coletivo Extensão: Para nós, assim como para todos os artistas independentes e também o público, o principal empecilho é a falta de recursos financeiros. Acreditamos que somos privilegiados, por estarmos numa região onde a arte e a cultura independente é ativa e forte. O ponto negativo é vivermos numa cidade muito conservadora, cuja administração pública reflete esses valores. No entanto, esse ponto negativo gera uma maior união de pessoas com os mesmos ideais que os nossos.

 

INSIDE A5: O momento atual político brasileiro e mundial colabora ou afeta de alguma forma os eventos independentes? Qual a posição de vocês a respeito desse cenário atual?
Coletivo Extensão: Estamos completamente desolados em relação a esse cenário pavoroso a qual vivemos, já que uma grande parcela da população apoia o atual governo, que vai totalmente contra aos nossos princípios. Somos temerosos em relação a represálias, principalmente pois vemos um número crescente de casos de censura em eventos culturais, mas não desanimamos, ao contrário: isso nos motiva a continuar ocupando espaços, porque isso, mais do que nunca, se faz necessário.

Mar de lobos no Focinhada 3 no Pupa Eventos (2.06.2019) Foto - Mayara Vieira

 

INSIDE A5: Como fazer as pessoas saírem das redes sociais e vir para os eventos?
Coletivo Extensão: Achamos difícil nadar contra essa maré, por conta disso tentamos utilizar as redes sociais ao nosso favor, divulgando o conteúdo de nossos eventos, de maneira audiovisual e informativa. Também priorizamos estreitar os laços de amizade com as pessoas, já que o CE é itinerante, o que facilita essa proximidade.

 

INSIDE A5: Quais livros|filmes|séries|podcasts|documentários vocês nos indicam? Que tenha somado de alguma forma para o Extensão.
Coletivo Extensão: Achamos que não dá pra dizer que determinado filme ou livro tenha contribuído, de fato, para o CE, já que cada um dos integrantes é um indivíduo com suas referências próprias. O que realmente nos inspira é conhecer pessoas e suas vivências, sejam elas amigos, artistas e outros coletivos que tenham um propósito semelhante ao nosso.

 

INSIDE A5: Quais são os próximos passos do Extensão? Eventos, planos, rascunhos que tem no gatilho que podem nos adiantar.
Coletivo Extensão: Nossa ideia principal, no momento, é voltar a organizar eventos em locais públicos. Nesse meio tempo, planejamos outros eventos, como o Cosmotopia, que acontece no dia 15 de setembro, aqui em Sorocaba, em parceria com o Coletivo Supernova. Participe do evento no Facebook.

 

INSIDE A5: Aquela mensagem final?!
Coletivo Extensão: Agradecemos demais ao Inside A5 pelo espaço e por sempre nos apoiarem e ajudarem em nossos eventos. Também agradecemos as bandas, artistas e amigos, que sempre nos fortalecem e nos inspiram a continuar a nossa missão. Deixamos o pedido final ao público para que colem nos eventos, prestigiem os artistas e apoiem a cena independente da região.

Fogo nos fascistas!

Vermenoise na Praça da Marinha em Iperó (5.11.2016) Foto - Chris Justtino

 

Links importantes sobre o Coletivo Extensão

Inside A5 entrevista Antilhano

Os moleques do Antilhano acabaram de lançar seu primeiro EP, o “A Última Barreira”, conversamos um pouco de como foi o processo de gravação, referências e sobre o cenário do interior, confira.

 

INSIDE A5: Como e quando começou o Antilhano? Qual era a ideia inicial da banda?
Antilhano: Quando a banda começou não existia um intuito de gravar ou sair para fazer shows, eram só melodias feitas em poucos finais de semana para nós mesmo. Mas o sentimento de estar ao lados dos amigos e o ativismo pessoal de cada um da banda fez com que tivéssemos que tirar do papel.

 

Capa & Design por: Felipe Fogaça

INSIDE A5: Como foi o processo de composição e gravação do “A Última Barreira”?
Antilhano: O início da criação dos acordes foi num tempo livre, sem muita pretensão, juntando acordes tortos e influências musicais, estas quatros primeiras músicas foram idealizadas, de maneira bem simples mesmo, pois o único equipamento que geralmente estava disponível, era uma guitarra desplugada, sem qualquer equalização decente.

As letras tiveram um processo diferente, pois quando começamos a criação delas, já tínhamos as prévias das músicas em demo (sem voz), assim convidamos nosso amigo Rodolfo Grosso e partimos para gravar.

