Inside A5 entrevista Pain

Pain de Americana, lança seu primeiro EP “Dealing With Loss” que mescla influências dos anos 90 como Jawbreaker e Samiam e do início desta década como Title Fight e Superheaven.

 

INSIDE A5: O Pain é uma banda nova, gostaríamos de saber como foi a iniciativa de começar a banda?
Guilherme Turco: Quatro das seis faixas de “Dealing With Loss” surgiram simultaneamente com as 8 primeiras faixas da demo da Strong Reaction. É quase como uma necessidade ter os dois canais para me expressar por completo. Liricamente mais frágil e pessimista, e instrumentalmente existem muito mais possibilidades, muito mais lugares onde podemos retirar influências. O oposto de uma banda de hardcore onde o instrumental é limitado e liricamente existe uma postura afirmativa no espectro sócio-político.

 

INSIDE A5: Vocês lançaram recentemente o EP “Dealing With Loss”, como foi o processo de composição e gravação dele?
Guilherme Turco: Como dito anteriormente, quatro dos seis sons desse EP já estavam prontos no fim de 2014, começo de 2015, os outros dois saíram em 2016. Em 2018 comecei a passar as músicas com o Claudio e ao mesmo tempo trabalhar a segunda guitarra com o Boni. Por fim chamamos o Adriano para o baixo e processo foi o mesmo. Gravamos no estúdio Sunrise, do Ali Zaher Jr, em Araraquara, porque o Hurry Up havia gravado lá e o resultado foi impressionante. Ali não só gravou, mixou e masterizou o álbum como também ajudou a produzi-lo, propondo algumas alterações nas músicas, como em Goodbye (última faixa), que após mudança na linha de bateria a música apresentou o efeito esperado. Foi uma semana de total imersão, onde desde que acordávamos, só falávamos e pensávamos sobre essas músicas, num estúdio com uma acústica e estrutura impecáveis.

 

INSIDE A5: As letras tratam sobre quais assuntos? Os sons do EP são em inglês, vocês acreditam que isso pode dificultar de alguma maneira a mensagem? Existem planos de fazer músicas em português?
Guilherme Turco: As letras tratam de problemas financeiros e familiares, culpa, ressentimento, insegurança e melancolia. Com certeza o fato de as letras serem composta em inglês dificulta o acesso e propagação das mesmas, mas é a maneira como as letras surgem naturalmente pra mim, e em um nível onde acho que posso expor isso para outras pessoas, seria interessante lançar algum material em português, mas não há de fato um plano.

 

INSIDE A5: Que bandas vocês gostam? Tanto como referência ou pra ouvir em casa tranquilamente.
Guilherme Turco: No que diz respeito a essa banda, as que se assemelham a ela são, principalmente, bandas dos anos 90 como Jawbreaker, Samiam, Knapsack, Penfold, Rival Schools (que não é exatamente dos anos 90), The Get Up Kids, American Football. Algumas bandas do começo da década como Title Fight, Turnover, Citizen e Superheaven. Outras influências que surgiram paralelamente à vertente que influenciam o som seriam Dinosaur Jr, The Cure, Smashing Pumpkins e My Bloody Valentine.

 

INSIDE A5: Americana é uma cidade com muitas bandas ativas, fazendo muito material bacana, como é pertencer a essa cena? Quais são os pontos positivos e negativos?
Guilherme Turco: De fato, passamos por um momento relativamente produtivo, mas sinto que a Pain e a Strong Reaction existem à parte deste cenário, com exceção da Hurry Up, que é bem próxima devido ao Claudio tocar com eles também e nos conhecermos há anos, não há um grande vínculo com o restantes das bandas.

 

INSIDE A5: O que podemos aguardar para os próximos semestres? O que desejam alcançar a longo prazo?
Guilherme Turco: Tocar em Sorocaba hahaha (é quente). Pretensões padrões para qualquer banda, tocar o máximo possível e que comunicação pretendida seja alcançada, que possibilite compreensão, acolhimento e identificação para quem possa precisar, ainda que distante de onde estamos. Lançar um disco cheio ainda no ano que vem, se possível. Alguns sons novos já estão prontos e o Boni também tem riffs muito bons para futuras composições.

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Guilherme Turco: Zicos, gostamos de vocês dois para caralho, então, qualquer oportunidade de fazermos algo juntos já é um enorme prazer. Ficamos feliz por nos cederem espaço para falar do nosso novo projeto, e pelo suporte de sempre. Um salve rapa de Sorocaba (e região) onde conhecemos pessoas que realmente tenho consideração dentro cultura. Irmãos Fogaça, Vinícius, Wellington, Diogo, Rodolfo, Afonso, Danilo, Daniel, Giu, Alex, Monari, Rafael, Make It Stop, Antilhano, Turning Off e Mar de Lobos, que são algumas da melhores bandas no Brasil de hoje. É nois, vamo até o final!

 

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Pain nas redes!

Inside A5 entrevista Hardcore Contra o Fascismo

O Hardcore segue sendo contra o fascismo!

 

INSIDE A5: Como e quando surgiu a iniciativa desse ato? O que mudou desse 1 ano para cá?
Favela: O Bolsonaro sempre foi uma piada. Uma piada sem graça, mas uma piada. Mas esse fenômeno bizarro de formação de cientistas políticos pelo Facebook/WhatsApp/Youtube fez com que ele virasse de piada à ameaça real. Nunca imaginei que uma pessoa como ele conseguisse grandes saltos na vida, além de pouco expressivos cargos políticos. E com essa eminente ameaça de uma possível vitória dele, achamos que seria prudente começar um movimento de conscientização e posicionamento, afinal, sempre existirão pessoas que ficam em cima do muro. A nossa ideia é de mostrar pra todo mundo o lado que cada um escolheu. Tanto que chamamos os eventos de “ato”, nunca de “show”. O que mudou foi que fudeu, né? O desgraçado ganhou, as coisas pioram a cada dia e não temos muitas perspectivas. Mas, por outro lado também, nós nunca tivemos apoio e nem perspectiva, de modo geral, então estamos acostumados a sempre ser resistência.

Edi: Bem quando começou aumentar essa onda pró Bolsonaro e vimos que realmente a ameaça era séria, resolvemos nos posicionar e influenciado até por um ato que rolou na Alemanha em Berlin no ano de 1999, onde a banda Atari Teenage Riot organizou um ato em prol dos trabalhadores e teve um forte confronto com a polícia, terminando até com a prisão dos membros da banda, lembrando dessa situação nos questionamos, porque não estamos fazendo nada? Daí começamos a criar o coletivo.
O que mudou do início até aqui, foi o foco, eu acho que antes era mais um alerta, do que poderia vir e agora com o Bolsonaro eleito, agora é mais um grito de total resistência.
Pois o princípio básico do Punk-Hardcore é ser Antifascista e ir contra todas essas idéias que estão agora sendo compartilhadas por muita gente, com aval de uma liderança forte.