A gravação em si, ficou estagnada por alguns meses (por conta de problemas pessoais dos integrantes), voltamos em fevereiro de 2019 e terminamos de gravar com o mestre Rodolfo Della Violla (Anti-Herói Produções), o mesmo ajudou nas composições e deixou nosso material em uma qualidade incrível.

Foto por: Dhyego Xinxilah

INSIDE A5: O que quer dizer “A Última Barreira”? Sobre quais são os temas das músicas?
Antilhano: A postura da banda sempre será antifascista, por isto a última barreira é um nome que sintetiza tanto esse nosso primeiro EP, quanto o que a banda quer passar. Os estudantes, a classe trabalhadora e a classe intelectual sempre serão o alvo de governos fascistas, com isso, nós seremos a última barreira contra o fascismo!
Esse nome se inspira na palestra do Vladimir Safatle chamada: “Nós somos a última barreira contra o fascismo”, assista aqui.

1835: A Revolta dos Malês aconteceu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835 é um dos pontos mais importantes para história negra Brasileira, por isso decidimos contar a noite em que os nossos se levantaram e fizeram da rebelião a sua tentativa de liberdade, o que é uma grande referência de vida para nós, tentar se libertar das amarras e lutar por sua liberdade.

Perceber e Posicionar: Esse som é uma mistura de muitas indagações, refletindo todas as mazelas criadas pela desigualdades de classes e pode ser refletido muito mais a fundo. Materiais que ajudaram na composição foram: You can’t be neutral on a moving train, Panteras Negras (1995), O Grupo Baader-Meinhof (2008) e o CrimeThinc – Receitas de Desastre.

Acab: Baseamos-se no embate de Luiz Eduardo Soares sobre as questões da brutalidade policial em SP e no mundo, assimilando também as nossas vivências, ACAB é nossa música que tenta explicar (para quem ainda não entendeu) que a polícia é feita para matar gente preta, pobre e periférica.

Better Days: Construir dias melhores é uma forma de sobreviver, por isso consideramos que em meio a tanto pessimismo e negativismo que vivenciamos entre os nossos, é bom refletir sobre dias de esperança, pois já evoluímos muito e nunca foi fácil se livrar das amarras.

 

INSIDE A5: Quais livros|filmes|séries|podcasts|documentários vocês indicam? Alguns deles vocês usaram como referência ou inspiração?
Antilhano: Atualmente cada um de nós tem suas preferências de leituras e estudos, entretanto, porém existem certas obras que nos aproximam.

Livros, podemos citar: “Marighella – Manual do Guerrilheiro Urbano”, pois as questões de guerrilha é um ponto em comum de todos.

Sobre filmes: They Live (1988) é uma das grandes influências de todos na banda, pois retrata de uma maneira Thrash questões sobre o marketing e a publicidade massiva das cidades, sendo assim um clássico para todos nós. The Edukators (2004) e O Grupo Baader-Meinhof (2008) são os melhores no quesito de reflexão pois eles mostram de maneira aberta em seus diálogos a profundidade da luta e nos inspiram a atuar contra as forças do autoritarismo .

Os podcasts: “Guilhotina” do Le Monde Diplomatique, “the Ex-Worker” e “Do it Yourcast”, são grandes referências.

Documentários: O “Menino 23” que conta a história da propagação da escravidão no Brasil após o fim da escravatura é extremamente essencial para entendermos como se estrutura as questões de racismo no Brasil, “O dia que durou 21 anos” e “Cidadão Kane” são bons para olharmos e analisarmos a formação da manipulação do autoritarismo e da manipulação, assim são indispensáveis para o entendimento da realidade atual e o doc “Terráqueos”. que é essencial que todo ser humano assista e repense sobre certas questões.

 

Foto por: Dhyego Xinxilah - Julho 2019

INSIDE A5: Como o cenário político brasileiro impacta na cena independente? O que vocês acham dessa “balbúrdia” atual? Tem uma luz no fim do túnel?
Antilhano: O cenário atual nos afeta brutalmente no quesito pessoal, em volta dele cria-se um sentimento de fim e de uma guerra perdida, entretanto, a música ou qualquer outra forma de arte também tem um protagonismo gigantesco nesses momentos de letargia.
Mas é lógico, existem desmontes e uma repressão cada vez menos velada vinda da polícia sobre quem grita sobre resistência ou subversão, por isso temos que tomar certos cuidados, porém sem deixar de acreditar em dias melhores.