 

INSIDE A5: Essa onda catastrófica política tem atingido a América do Sul toda e vemos outros países tomando outros tipos de postura do Brasil, o que opinam sobre?
Favela: Eu acho que todo mundo perdeu as esperanças. As promessas da esquerda desapontaram quem acreditava num processo de mudança. Isso fez com que as alas conservadoras ganhassem força, conquistando adeptos desse grupo dos “sem esperança”. Aí um cara pobre, fudido, que passou todos os tipos de necessidade a vida toda, começa a pensar que é tudo culpa da “falta de segurança”. Aí vira esses reaças que todo mundo conhece, que faz uma par de merda, mas acha que “bandido bom é bandido morto”, que cai nessas pilhas de que “tudo é culpa da esquerda” ou que “o comunismo tá dominando o mundo”. É uma bola de neve, difícil de destruir. Com as coisas que estão acontecendo todos os dias, se as pessoas aqui tivessem um pingo de vergonha na cara, esse país já estaria em chamas há muito tempo. Mas é mais fácil acreditar em notícias falsas do que parar para pensar um pouquinho, infelizmente.

Fogaça: Temos muito que aprender com nossos hermanos, principalmente a deixar de lado esse conformismo e buscar as mudanças que acreditamos.

Edi: Existem vários pontos para avaliar nesse assunto, um ponto principal é que nós ainda temos muito que evoluir quando o assunto é política, falo nós incluindo, nós do punk também, porém no senso comum o que perpetua por muito tempo é o que a mídia sempre divulgou, e a Globo, que hoje tem a maior audiência fez uma campanha forte contra o PT e o Lula, e isso criou uma situação na qual muita gente nem sequer foi atrás de informação ou parou para pensar nos interesses que a emissora tinha, e se criou essa onda toda anti-pt, de reproduzir essas idéias anti-comunista (sem saber nem o que é comunismo) anti-direitos humanos e etc, porém ela mesmo não acreditava que o Bolsonaro teria força, e com isso agora faz uma campanha para tentar desmontar esse governo, mas tem muita coisa ruim que vai prejudicar o povo pobre e periférico que para consertar vai levar anos.
Mas outro ponto complicado é que o Bolsonaro cria alianças com a Igreja Universal, que vem como bônus espaço para fomentar suas idéias na Record, e também uma forte aliança com o Silvio Santos e Sbt o que ainda mantém seu público ativo, que é ou “Cidadão de bem” ou Evangélico.
Para finalizar essa questão ainda temos uma verdadeira máfia das fake news, onde isso mantém de certa maneira o povo alienado, ou acreditando que o PT só fez mal ao Brasil, ou que as coisas estão melhorando, por isso a Apatia.

 

INSIDE A5: De que maneira um evento de música, como “Hardcore Contra o Fascismo” ajuda as pessoas em suas lutas?
Fogaça: Para mim foi essencial para entender que não estamos sozinhos nesse combate, que tem muita gente como nós que não está conformado com a situação, que juntos somos mais fortes. Além do ato estar sempre passando informações importantes, seja pela web, seja com as bandas que estão tocando, palestras ou mesmo com as pessoas que comparecem aos atos.

Edi: Como disse lá em cima, eu entendo que seja apenas um grito, para mostrar que estamos aqui e que punk é ter posicionamento contrário a essas idéias compartilhadas por esse governo, porém precisamos ir além, o ato é apenas um lugar para nos reunirmos e daí partir para outras lutas, abrir o leque e ajudar outros projetos sociais.

Favela: Nós chamamos o evento de ato, não de show. Show é, basicamente, só música. No evento que fazemos, obviamente tem música, mas sempre tentamos deixar isso meio que em segundo plano. As bandas tocam pouco, 3 músicas. O nosso foco é mostrar que as pessoas das bandas estão se posicionando, as pessoas que vão estão se posicionando. Além disso, nós colocamos em todos os atos atividades como debate, roda de conversa, rango vegan, exibição de documentário, microfone aberto, silk screen, etc., sempre com temas relevantes. Com isso buscamos, pelo menos, despertar algum tipo de interesse nas pessoas, para que elas depois façam um corre pra entender mais sobre aquilo, tá ligado? Particularmente, eu acredito muito nas pessoas, que elas podem mudar, melhorar e sempre ver o mundo de uma perspectiva diferente, de uma forma mais justa pra todo mundo.

 

INSIDE A5: O ato expandiu para o Brasil todo, como tem funcionado essa rede de pessoas do Hardcore contra o Fascismo?
Edi: Sim tem rolado em outras cidades e isso é muito legal e que siga assim, compartilhando essa idéia de resistir.

Favela: Nós não somos donos de nada. Se você parar para pensar, não estamos inventando nada novo. Quem nos procura para fazer o evento na sua cidade, basicamente, a gente oferece a estrutura mínima, desde que as pessoas queiram seguir meio que o nosso “molde” de evento (não fazer por grana, tentar fazer ocupando um local público, com posicionamento político, que não seja só um simples show de música, etc.). Aí a gente ajuda com o lance das artes, alguma orientação geral de evento, tratamento com a polícia, essas coisas. É o que falamos para todo mundo: não tem segredo, qualquer um consegue fazer. E é isso mesmo que queremos. Anarquia é organização.

Fogaça: Fico feliz em ver que em muitas partes do Brasil existem pessoas gritando contra o fascismo, que essa centelha só cresça.

 

INSIDE A5: Como encorajar as pessoas a buscarem mudanças nesses tempos onde parece que já não existe mais esperança de luz no fim do túnel?
Favela: Essa é realmente difícil de responder. Falando por mim, como eu já disse e costumo dizer, nunca foi fácil. Sempre fomos os fudidos, os pobres, os excluídos, os maus exemplos, que nunca tiveram esperança nem perspectiva de mudança. Então meio que não mudou nada, né? Continuamos sendo a resistência, sabe-se lá por quê. Eu continuo acreditando que as pessoas podem mudar, que vão conseguir reconhecer a força que o povo unido possui. Tenho essa esperança, talvez isso que faça eu continuar por tanto tempo no punk. E tento passar essa caminhada para que as pessoas, assim como eu, apesar de tudo, não perderem as esperanças.

Fogaça: Como o Favela falou, nunca foi fácil e sinceramente é difícil afirmar que um dia será, mas ao mesmo tempo não podemos esquecer que muita gente lutou, derramou sangue e fez muita coisa para conseguirmos ter o pouco de liberdade e direitos que temos conquistados. Tudo que nós tem é nós, então nada mais justo do que lutamos por dias melhores para esse “nós” do presente/futuro.

Edi: Acho importante também que as pessoas inseridas no punk ou em algum movimento de esquerda, entenda que precisamos de mais diálogo entre nós, e que as vezes deixamos de construir coisas importantes, por questões que com diálogo resolveria, é preciso pensar que hoje ser homofóbico, racista, machista tem aval do Presidente, o que já era difícil, agora está pior, enquanto o foco não ser a mudança não iremos vencer essa etapa difícil nunca, e o essa onda de preconceitos só vai cada dia crescer mais.

 

INSIDE A5: Quais os planos futuros? Novos atos, rodas de conversas, ações?
Edi: Minha vontade desde o início era ir além, fazer outras coisas até sem música, tentando fazer um papel que infelizmente o estado não vai fazer, porém estamos todos vivendo momentos complicados, pois está tudo pior, isso implica em trabalhar mais, ter menos tempo pois precisamos sobreviver, por isso os coletivos são importantes, para nos apoiar e produzir em grupo, um ajudando o outro.

Favela: Dia 01/12/2019 tem um novo ato aqui em São Paulo, com tudo o que sempre tentamos colocar: música, debates, palestras, silk screen, rango vegan, etc. Particularmente, eu gostaria de rolassem mais coisas, mas é complicadíssimo fazer. Precisamos de mais pessoas bem-intencionadas, dispostas a ajudar e que tenham tempo pra isso.

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Edi: Que seja apenas o início de uma nova caminhada, para seguir firme nesses próximos anos, e cada vez mais focando em mudanças, deve ser o foco, alertar seu parente, seu amigo, com calma e sem radicalismo, podemos construir muitas coisa juntos.

Favela: Eu enxergo o Hardcore Contra o Fascismo como uma fagulha, uma centelha, tá ligado? Gostaria muito que as pessoas também conseguissem enxergar isso, mas dando a sua contribuição para que tudo pegue fogo. Como? Cada um fazendo sua parte: conversando com a família, com os amigos, com os idiotas do trabalho, fazendo um evento, montando um coletivo, apoiando as outras iniciativas, as bandas, etc. Pode parecer pouco, mas se cada um fizer sua parte, fica mais fácil suportar a vida e combater essas fascistas de merda que estão tentando tomar de assalto o que deveria ser nosso.
Obrigado pelo espaço. É legal que as pessoas ainda não tenham perdido as esperanças e gastem o seu tempo e esforço pra fazer algo legal, que pode mudar a vida das pessoas. Parabéns por esse trampo que vocês fazem, além de todos os outros.

Fogaça: Gostaria de ver novos atos pelo Brasil todo, independente se for Hardcore contra o Fascismo ou o qual nome/estilo musical for. Se posicionar, estudar e ajudar passar informações nunca se fez tão importantes, se organizem com suas amizades e vão para jogo! Muita força a todo mundo que luta contra o fascismo diariamente!

 

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Acompanhe os próximos atos
do Hardcore Contra o Fascismo:

Inside A5 entrevista Archote XVX

Banda Vegan Straight Edge Metal 90s. Em defesa da libertação animal e humana.

INSIDE A5: Como foi a iniciativa de começar a banda? O que mudou na vida de vocês desde que esse projeto deu seu pontapé inicial?
Erick Farias: A banda começou através do Fabrício e do Deda, na sequência o Suka entrou e a banda deu início a ensaios sem um baixista. Algum tempo depois eu entrei e começamos a reformular as músicas. Sobre mudar a vida, o hardcore sempre ensina a gente no dia a dia como pessoa e através da mensagem do som você também ensina então acho que é isso sempre uma troca.

Fabricio Pereira: Eu sempre quis ter uma banda mais na pegada vegan metal. Pois é meu estilo de som preferido. Basicamente não mudou muita coisa.

Deda: na minha vida pessoal fez criar vínculos de amizade com os rapazes da banda e aprendo muito convivendo com eles. No mais não mudou muita coisa continuo com os mesmos princípios independente de ter banda .

Suka: A iniciativa foi de comum acordo estávamos sentido a falta de uma banda com essa pegada de som e idéias já havia tocado com o Erick em outras bandas, já rolava um entrosamento, então inicialmente ele não fazia parte da banda, mas quando entrou completou o time de forma perfeita.

 

INSIDE A5: Como foi o processo de criação e gravação do EP? Gostaria que vocês comentassem também um pouco sobre as músicas …
Fabricio Pereira: Basicamente o Deda que cria as levadas de guitarra e envia o áudio, nos criamos uma letra, eu faço a música e deixamos redondinha nos ensaios. As músicas do nosso EP basicamente são um grito fúria colocando tudo pra fora. No nosso EP tratamos bem de temas como Veganismo é a vida livre drogas.
Temos uma música que fala sobre os testes em animais que se chama Terror Científico e uma outra que fala sobre a exportação de animais vivos que se chama Ancorado no Abismo. Todos têm máxima liberdade para escrever sobre suas angústias e vivências, não existe letrista na banda.

 

INSIDE A5: O que a filosofia Straight Edge muda na sociedade? O que vocês opinam sobre a legalização de drogas?
Fabricio Pereira: Eu acho que a legalização das drogas é o caminho mais correto para quebrar com o tráfico e todo esse sistema que basicamente extermina os pobres. Mais creio que um país como o Brasil ainda não está preparado para isso.

Deda: A indústria das drogas lícitas ou ilícitas faz parte de uma estratégia de dominação, entorpece as pessoas e torna seu comportamento previsível e assim fácil de ser manipulado. A venda e distribuição das drogas nos moldes atuais favorece vários setores, por isso não há interesse em modificar esse formato.

Erick: Em uma sociedade onde doenças como depressão está em alta, o Straight Edge vem como uma ferramenta positiva para livrar alguém de vícios ou substâncias que altere seus pensamentos, isso me mudou nos anos 2000 e acredito que ainda faça a diferença na cabeça de muita gente. Sobre legalizar, esse poderia ser o melhor caminho, mas como disse o Deda não há interesse em mudar o atual formato.

 

INSIDE A5: Vocês são uma banda VEGAN que sempre além de levar a mensagem estão fazendo eventos em prol dos animais e da causa. O que acham sobre o Veganismo estar fazendo parte de grandes indústrias e da mídia num geral? Isso é positivo ou negativo?
Fabricio Pereira: Acho positivo porque seja como for: ”moda”, “bem estar ou “estilo de vida”, os animais estão deixando de morrer. Claro que muita coisa feita é só como nicho de mercado e é importante sempre lembrar que o Veganismo a luta por uma vida mais igualitária para todos e a ação direta pela libertação dos animais é a nossa luta.

Deda: Quanto mais pessoas adotarem mais vidas serão poupadas, o veganismo não deve ser algo marginal (dentro do contexto específico do punk ou outros movimentos contra culturais) muito menos elitista (dirigido por celebridades que se julgam formadoras de opiniões). Pensamos que ele deve ser popularizado e acessível a todos.

 

INSIDE A5: Que bandas são referências de vocês? O que costumam ouvir em casa?
Erick Farias: Ouço de tudo um pouco, desde samba, jazz, hardcore, metal até rap. Falando em bandas Sick of It all, Earth Crisis, Living Colour, Bezerra da Silva, tenho escutado muito os discos do Eduardo (ex Facção Central).
Fabricio Pereira: Legião Urbana, Guilherme Arantes, Jorge Ben, Earth Crisis, Reprisal, e por ai vai …
Deda: Punk Crust, Metal anos 80 … basicamente.
Suka: Ouço bandas que sempre me influenciaram não só musicalmente, mas pela postura também, como Napalm Death, Dropdead, Crudos, Disrupt, etc.
Ouço também Bauhaus, Sisters of Mercy, Morbid Angel, Discharge, Wolf Brigade, Lobotomia, I Shot Cyrus, etc.