 

INSIDE A5: A produção de eventos, artes, grupos de estudos além da banda é essencial? Vocês participam de algum projeto?
Antilhano: Cada integrante tem suas aspirações diversificadas, Danilo é integrante do grupo de estudos anarquistas da Ufscar e faz Geografia na mesma instituição, Rafael é jornalista e participa de outro projeto chamado Mangata, junto com Afonso.
Afonso, que é artista Urbano, espalha sua idéia através de lambes* pela cidade, além de ser ciclista nato, lutador de krav maga e guitarrista de diversos projetos como Mangata e Mutualismo, Rodolfo Grosso faz o Interior Hardcore nas cidades de Salto e Itu e é vocalista na banda Noise Against The System (NATS). Murillo Fogaça é um dos fundadores do Inside A5, vocalista da Make it Stop, também participa em projetos beneficentes na ONG Associação Criança Feliz, que ajuda crianças em situação de dificuldade de aprendizado e participa da LSI (Liga dos Secundaristas Independentes) que estuda Anarquismo, Comunismo e Autonomia.

 

INSIDE A5: Quais são os planejamentos da banda para os próximos meses? Quais são os maiores objetivos a se alcançar?
Antilhano: Estamos querendo sair para tocar no máximo de cidades que pudermos e fazer chegar a nossa mensagem ao máximo de pessoas. Temos alguns shows marcados e esperamos ver todos que estão lendo essa entrevista presentes (todas as datas em nossas redes sociais).

Vamos as gravações do nosso próximo single em breve, fiquem de olho!

 

INSIDE A5: Uma mensagem final:
Antilhano: Agradecemos pelo espaço e todo suporte que a Inside A5 disponibiliza para nós, ficamos muito gratos pela oportunidade de conceder essa entrevista e que possamos juntos, confrontar toda a opressão! 🙂

 

 


 

Antilhano nas redes:

 

Inside A5 entrevista Time And Distance

Vegan Straight Edge Political, o Time And Distance acaba de lançar o “Wounds”, trocamos uma ideia sobre esse lançamento, tours e politica.

 

INSIDE A5: Vocês lançaram recentemente um novo EP, como foi o processo de criação do “Wounds”? Onde ele foi gravado? Saiu material físico desse mesmo?
Luis: Em princípio a idéia era fazer um full lenght, com umas 10 músicas, que ficasse pronto para a tour na Europa, mas todo mundo é bem ocupado e tem o lance de morarmos em lugares diferentes… então conseguimos produzir 7 sons, gravamos com o Diego Rocha no Estúdio Bay Area e mixamos com o Bil Zander, escolhemos 6 e editamos o EP com o auxílio dos selos Palpebrite e Youth 2 Youth (Polônia). No fim, ficamos muito satisfeitos com o resultado, tanto das músicas, quanto da arte, conteúdo… achamos que é o nosso melhor. Musicalmente fomos encontrando uma identidade própria, uma mistura de várias coisas que influenciam a gente, que fica bem mais clara nesse disco.

Rodrigo: Além das questões citadas pelo Luís, como morar longe e a falta de tempo, desde que entrei na banda parece parte natural do nosso modus operandi fazer as coisas quando a gente já percebe o tempo limitado e os prazos se aproximando, deveríamos ser mais disciplinados nesse sentido, mas confesso que há uma certa diversão nesse nosso processo também. Independente da corrida contra o tempo, contra os prazos e contra nós mesmos, esse EP com certeza pode ser considerado uma das melhores coisas que já fizemos enquanto banda.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoasINSIDE A5: Quem fez a capa do Wounds e o que ela representa? Saiu um zine sobre as músicas, pode nos contar sobre?
Luis: Foi o Rodrigo Corrêa (Piá), nosso guitarrista. Ele tem se dedicado a produzir arte/colagens/zines (ver a página dele no instagram @sobinfluencia) e ninguém melhor do que ele pra tentar traduzir visualmente a idéia por trás desse disco.

O disco em si carrega uma idéia de anti colonialismo econômico e cultural, um questionamento sobre a perda da nossa autonomia e identidade enquanto latino americanos, pessoas do terceiro mundo… A gente vem pensando muito nisso desde a primeira tour na europa. Sobre como as pessoas do terceiro mundo são tratadas como inferiores em relação as pessoas dos países ricos. Mesmo no meio hardcore punk, onde isso é um pouco mais tênue, existe um racismo e uma hierarquia velada. Por exemplo: Se houver um show de uma banda dos EUA na Europa, mesmo que seja uma merda, todo mundo vai e compra tudo. Enquanto bandas como nós e o Remission (na nossa opinião uma das melhores bandas do mundo em termos musicais) fomos tesourados do Fluff Fest… E nós vamos continuar copiando o hardcore americano/europeu? Por quanto tempo? Por que? Vamos ficar alimentando essa postura de superioridade?