 

INSIDE A5: Existe algum livro|filme|série|documentário que vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Erick Farias: A última série que assisti e achei muito boa “Dark”
Deda: Livros sobre anarquismo é o que mais leio , o último “Sociedade Sem Escolas” do Ivan Illich.
Suka: Livros bem variados, tais como Freud Bhagavad Gita, Livros de Anatomia. Séries eu curto “Stranger Things” e “Evil Dead”.

 

INSIDE A5: O quanto a política está envolvida com a música para vocês? O que as bandas podem fazer para ajudar nesse caos de alguma forma?
Deda: Sigo princípios anarquistas. Uma banda pode suscitar algumas reflexões, a partir disso provocar algumas mudanças individuais, como o punk me trouxe questionamentos e a partir disso procurei me desconstruir e esse processo é contínuo.
Fabricio Pereira: Quero distância de política e politicagem, sou anarquista em seu sentido mais puro da palavra se assim posso dizer. Acredito que uma sociedade igualitária começa onde todo e qualquer ser tem direitos iguais.

 

INSIDE A5: O que podemos aguardar para os próximos semestres? O que desejam alcançar a longo prazo?
Erick Farias: Tocar em todos os lugares possíveis, divulgar o novo single “Donos do Poder” e continuar o processo de composição que iniciamos esse ano para um futuro disco.
Fabricio Pereira: Em 2020 lançar um full álbum ou um vinil 7 polegadas e fazer alguns shows Brasil a fora e quem sabe pela América do Sul.
Deda: Fazer shows e compor músicas para um Full.
Suka: estamos querendo produzir mais, gravar novas músicas, lançar mais material em diferentes formatos

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Erick Farias: Muito obrigada pelo espaço, parabéns pelo corre de sempre que vocês fazem e para quem estiver lendo: CONSIDEREM O VEGANISMO!
Fabricio Pereira: Obrigado pelo espaço. Paz.
Deda: Muito obrigado pelo espaço. Abra seu coração para o veganismo, que é uma busca por justiça social.
Suka: Estamos ai pra derrubar barreiras e preconceitos que existem acerca das escolhas pessoais que todos nós fazemos, ter uma linha de pensamento, não quer dizer que somos contra outros pontos de vista e pessoas. Apenas acredito em escolhas pessoais.

 

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Acompanhe o trabalho deles:

Inside A5 entrevista Mangata

Banda de rock experimental ou alguma brisa que algum dia defina, 4 jovens do interior de SP que exploram o que há na música.

 

INSIDE A5: Como começou o Mangata? Qual foi a iniciativa para o início da banda?
Afonso Camargo: Quando Rafael me chamou para tocar a segunda guitarra, fiquei super lisonjeado de dividir espaço como banda com o Rafael, Igor e William. Ensaiamos, a primeira vez e curti demais a iniciativa deles de fazer um som próprio, que não remete-se a nada já criado.

 

INSIDE A5: O novo single de vocês foi lançado recentemente, Black Widow, qual foi o processo de gravação e criação?
Afonso Camargo: Costuma-vos a gravar o ensaio no celular e ver como ficava, a letra total composta pelo Igor Gonçalves (vocal e guitarra). Essa letra tem o intuito mais triste. Gravamos no Estúdio Covil, com nosso parceiro Robin Wolf, que toca na Wolf Among Us.

 

INSIDE A5: Qual é a maior dificuldade de ser jovem e estar no meio da música? Como tem sido a resposta da galera nos shows?
Afonso Camargo: A parte financeira é mais complicada, demoramos bastante para gravar por conta disso e conciliar o tempo de estudos, trampos a banda é bem complicado. Temos tido um feedback bem positivo da galera jovem, sempre colando nos shows, o gênero rock atrai bastante a galera de diversas idades.

 

INSIDE A5: Como foi a experiência de sair do estado de SP com banda? Como foi a ida à Belo Horizonte?
Afonso Camargo: Para mim foi um pouco assustador, sair do estado pela primeira vez sempre dá um frio na barriga, entretanto foi bem animador. Tocar em outro lugar, para outras pessoas que nem conhecemos, foi uma experiência que nunca achei que teria, fomos bem recebidos, eu curti demais!

 

 

INSIDE A5: Quais são as principais influências do Mangata artisticamente?
Afonso Camargo: Seguimento musical não tem algo muito definido, absorvemos idéias de diversos estilos e isso que faz nosso som algo diferente, uns da banda piram em Jazz, Funk e outros Samba, MPB. Cada um da banda tem um estilo diferente, uns da banda vão de camisa de basquete, outros quase nu, tudo isso influencia bastante nos processos de criação.

 

INSIDE A5: Para o próximo ano, o que teremos de novidades?
Afonso Camargo: Estamos planejando muitas coisas, estamos firmes para lançar um álbum, os shows fixos como os Kamerad, um cervejaria que ajudou muito a gente neste processo, pretendemos lançar um álbum novo e artes novas. Esperamos que a galera curta e continue consumindo material independente e que muitas pessoas conheçam o Mangata, pois é um segmento que acredito eu, nunca ter visto antes.

 

INSIDE A5: Considerações finais …
Afonso Camargo: Agradecemos todos os amigos que colam junto com a gente, as casas como Kamerad, Sound, Covil que sempre abrem espaços para a gente e também as bandas que sempre estão junto como Wolf Among Us, Road Runners, Vermenoise, Mar de Lobos, Make It Stop, Antilhano, Ructus, The Red Divers e todas as bandas que estão no corre.

 

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Acompanhe a banda nas redes sociais!

Inside A5 entrevista Tomar Control

Hardcore Feminista Old School diretamente de Lima, Peru. Trocamos uma ideia com a vocalista, July Salazar sobre tudo que rodeia o mundo da banda Tomar Control, confira.

 

INSIDE A5: Como a banda começou? Conte-nos sobre o começo, primeiros ensaios, shows, viagens. O que a banda mudou na sua vida?
July Salazar: Tomar Control nasceu em fevereiro de 2014, queríamos hacer uma banda de Hardcore de mulheres, assim começamos a ensaiar covers. Fizemos nossa primeira apresentação em um show em 12 de outubro de 2014. Em outubro de 2015 lançamos nosso primeiro disco “Lo que llevamos dentro”. Em outubro de 2016 estivemos em uma tour pelo Chile e Argentina, tocando em 12 datas. Em 2018 lançamos o single “Aquí sigo” em janeiro de 2019 nosso disco “Nunca más callar”.

A banda mudou minha vida porque me deu minhas irmãs de alma, me ensinou o “Faça você mesma” e me permitiu transformar minha indignação, raiva e tristezas em músicas.

 

INSIDE A5: Saiu um novo material recentemente, “Nunca más callar”, como foi o processo de composição, gravação e suporte?
July Salazar: Começamos a compor a bases em abril de 2018 até agosto desse mesmo ano, ao mesmo tempo comecei a colocar as letras das músicas. Em setembro começamos a gravação do disco até dezembro. Logo veio a mix e masterização e finalmente lançamos o álbum digitalmente em 27 de janeiro de 2019.