Na nossa opinião, a raiz desse problema é a mesma que afunda a América latina numa posição de completa dependência e submissão. Que inclusive impede pessoas dos países pobres de tentar uma vida melhor em um continente que foi construído e tem se mantido com as riquezas e mão de obra barata dos países do terceiro mundo. Pra poder explicar isso melhor, o zine que acompanha o EP tem 6 textos, escritos por autores diversos e por nós, além de artes que expressam esse sentimento idéia.

Rodrigo: Há algum tempo em que venho me debruçando sobre algumas experimentações estéticas e a colagem tem sido a principal linguagem nesse sentido. A arte que ilustra a capa do EP e do zine é de uma foto do período em que o Brasil estava sob o regime militar, uma foto bastante emblemática, onde a massa caminha sob um par de coturnos. E assim como o Luís disse acima, a ditadura nos países latino-americanos são justamente isso: especulação, violência, colonialismo, a manutenção da condição de terceiro mundo dos países do sul global, exatamente o que vivenciamos agora.

 

INSIDE A5: Quais livros|filmes|séries|podcasts|documentários vocês se inspiraram ou usaram como referência para compor as músicas do novo material?
Luis: Temos escutado muitos podcasts diferentes como o Foro de Teresina, Anti Cast e o Zona Autônoma Literária. Nesse disco, o livro que mais me influenciou foi o As Veias Abertas da América Latina do Eduardo Galeano. É um livro velho, mas acho que é uma crítica altamente necessárias para o momento político que os países Latino Americanos estão passando no momento.

Rodrigo: Estive alheio de boa parte do processo de composição do disco, mas tenho algumas indicações, principalmente de filmes e livros que dialogam com as músicas do EP: Colonialismo: Sobre a Violência (Concerning Violence, mais fácil de achar, documentário), Ditadura Militar: Combate nas trevas, Jacob Gorender, Fascismo: Como nasce e morre o fascismo, Clara Zetkin Imperialismo/guerras culturais/informacionais: Guerra Híbrida, Andrew Korybko. Podcasts: Lado B do Rio, Revolushow, Do rio que tudo arrasta, Rádio Jacobina…

 

INSIDE A5: Como foi a Tour Europa 2019 com o Vicious x Reality e Protein X? Quais as diferenças atualmente do cenário europeu para o brasileiro?
Luis: Pela primeira vez na vida, ficamos sem vontade de voltar pra casa. Nós já tínhamos feito a tour do Vicious Reality no Brasil e ficado amigos deles. Eles lançaram nosso disco, então tudo rodou muito bem. Tocamos shows muito bons em Berlin, Krakow, Viena e ainda tocamos em lugares que não tínhamos ido como Oslo, Copenhaguen, Malmo, Upsala, Trnava, Praga… Além dos shows, as viagens foram mais curtas e conseguimos aproveitar mais os lugares, pular das pedras num lago na Polonia, num rio a noite na Suécia, saltar do cais do porto em Oslo, fazer alguns pic nics, etc. Sobre as diferenças, eu acho que a globalização meio que pasteurizou o comportamento das pessoas, o visual, a música… O show de Malmö (Suécia) talvez tenha sido o show mais impressionante nesse sentido, bandas boas e de estilos muito diferentes, bastante gente diferente, uma identidade própria, uma clima de diversão e respeito.

Rodrigo: Foi incrível, tudo funcionou perfeitamente, conseguimos aproveitar as cidades, conversar com as pessoas, criar novos laços e estreitar os antigos. As diferenças são evidentes quando falamos de estrutura, na maioria dos países que passamos percebemos que as condições para se ter uma banda, gravar um disco, organizar um show, eram minimamente respaldadas por uma condição de bem-estar social e até incentivo do próprio governo. Tudo estava garantido, bons equipamentos, comida e até uma grana, mesmo com shows vazios em algumas cidades, tudo estava lá, pronto. Óbvio que existe muito esforço e gente se dedicando pra isso, mas os latinos sabem bem identificar quais são as diferenças no dia-a-dia (risos).

 

INSIDE A5: Vocês são uma banda que já fizeram muitas tours, qual a importância da estrada para a banda? O que podem aconselhar a outras bandas que querem cair na estrada?
Bruno: Acho que a estrada pra mim significa alcançar mais ouvidos, conhecer e tentar mudar impactar mais pessoas.

Luis: Além do que o Bruno falou, a gente se diverte muito na estrada. Tem um bom espírito para lidar com problemas (grana, pneu furado, roubo de van, equipamento que não funciona, falta de banho, dormir no chão, procurar comida, etc) e está sempre aberto pra tudo. Pra tocar em squat, em centro cultural, no quintal de uma casa… Pra se divertir com coisas estúpidas, pra aceitar o que vier. Eu acho que esse pode ser um conselho: dizer sim para o que se apresentar (seja tomar banho de piscina, ir numa festa ou assistir uma palestra).

Rodrigo: Acho que a importância da estrada pro Time and Distance é fazer que a banda simplesmente continue existindo. Haha Em todas as vezes foram lugares incríveis os que conhecemos, amizades que ultrapassaram os anos, experiências que nos permitiram aprofundar nossa percepção diante do que significa se mobilizar para acessar determinados espaços, pessoas, atividades, enfim… A estrada educa também.

 

INSIDE A5: A filosofia Straight Edge muda alguma coisa na sociedade? O que acham do Straight Edge atualmente? comparado ao seu início.
Luis: Straight Edge é um termo/postura bastante amplo, aplicado de formas muito diferentes. Eu, pessoalmente, não me identifico com o Straight Edge consumidor de discos que fica fazendo posts na internet sobre qual banda é melhor e qual banda é precária. Também não me identifico com o comedor de carne e leite, acho que é preguiçoso e opressor. Não me identifico com o espírito de gangue, de ser violento ou intimidador, acho uma merda machista e insegura. Acho uma estupidez absurda, nada a ver com o Straight Edge que eu conheci, que é algo questionador/contestador, um passo pra você se tornar mais consciente e envolvido com uma série de questões pessoais e políticas, algumas delas muito simples, como respeitar os limites das outras pessoas, especialmente mulheres, como não enganar as pessoas, enfim. Straight Edge é política, de extrema esquerda.

Rodrigo: Na sociedade, não sei. Talvez em algum momento da nossa vida seja importante perceber que se quisermos “mudar alguma coisa na sociedade”, o melhor a se fazer é extrapolar os limites da cena, seja ela punk, straight edge, crust, ou o que for. O straight edge? É punk. E que seja antifascista e anticapitalista.

 

INSIDE A5: O quanto a política está envolvida com a música para vocês? Qual a opinião de vocês sobre esse caos atual brasileiro?
Luis: Cada vez mais envolvida. Nas últimas gravações (Walls, Split e Wounds), todas as músicas tem um cunho político. Temos procurado escrever, falar e discutir sobre as coisas que tem nos afetado, principalmente no contexto de um governo autoritário, sustentado por uma base moral extremamente conservadora e uma orientação econômica neoliberal, com a sobreposição clara e declarada de interesses econômicos/mercadológicos sobre as necessidades das pessoas que trabalham/das pessoas pobres e do meio ambiente.

Rodrigo: Até pouco tempo atrás termos como “fascismo”, “opressor”, “reacionário” pertenciam a um léxico basicamente punk, poucos estilos musicais além do rap traziam as mesmas abordagens com tanta frequência e assertividade na denúncia. Hoje vemos que todas essas palavras pertencem a universos distintos e suscitam preocupação em pessoas vindas de lugares muito diferentes do lugar que viemos. Acho que na verdade é isso mesmo, tudo sempre foi política.

INSIDE A5: O que vocês desejam alcançar com a banda que ainda não foi possível? Quais os planos futuros? Novos materiais, tours, formações, etc.
Luis: Tem muitas coisas pra fazer. Gravar um full lenght, escrever mais textos. De concreto, neste momento, temos discutido a possibilidade de fazer uma tour nos eua, américa central ou na ásia. Também queremos assumir mais a organização de shows, movimentar as coisas da forma como acreditamos ser ideal.

 

INSIDE A5: Para finalizar:
Luis: Obrigado Inside A5. Gostaria de aproveitar o espaço para recomendar algumas bandas boas que tocamos junto na Europa, de diferentes estilos e propostas e que podem interessar a quem ler a entrevista: Protein e Bright Light (Polonia), Ill Fit (Suécia), Modern Love (Noruega), Make Peace (República Checa), Eat My Fear (Alemanha), Better Run (Áustria) e FAIM (banda do Estados Unidos, que estamos planejando uma possível tour no Brasil com eles).