 

INSIDE A5: Sobre quais temas tratam as músicas? Há algum livro/filme/documentário possa ter usado como referência para esse material? O que indica para as pessoas que estão lendo?
July Salazar: A importância de empoderamento como mulheres, o agradecimento por nossas mães, por ser nossas primeiras referências de luta feminina, os transtornos alimentares, feminicídios, políticos e suas mentiras, a exploração dos animais, do alcoolismo, sobre tocar em outras cidades, as amizades que criamos e muito mais.
Não há nenhum livro ou filme que inspirou essas músicas, mas recomendo ler “Introduction to Animal Rights” de Gary L. Francione para entender melhor o “Doble moral”. Atualmente estou lendo “A Casa dos espíritos” de Isabel Allende.

 

INSIDE A5: Que bandas são referência de vocês? O que vocês gostam de música brasileira?
July Salazar: Youth Of Today, 7 Seconds, Have Heart, Earth Crisis, Vieja Escuela y Sudarshana. As bandas brasileiras que eu mais gosto são: Point Of No Return, Make It Stop, Adhaga e Archote XVX.

 

INSIDE A5: Como é a cena músical feminista no Peru?
July Salazar: Somos poucas mulheres fazendo música, mas tem tido um aumento, a maioria fazem Hip Hop, Pop e músicas típicas Peruanas. Ainda falta mais garotas no cenário Rock, mas esperamos que com o tempo isso aumente.

 

INSIDE A5: O momento político atual na América do Sul está sendo muito catastrófico em muitos países, vocês acreditam que isso possa causar algum impacto no cenário independente? Existe alguma solução próxima?
July Salazar: Eu espero que sim, precisamos falar sobre o que acontece em nossa volta. Há muitas bandas que não falam de nada quando estão no palco, eu acredito que é necessário aproveitar esses valiosos minutos para deixar uma mensagem de questionamento e luta para o público. Estar informando e conversar com seus companheiros é uma forma de fazer política, sair às ruas e manifestar-se é uma forma de lutar, não podemos parar de fazer isso.

 

INSIDE A5: Quais são os planos futuros da banda? Existe possibilidade de uma tour no Brasil?
July Salazar: Temos um single que sairá no verão de 2020 e se tudo sair bem, esperamos ir fazer uma tour para Europa no próximo ano. Para o Brasil temos planos sim, em 2020, precisamos fazer essa tour!

 

INSIDE A5: Finalizando …
July Salazar: Muito obrigado pela entrevista! Tive a oportunidade de visitar o Brasil e o amei! Espero que possamos ir tocar por ai no próximo ano. Um abraço e a sigam sempre ativa!

 


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Inside A5 entrevista War X Inside

Vegan Straight Edge diretamente de Jundiaí, interior de São Paulo. O War X Inside volta pós um longo inverno de hiato, com nova formação, novo EP e muita energia, confira o bate papo que tivemos.

 

 

INSIDE A5: Como tem sido esse retorno da banda depois de mais dez anos parados? O que mudou na banda depois de todos esses anos?
Franz Hermann: A formação da banda mudou todinha, só eu da original e mesmo assim antes eu era baixista, hoje sou vocal. E voltar a tocar alguns dos sons antigos com essa nova “roupagem” tá sendo bem legal pra mim. É uma experiência diferente.
Rakel Sousa: Eu faço parte da nova formação e to gostando bastante, todo mundo na banda é livre pra colocar o que quiser nas músicas e acredito que isso facilita demais na criação.

 

INSIDE A5: Vocês lançaram recentemente o material “Banned in Jdy”, nos conte um pouco como foi processo de composição e gravação? As músicas falam sobre quais temas? (podemos fazer um faixa a faixa rápido)
Franz Hermann: A composição dos sons novos tem sido bem natural, somos bem entrosados e as músicas vão saindo rápido. Nossas letras abordam questões que consideramos importantes, como veganismo, o straight edge, movimentos de ocupação de terra e moradia, acolhimentos de refugiados… a situação política do Brasil e do mundo é um campo fértil pra escrever
Rakel Sousa: A gravação foi bem rápida e natural, todo mundo estava confortável com as músicas, então tudo fluiu rápido.

 

INSIDE A5: Jundiaí tem uma cena muito forte atualmente com muitas bandas e novas pessoas, o que o interior tem de diferente da capital?
Franz Hermann: A cena do interior parece mais sincera no sentido de união e apoio entre as bandas, você tá tocando e seus amigos das bandas estão ali agitando no seu show, e quando eles tocam é a gente que tá ali cantando junto. E os shows que em sua maioria são na base do diy são sempre mais divertidos! A divulgação é feita por todos, independente do fato da sua banda tocar ou não no evento. Cooperação define.
Rakel Sousa: Acho que essa união e apoio entre as bandas motiva as pessoas a formarem mais bandas e tá surgindo bastante banda nova por aqui.

 

INSIDE A5: Vocês participam de outros projetos culturais fora da banda? (como: grupos, artes, produções, etc). Quais?
Franz Hermann: Eu participo do grupo esportivo Força Vegana, que tem como causa principal divulgar o veganismo dentro do esporte.
Rakel Sousa: participo de um coletivo formado por mulheres chamado Hibridaz que realiza algumas exposições de arte em cidades do interior de SP.

Foto por: Juliana Marota

 

INSIDE A5: Vocês são uma das poucas bandas brasileiras Straight Edge, o que acham sobre esse cenário atual?
Franz Hermann: Não é nem melhor e nem pior, só é diferente. Mas só acho que as pessoas deveriam se importar mais com o veganismo, com os direitos animais.
Rakel Sousa: Concordo com o Franz.

 

INSIDE A5: O quanto a política está envolvida com a música para vocês? Acreditam que haja uma solução próxima? Isso impacta de alguma forma na música?
Franz Hermann: O punk é político, se não for dessa forma não faz sentido. então o punk e a política estão intimamente ligados e deixamos isso claro nas nossas letras e apresentações. Uma solução próxima é ocorrer em toda América Latina o que tá rolando no Chile, uma revolta popular.
Rakel Sousa: Está envolvido totalmente, não dá pra criar musica sem falar de política, ainda mais diante de tudo o que estamos passando.

 

INSIDE A5: Que livros|filmes|séries|documentários|bandas vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Franz Hermann: Ando lendo muita literatura brasileira. Séries eu assisto umas 5 por vez hahaha… mas vejam Breaking Bad, é manjada, mas é boa! Docs sem dúvida alguma: The Game Changers. Bandas vou citar as que mais ouço ultimamente: Rastilho, Racionais MCs, Boca de Lobo, Cosmogonia e Bioma.
Rakel Sousa: Eu gosto muito de livros de história da arte com muita imagem, e indico o livro “Imagens do inconsciente” da Nise da Silveira. Gosto muito de série e documentários de qualquer assunto , o último doc útil que vi foi “Cownspiracy” e acho que todo mundo deveria assistir.
Faz algumas semanas que ando ouvindo a mesma coisa: Bulimia, Lauryn Hill, Bioma e Eaten alive.

 

Foto por: William Caproni

 

INSIDE A5: O que planejam para os próximos semestres? Quais são os maiores obstáculos a se alcançar?
Franz Hermann: tocar, tocar e tocar. Nos chamem (nos levem pra Sorocaba hahaha) e ter mais bandas com meninas dividindo o palco.
Rakel Sousa: tocarrrrrrrr!

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Franz Hermann: Muito obrigado pelo espaço, sem palavras mesmo pra agradecer a oportunidade e a amizade. Ouçam Make It Stop e Marighella é o maior revolucionário da história desse país.
Rakel Sousa: Quem mandou matar Marielle?


 

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Inside A5 entrevista CAP

CAP é uma banda sorocabana, com influências de Indie, emo e bedroom pop. Recentemente lançou dois singles “oquedeu” e “Roda Gigante”, com clipes. Conheça mais sobre a banda no bate papo que tivemos.

 

INSIDE A5: Como a galera da CAP se conheceu? Como foi o processo de formação da banda?
Bruno Fontes: A formação do CAP foi, basicamente, a união de pessoas com quem eu já tinha tocado em algum momento da minha vida e admirava como pessoa. Já tive bandas de garagem com a Fernanda (em 2015) e com a Tati (em 2016, e na época ela tocava bateria). Já o Marcel, foi meu parceiro de banda por 5 anos na Justine Never Knew The Rules. A única pessoa com quem ainda não tinha tocado, no momento em que criamos a CAP, era o Pedro. Porém, adorava as bandas que ele fez parte (Mavka e Casa Vazia) e ele já era um grande amigo da Tati, então tudo se encaixou.

 

INSIDE A5: Como funciona o processo de composição de vocês? Como e onde foram gravados os singles lançados?
Fernanda: Quase por completo, Bruno traz suas composições e todos criamos algo único, perdoe a ousadia. Percebemos que estamos caminhando juntos, isso é ótimo e satisfatório! “oquedeu”, “Morning Rabbits”, “Roda Gigante” e mais uma música por vir, gravamos no estúdio Deaf Haus em parceria com Mário Silva e Jon Hassuike. “Labareda” é o ínicio de uma nova saga de músicas experimentais, pretendemos nos embrenhar mais nos experimentos! Essa foi criada e gravada no quarto do Marcel (guitarrista).

Foto por: Marceli Marques
Foto por: Marceli Marques

INSIDE A5: Quais as principais inspirações para a CAP? O que vocês escutam musicalmente no cotidiano?
Bruno Fontes: Acho que é bastante difícil definir a banda em referências de outros artistas, pois cada membro tem seus gostos pessoais. Mas, se for para colocar os estilos que movem a CAP, acho que seriam o Emo, Bedroom Pop, Indie brasileiro e Shoegaze.

 

INSIDE A5: Como foi a mini tour no Sul? A estrada ajuda em quais sentidos para uma banda?
Bruno Fontes: A estrada é o principal momento de união da banda. É lá que os 5 membros, apertados em um carro, trocam ideias aleatórias e banais, a ponto de fortalecer a amizade e aumentar a afinidade.
Uma banda independente, no dia a dia, tem muita coisa para fazer, né? Nunca é só tocar. Então acaba que sempre conversamos (pela internet) sobre os corres da banda e quase nunca sobre nossas vidas. As vezes isso faz falta para que a banda fique mais conectada e a estrada proporciona isso e muito mais rs.
Fernanda: Foi um deleite poder sair e espalhar a palavra, ou melhor, as sonoridades por aí. Pra mim é um sonho tocar todos os dias e fizemos com tanta organização que foi tudo muito bonito. A estrada e a realidade dos outros nos fazem mais uma vez ter o pé no chão e aumenta nossa noção de como está a cena musical no país, e dá pra dizer que não está lá tão incrível, mas quem quer fazer acontecer, fez com muita proeza e nos receberam muito bem! Hoje estamos mais unidos e mesmo tendo dificuldades pra nos encontrar, pois somos bastante atarefados, estamos criando algo que nos orgulha bastante.

 

Foto por: Ana Flavia

 

INSIDE A5: O quanto Sorocaba como uma cidade ativa no meio independente é importante pra vocês? Como surgiu a parceria com o Lobotomia?
Fernanda: É importante se sentir inserido em alguma cena, a nossa com certeza é a de Sorocaba que há muito tempo vem agitando a música e outras artes pela região, nos dá força e experiência para chegar em outras cidades, temos muito apoio da galera sorocabana e nos motiva desbravar mais o Brasil. O Rafael do Lobotomia é um grande amigo da banda, sempre houve uma parceria e atualmente os nossos e os interesses dele se encontraram, possibilitando algo bom para ambos os lados, fazendo com que a parceria aumentasse em nível profissional (hehe).

 

INSIDE A5: Existe algum livro|filme|série|documentário que possa ter influenciado em alguma composição da banda? O que vocês indicam para quem está lendo essa entrevista?
Fernanda: Cada um traz uma bagagem, posso dizer por mim que os filmes da Agnès Varda me movem a pensar na arte e em suas diversas forma de expressão, criar em cima da criação, sentir 3 vezes mais e permitir. Indico o filme “As Praias de Agnès”.

 

INSIDE A5: O cenário político atual do Brasil prejudica em alguma coisa para as bandas? Vocês enxergam alguma luz no fim do túnel?
Fernanda: Luz há de ter, por favor! Está difícil, as casas de shows cada vez menos tem como nos pagar, às vezes até ficam no prejuízo, mas seguimos lutando para conseguir lucrar vendendo merchs ou pelo menos não pagando pra tocar. Inclusive, todos reclamam atualmente, não duvido que todas profissões estejam em uma época ruim.

Foto por: Fabricio Vianna

 

INSIDE A5: O que podemos aguardar de lançamentos para os próximos semestres? O que desejam alcançar a longo prazo?
Marcel: Ainda nesse ano vamos lançar mais um single lado A lado B e um clipe, pro primeiro semestre do ano que vem planejamos lançar um álbum ou ep e mais um clipe.
Acredito que pra longo prazo tentar consolidar ainda mais uma base de pessoas que curtam e sigam acompanhando nossos lançamentos, pra isso além do planejamento via internet as turnês são muito importantes para cada vez mais esse número de pessoas aumente e que quem ja viu o show leve mais amigos e quem ainda não viu que comente com pessoas próximas e acabe levando pro show quando voltarmos.

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Fernanda: Esperamos que o som das bandas independentes alcancem vários ouvidos e públicos! Estamos todxs juntos e na torcida pra que os sonhos se realizem 🙂
Agradecemos pelas perguntas e pelo interesse, Inside A5!

 

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Inside A5 entrevista Sangue Ódio Hardcore

A banda está de volta depois de um longo tempo em Hiato e volta com os dois pés no peito, lançando seu novo EP, “Ousar Lutar, Ousar Vencer”, trocamos uma ideia sobre esse lançamento, ínicio da banda, interior, shows e muito mais.