 


 

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5 bandas fodas que acabaram #1 (versão interior)

Tem bandas que marcam sua vida de certa maneira que é indescritível falar sobre, mas ouvir suas músicas, rever cartazes, relembrar os shows, eventos é bom demais. Tem muita banda boa que passou e infelizmente não está mais na ativa, essa série surgiu na ideia de recordamos algumas bandas marcantes que não estão mais na ativa.

 

Nautica (Sorocaba/SP)

Navegantes de terras melódicas, eu tinha que começar com essa banda, esse projeto do qual fiz parte e ajudei a fundar. Começou em janeiro de 2012, a ideia inicial era ter influências de bandas como Hot Water Music, At The Drive In, Descendents, mas conforme o tempo passou acabou vindo influências de coisas diferentes como pop punk, math rock, alternativo, etc. Fizemos muitos shows, compusemos muita coisa e lançamos 2 singles de 2012 até 2014

Em 2014 eu saí da banda, porém a banda seguiu firme, compondo e tocando, até que 2017 gravaram seu EP, com músicas de todas as fases, o “Desapego” ficou um trabalho lindo.

Ambos membros estavam morando em cidades diferentes e com outros projetos, o que foi ficando difícil a banda se manter, além de que a sonoridade estava diferente, o que incentivou a banda em mudar de nome, se tornando o “Folhas não são más” e decretando o fim do Nautica.

Escute nos links:

• Bandcamp 
• Spotify 
• Youtube 

 

 

Instinto (Votorantim/SP)

Quando comecei no rolê Hardcore, basicamente não conhecia nenhuma banda da região de Sorocaba, lembro que com 14 anos fui em um show do CPM22, sozinho mesmo, na cara e coragem. Chegando lá se tratava de um festival onde tocariam diversas bandas da região, e uma delas era o Instinto, vi as mais diversas bandas, mas confesso que nenhuma chamou a atenção, como o Instinto me chamou, era um Hardcore melódico com punk rock, muito bem executado, com influências das mais diversas que ia de Gritando HC, Fistt, Bad Religion até chegando no próprio CPM22.

A banda começou suas atividades no ano de 1996 na cidade de Votorantim, de início teve sua fase punk até se aproximar mais do hardcore, eles tem diversas participações em coletâneas da época, demos, um álbum cheio intitulado “Todo dia quando o sol nascer”, um EP intitulado “Sobre passos diferentes” e diversos vídeo clipes. Se você não conhece, vale a pena conhecer!

Escute nos links:

• EP “Sobre Passos Diferentes”
• Videoclipe de “Uma Luz”
Videoclipe de “Em teu Olhar”

 

 

Warehouse (Piracicaba/SP)

Desde que conheci Piracicaba e algumas pessoas que vivem lá, sempre me apresentaram boas bandas, o Warehouse é mais uma delas. Tive o prazer de organizar uma passagem deles por Sorocaba, foi um show incrível, que bate uma saudade.

Punk melódico Straight Edge de Piracicaba, naquela escola que amamos: Lifetime, Gorilla Biscuits, Avail, etc. Letras bem escritas, dessa vez aparentemente menos políticas e mais sociais, me chamou muita atenção na época cada música ter um texto complementar sobre o assunto, importante demais.

A banda esteve na ativa de 2015 a 2016 e nesse tempo deixou uma Demo com 5 sons, que podem ser ouvidos em:

• Bandcamp
• Youtube
• Live

 

 

Seele (Sorocaba/SP)

O Seele foi uma banda de Hardcore aqui de Sorocaba, no qual já ouvi falar muito, por conta dos meus amigos que tocaram na banda, ouço muitas histórias sobre eles.
A banda esteve na ativa entre 2004 a 2006 e tem lançado um full álbum, intitulado “Atue sobre vontade própria” com influências de bandas como: Colligere, Overlife Inc, Street Bulldogs, etc.

Conheçam o trabalho deles através do link:

• Youtube

 

 

 

Esdras (Sorocaba/SP)

Sem dúvidas uma das bandas que marcaram Sorocaba nos últimos anos, arrastou uma porrada de pessoas para os eventos e com certeza deixa muitas saudades.

Muito peso e técnica nas guitarras do Valsechi e do Kenji, vocal marcante do Tique, com grande influência de rap desde as composições até na forma de cantar e com um grande profissionalismo que não vemos tão facilmente nas bandas do interior.

O Esdras é uma banda Metalcore, que iniciou suas atividades em 2010, eles tem um EP gravado, intitulado “Mais próximo do fim”, canções como “Reencontro”, “Chuva de Fogo” ou “Snake”, ficaram pra história do cenário do interior. Conheça o trabalho deles nos links:

• Bandcamp
• Youtube
• Videoclipe de “Reencontro”
• Spotify

 

Essas são só 5 bandas que achei legal citar para quem não conhece e para quem conhece relembrar um pouco, em breve vão rolar novas listas com mais bandas do interior e de fora, mas por enquanto vai ouvindo essas nos links acima, até a próxima!

 

Texto por: Felipe Fogaça

Release do álbum “Behind the Sun” do Turning Off

Com menos de dois anos de caminhada, Turning Off lança seu primeiro material de estúdio.

O álbum de estreia, intitulado “Behind The Sun”, foi lançado na última quarta-feira, dia 31/07/2019, e conta com 10 faixas, totalizando 15min de música, que fecham essa primeira fase da banda, marcada pelo contraste entre energia, melancolia, técnica e crueza.

Quem já acompanhava a banda desde o início não teve muitas surpresas, pois, as músicas “Believe Me” e “Days That Never End”, lançadas anteriormente como singles, já nos mostravam aquele som rápido e melódico, com letras sinceras e emocionadas que estava por vir. As únicas e ótimas surpresas foram os vocais graves do Alex Galdino (baixo) na música “Work”, dando um tom mais agressivo ao som, e a música “Save Me”, última faixa do disco, que já nasce como aquele hino perfeito pra galera cantar junto nos shows.


Merece destaque o incrível trabalho realizado na arte de capa do álbum, que conta com uma foto e composição da Chris Justino e design pelo Victor Costa, que também fizeram as capas dos singles lançados anteriormente pela banda, sempre dentro de uma estética característica do Emo da década de 90.

Outro ponto importante desse álbum é a estreia do Rodolfo Della Violla como produtor musical. Rodolfo, que é guitarrista das bandas INNER e Afoite, vem trabalhando na produção dos novos materiais de suas próprias bandas e de outras bandas de Sorocaba/SP, como Antilhano e Make It Stop. O produtor também teve participação como guitarrista na música “Believe Me”, que é a terceira faixa do disco.

Atualmente o quarteto de Hardcore/Skate Punk de Sorocaba/SP é formado por Diogo Camargo (guitarra e voz), Alex Galdino (baixo e voz), Rafael Monari (guitarra) e Vinícius Knup (bateria), porém, Vinícius passou a integrar o grupo somente após a composição e gravação do disco, que contava até então com Monari na bateria e Diogo segurando sozinho a guitarra.

 

O show de lançamento de “Behind the Sun”, já com Vinícius na bateria, está marcado para o próximo sábado (03/08) às 21hr no Sound Bar em Sorocaba, onde, além da Turning Off, vai rolar também as bandas Restos de Aborto (Tatuí SP), Mar de Lobos (Iperó/SP) e Superbrava (São Vicente/SP).

Agora nos resta curtir esse baita álbum, colar nos shows e aguardar o que mais a banda estiver preparando por aí.

 

Escute o álbum “Behind the Sun”:

– Spotify
Youtube

Confirme presença no show  do Turning Off de lançamento do “Behind the Sun” ao lado do Restos de Aborto, Mar de Lobos e Superbrava: 

–  Facebook

 

Release por: Otávio Machado

Inside A5 entrevista Toxic Carnage

Uma banda esdrúxula de trombadinhas mal encarados desferindo um barulho ensurdecedor que ousam chamar de música. eis a Toxic Carnage.
INSIDE A5: Como foi o processo de composição e gravação do “Doomed From The Beginning”? O cenário político/realidade brasileira atual influenciaram de alguma forma?

Toxic Carnage: Cada música é algo único e foi feita de forma totalmente individual, muitas vezes com anos de diferença, por exemplo, Biological Attack e Psycho Shredder estão na primeira demo da banda de 2009, então é muito complicado falar que “o cenário político e a realidade atual brasileira influenciou”, eu prefiro dizer que o cenário político mundial, a história da humanidade e o curso que nós como humanos tomamos que influenciaram todas as músicas da Toxic, até as mais recentes.