 

INSIDE A5: Como e quando surgiu a banda? Nos conte um pouco da trajetória do início da banda, primeiros shows e gravações.
Fabio Anze: Bem a banda surgiu em 2002 na cidade de Ibiúna já faz tempo (risos), da formação original só restou eu e o Toshi. Bem o começo é sempre difícil ainda mais numa cidade como Ibiúna que não tinha bandas punks nem de Hardcore e nós vamos dizer assim fomos pioneiros então passamos por tudo tretas com pessoal que ouvia metal e por aí vai. Sobre a trajetória da banda por mais incrível que pareça começamos a tocar mais fora de Ibiúna do que na própria cidade principalmente em Sorocaba e Votorantim foram vários shows memoráveis como Sorocabandas, Rock Gol, shows no underground etc. Sobre as primeiras gravações cara sempre tivemos dificuldades com isso, a primeira demo nós gravamos em São Roque e se você ouvir hoje você acha que foi gravado nos anos 80 (risos), mas pra nós estava ótimo, até amadurecer a ideia de que tínhamos que buscar um qualidade e sonoridade nas gravações foi algo demorado nesta época nós tocamos mais e depois víamos se dava pra gravar.

 

INSIDE A5: A banda passou por um hiato, nos conte como tem sido essa volta?
Fabio Anze: A volta tem sido muito positiva apesar de ainda não estarmos tocando muito por inúmeras questões da vida de cada um, está volta está sendo muito significativa, os ensaios são muito produtivos, o André e o Gilmar são amigos de longa data, o Gilmar de longa data mesmo (risos), mas em resumo está volta está sendo muito madura e natural, e para mim com um significado maior pois temos algo real um perigo na nossa frente para protagonizarmos uma nova história deste país.

 

INSIDE A5: Ibiúna foi uma das cidades mais fortes do Hardcore do interior muito por conta de vocês, o que mudou daquele tempo para atualmente?
Fabio Anze: Bem não quero ser infeliz em meus comentários acredito que no nosso período fizemos o nosso corre e sempre buscamos trazer outras bandas para tocar junto independente de ser punk ou hardcore depois que paramos o pessoal fez bastante shows pessoal do Coletivo Bambu etc. Hoje em dia tem o Maicon que também faz os eventos dele, porém eu sinto falta de ter mais bandas, não só de punk e hardcore mas no geral. Na época que iniciamos teve várias bandas de vários estilos e isso é muito bom principalmente quando se tem a interação entre essa galera.
Hoje como eu citei tem poucas bandas, mas acredito que isso vai mudar e para melhor!

 

INSIDE A5: Nos conte um pouco sobre o material novo, como foi o processo de composição e gravação? Sobre o que as letras tratam?
Fabio Anze: Então nosso processo de composição não mudou muito por enquanto (risos) falo por enquanto pois está formação tem muito a crescer e tanto o André quanto o Gilmar tem muito a oferecer. Mas o processo é basicamente assim eu chego com uma base de guita e com a letra mostro pro Gil como eu pensei sobre a melodia e é claro deixo ele a vontade para pontuar e até mudar as melodias na música que o André compôs também foi no mesmo formato. Mas como eu disse apesar deste formato todos podem pontuar e colocar a característica deles em cada música.
Sobre as letras nós decidimos abordar vários assuntos e neste EP temos as músicas Ousar lutar, Ousar vencer que é uma das frases do Lamarca que lutou contra a ditadura e nos inspirou a escrever esse som, Resistir é Vencer que também é uma frase de Xanana Gusmão que lutou pela independência do Timor Leste. Mas como disse as letras estão bem amplas como por exemplo a Enquanto houver amanhã que fala sobre a questão da depressão.

 

 

INSIDE A5: O quanto a estrada é importante para a banda de vocês?
Fabio Anze: Cara a estrada é super importante para nós foi fundamental para amadurecimento da banda em vários sentidos durantes esses anos pois você passa várias situações desde furadas, shows fodas, várias situações mesmos e isso forja a banda tanto no palco quanto no ego. Neste momento com a nova formação está questão da estrada vai ser algo que vamos fazer gradativamente por conta dos compromissos particulares de cada integrante.

 

INSIDE A5: O quanto a política está envolvida com a música para vocês? Isso tem influenciado de qual forma para os eventos independentes, bandas, liberdade?
Fabio Anze: Bem para mim a política deveria estar envolvida primeiramente com cada ser humano, mas aqui no Brasil até isso nos educaram errado, pois a política pra muitos é o horário político e os candidatos e se resume nisso porém sabemos que política é o meu direito de escolher quando tocamos no Chile tivemos este forte impacto cultural político onde os meninos da banda Cenizas me falaram nós nascemos políticos, pois nós escolhemos o nosso caminho e o que queremos para eles isso e política olha a diferença com o que a grande maioria dos jovens do Brasil pensa, então respondendo sua pergunta se eu entendo o que é política e faço arte seja ela a música com toda certeza ela estará envolvida.

 

INSIDE A5: Quais os planos futuros? Novos materiais, tours, formações, etc.
Fabio Anze: Os planos é divulgar o EP buscando fazer shows onde conseguirmos (risos), não podemos esquecer que ficamos bastante tempo parado e com certeza muita gente não nos conhece, então pra fazer tour fica mais difícil, novos materiais estamos correndo atrás para montar nosso merch com camisetas, bottons , estamos planejando fitas K7 que em breve soltaremos está info que com certeza será muito legal e é isso. Formações, time que está ganhando melhor não mexer né? Estamos felizes com esta formação.

 

INSIDE A5: Considerações finais:
Fabio Anze: Bem gostaria de agradecer ao espaço sempre é importante o espaço que vocês criaram para divulgar o underground, isso é algo extraordinário, temos que enaltecer, sempre agradecer pelo apoio e suporte, muito obrigado Felipe e todos da Inside A5. Para a galera, bora entrar no bandcamp e baixar nosso EP, colar no show para aquele sing along against the Bolsonaro e afins.

Muito obrigado pelo espaço!

 


 

Acompanhe a banda nas redes sociais:

Inside A5 entrevista Understand

Banda de hardcore de São Paulo formada em Julho de 2019 por membros e ex-membros de bandas como Uncage, Final Round, Veneno Lento, e Satya. Mensagens simples e diretas através de intensidade e melodia.

INSIDE A5: Como surgiu a ideia de montar a banda? A formação atual conta com quem?
Lucas: Ao voltar de Vitória-ES, onde passei um tempo estudando, senti a vontade de montar uma banda, dessa vez tocando guitarra. Tentei algumas vezes mas acabava indo para a bateria. Dessa vez decidi me manter firme até conseguir, rs. Foi conversando com o Phil (Filype), com que já tinha tocado junto no Uncage, que colocamos em ação a ideia de outra banda, dessa vez ele assumindo o microfone. Fiz alguns convites, e para o baixo chamei um amigo de longa data, o Cícero, que tocou comigo em uma banda na adolescência. Chamei para a segunda guitarra o Vinícius, que tentamos ter banda uma vez, assim como com o Diogo, que assumiu as baquetas.

Understand

 

INSIDE A5: Vocês lançaram recentemente o primeiro material, o “Get it Right”, como foi o processo de composição de gravação?
Lucas: Foi muito rápido e natural. Alguém aparecia com o som pronto já na cabeça, outro vinha com uma ideia e trabalhávamos em cima. Logo tínhamos 6 sons, os quais levamos para gravar, porém optando por apenas 4, os que mais consideramos “maduros” no momento de gravar. Um fator que facilitou foi a experiência em outros instrumentos dos integrantes. Fez com que dificilmente viesse apenas uma melodia, uma linha de guitarra ou baixo. Muitas vezes, o som vinha pronto, Phil e Vinícius muitas vezes vieram com o som gravado com mais guitarras ou até bateria, isso ajudou muito.

 

INSIDE A5: As músicas falam sobre quais temas?
Filype: A faixa título, “Get It Right”, marca a posição da banda, quase um manifesto. O mundo retrocedeu, mas não fazemos parte disso. Em “Control” a ideia foi fazer um pacote acerca dos inúmeros problemas da existência de estados-nações, principalmente na questão de fronteiras. “Not A Drill” segue a ideia da primeira faixa, reafirmando a necessidade de se posicionar diante à um cenário urgente. A última faixa, “The Enemy Inside”, traz um chamado à reflexão em nós mesmos. Ainda que nos vejamos como indivíduos conscientes, temos raízes nocivas. Sempre é válido nos observar e rever possíveis falhas.

 

INSIDE A5: Existe algum livro|filme|série|documentário que vocês se inspiraram ou usaram como referência para compor as músicas desse material?
Filype: Sem dúvida outras áreas artísticas inspiram indiretamente, mas especificamente no caso dessas 4 músicas a maior referência foi o cotidiano mesmo, visto em alguns pontos pelo viés libertário.

 

INSIDE A5: O que vocês gostam musicalmente? Quais bandas são referências de vocês?
Filype: Pra escrever, “Propagandhi”, “ManLiftingBanner”, e “Good Riddance” são fortes influências. Já musicalmente, tudo que mescla melodias com agressividade.

 

INSIDE A5: O que acham da cena atual política? Vocês acreditam que haja uma solução próxima? Isso impacta de alguma forma na música?
Filype: Sem dúvida impacta. A música pode servir como uma importante ferramenta de conscientização, logo, uma ameaça para alguns e uma forma de expressão para outras. Sobre o cenário político, não há terreno pra soluções breves, mas da mesma forma o declínio do sistema vigente é certo.
Lucas: Eu vejo as pessoas falando mais sobre política. Não que isso seja necessariamente bom, e claro que não há uma solução rápida para problemas tão intrincados em nossa história, mas esse governo fez com que muitas pessoas revelassem os inimigos ocultos em si mesmas.

 

INSIDE A5: O cenário hardcore atual do Brasil está em constante mudança, que pontos positivos e negativos vocês destacam?
Lucas: Vejo que essa constante mudança é inerente a música, a cena e mentalidade social. Falando mais especificamente do hardcore crítico e político é muito claro que o reflexo da política do país exerce grande influência. O hardcore renasce mais forte quando a sociedade mais precisa.

 

INSIDE A5: Quais são os próximos passos da banda? Eventos, tours, planos, rascunhos que tem no gatilho que podem nos adiantar.
Lucas: Queremos tocar! Esse é o maior plano. Estamos compondo e trabalhando em um material, que quando estiver no ponto, iremos gravar na sequência.

 

INSIDE A5: Finalizando …
Understand: Queremos agradecer a oportunidade e o espaço, e parabenizar também pelo trabalho excelente de levar bandas novas a uma maior amplitude, possibilitando assim o hardcore se firmar novamente e continuar servindo de molotov aos ouvidos dos que estão acabando com o mundo. Valeu!

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Links importantes sobre a banda

Inside A5 entrevista A SAGA

Trocamos uma ideia com nosso amigo, Clayton Clemente sobre A SAGA, tours, hardcore e muito mais, confira!

 

INSIDE A5: O que é A SAGA? Como e quando começou essa iniciativa?
Clayton Clemente: A Saga começou em 2003 com a ideia de organizar os shows na cidade de Guarulhos por ter uma cena fortíssima com várias bandas ligadas ao hardcore/punk.

 

INSIDE A5: Atualmente vocês têm atuado de qual maneira e em quais segmentos?
Clayton Clemente: Nós estamos trabalhando como selo e booking. Tentamos lançar as bandas que acreditamos e gostamos e como booking para realizar turnês.

 

INSIDE A5: Como foi a experiência com as tours que receberam? Conte mais sobre.
Clayton Clemente: A experiência é única na vida em realizar turnês, a troca de informações é importante nos dias atuais, em dias de relações virtuais. É um aprendizado eterno.

 

INSIDE A5: O que esse intercâmbio com bandas de fora trazem de experiência? Até que ponto o idioma e as fronteiras atrapalham nessas relações?
Clayton Clemente: As turnês com as bandas sul-americanas foram ótimas, temos muito o que aprender com os sul-americanos que vivem mais perto da gente e compartilham das mesmas batalhas diárias e sofrimentos. O idioma se encurta quando temos os mesmos ideias e as fronteiras são quebradas. Somos todos sul-americanos.

 

INSIDE A5: Com as bandas do Brasil, que tipo de trabalho vocês fazem?
Clayton Clemente: A ideia é tentar ajudar as bandas nacionais em divulgação, lançamento de matérias e organizando shows.

 

INSIDE A5: Como funciona para as bandas de fora do Brasil agilizarem uma tour em conjunto com A SAGA? Tem algum custo isso?
Clayton Clemente: As bandas entraram em contato direto conosco, não pedimos um custo, só os gastos com gasolina, pedágios, as bandas sempre ficaram livres para contribuir no final das turnês com o nosso trabalho. A satisfação em realizar uma turnê não tem preço.

 

 

INSIDE A5: Quais são os próximos passos da SAGA? Eventos, tours, planos, rascunhos que tem no gatilho que podem nos adiantar.
Clayton Clemente: Queremos realizar mais shows por aqui, eventos ligado ao veganismo e continuar com as turnês de bandas nacionais e sul-americanas. A meta é fazer uma turnê sul-americana acompanhando as banda do selo isso é algo que almejamos.

 

INSIDE A5: Aquela mensagem final:
Clayton Clemente: Vamos alimentar a esperança e pensar positivo mesmo nos dias de caos desse governo fascista de merda. Agradecer aos manos que sempre ajudam e acreditam nas loucuras que fazemos, os manos Gustavo, Felipe e Murilo, o pessoal de Tatuí, Campinas, Sorocaba, Piracicaba, Ibiúna, Itu, Rio de Janeiro, Santos, Mogi Mirim e Cambuí, pois sem eles as turnês não seriam possíveis.

 

 

Links importantes sobre A SAGA