Quanto a gravação, a banda depois de muitos anos estava decidida a gravar um full, pegamos as músicas que mais gostamos, adicionamos novas composições e com tudo decidido, fechamos o estúdio e gravamos.

 

INSIDE A5: Tem algum livro|filme|série que vocês se inspiraram para esse novo material? O que indicam?

Toxic Carnage: Existem muitas inspirações para praticamente tudo que escrevemos, de filmes de terror a livros de história, de recortes de jornal a situações que vivemos no underground, mas podemos indicar algumas coisas como, a música L.O.D. (Lady Of Death) é totalmente inspirado na história da Lyudmila Pavlichenko.

Temos referências dos filmes Madrugada dos Mortos e Dia dos Mortos de George Romero também,  na letra da Living on Parole (que o título por si é uma referência a Motorhead) fazemos referência a Farscape (Killers on the Loose) a Inepsy (Born for the Road) entre outros…. acho que pra responder essa pergunta corretamente precisaríamos fazer um “música a música”.

 

INSIDE A5: Material físico é importante ainda para uma banda? Do material novo alguma música vai virar vídeo?

Toxic Carnage: Material físico é extremamente importante para nós, já estamos estudando como vai ficar a prensagem e esperamos ter as cópias físicas do CD em mãos o quanto antes, e também faremos camisetas, moletons e bermudas pra vender nos rolês. Adoraríamos ter esse material também em vinil, é uma possibilidade que precisamos estudar. Quanto a fazer vídeos das musicas do álbum, ainda não colocamos isso em prática, por enquanto temos um lyric vídeo da música The Beast Inside Me, que fizemos para o lançamento do full, mas temos sim a ideia de fazer vídeos dos sons, desde que as ideias sejam legais e bem executadas.

 

INSIDE A5: O que acham do estado político atual mundial e no Brasil? Qual o posicionamento de vocês?

Toxic Carnage: No geral acreditamos que o maior inimigo político é o conservadorismo, e isso vem disfarçado de diversas formas como “tradição”, ou na forma de religião. Temos observado um grande aumento dos discursos de ódio, principalmente com o atual governo dando voz a pessoas homofóbicas, xenofóbicas, machistas, racistas, além do acentúamento da truculência policial, e somos totalmente contrários a tudo isso.

 

INSIDE A5: O que opinam sobre a cena independente do interior e nacional? Que bandas vocês gostam ou indicam?

Toxic Carnage: Podemos dizer que existe muita coisa boa e muita coisa ruim no underground nacional, eu vejo muita gente dando o sangue pra conseguir manter a chama acesa enquanto vejo muita gente pilantra sabotando a cena em prol de interesses próprios. Mas independente de ter as maçãs podres, mais importante que tudo isso, é que existimos e somente isso já é uma afronta ao “comum” ao “socialmente normal” e mesmo que com poucos fazendo a resistência underground, mesmo com cada vez mais casas de show sendo fechadas, cada vez mais bares sendo impedidos de promover shows, mesmo com esse avanço crescente contra a cena. NÓS EXISTIMOS, e vamos continuar existindo e vamos continuar resistindo.

Quanto a indicações, vamos fugir do básico pq da pra sentir claramente que gostamos de Toxic Holocaust, Violator e Gehennah… e indicar Baba de Sheeva (Legalize Crossover de Goiânia), somos muito fãs do PPC, Flagelador e Imminent Attack! Algumas bandas novas que estão na cena também valem muito a pena, como o Damn Youth por exemplo, além das bandas companheiras do interior: Vermenoise, Ructus, Turning Off, Wolf Among Us, Make it Stop, Afoite, Mar de Lobos entre outras que estão produzindo coisas muito legais. ISSO!

 

INSIDE A5: Quais são os futuros planos da banda? 

Toxic Carnage: Nesse exato momento, tocar, tocar, tocar e tocar 😀
Claro, já temos um próximo som bala na agulha pra soltar como single ou para colocar em um próximo split, até temos em mente um split com uns vermes barulhentos mas nada oficial, nada confirmado, nada de nada, apenas, ideias.

 

INSIDE A5: Considerações finais:

Toxic Carnage: Nós da Toxic estamos muito satisfeitos com o resultado desta gravação, estamos muito orgulhosos da qualidade sonora que conseguimos alcançar, estamos muito felizes pelo feedback que estamos recebendo quanto a esse release e agora é colher os frutos e tocar, tocar MUITO.


Um Abraço a todos,
Keep Thrashing.

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Toxic Carnage nas redes!

Links importantes sobre a banda