A volta dos Resíduos TóxicosPor: Fábio Tardelli

A volta dos Resíduos Tóxico! WebZine criado em 2011 por Fábio e Keyla agora torna-se o mais novo colunista do Inside A5, conheça o trabalho deles agora:

 

Sobre o Resíduos Tóxicos

O Resíduos Tóxicos foi uma web zine que criei em 2011 em parceria com a amiga Keyla Rosado.
Originalmente fazíamos alguns comentários e resenhas de filmes e álbuns de bandas que gostávamos e postávamos quando dava vontade.
O nome é uma referência às bandas favoritas nossas de Thrash metal: Violator, Municipal Waste, Toxic Holocaust, Anthrax, Vio-Lence e Infected. Essa coisa de distopias, guerras nucleares e biológicas e devastação do meio ambiente em nome do capitalismo.
Estávamos cursando História, era ápice das organizações de coletivos e queríamos fazer um mais ligado ao Heavy Metal numa perspectiva socialista-libertária. Eu comunista e ela anarquista. Agregamos alguns amigos ali e aqui e passamos a buscar parcerias. A mais significativa foi com a Editora Expressão Popular, que até hoje temos um grande amigo trabalhando, e essa amizade não desenrolou por acaso pois na época ele tocava na banda BrainDeath, uma banda sensacional que conhecemos nos corres undergrounds. Por influência desse amigo quase paramos militando no PSTU, e foi a primeira aproximação partidária que tivemos.
O Resíduos cresceu. Virou coletivo, teve grupo de estudos lendo Florestan Fernandes e Lenin, ganhou colunistas e convidados e entrevistas feitas semanalmente.
As entrevistas davam ares novos, forçavam eu, que era quem fazia as entrevistas, a conhecer bandas de outros estilos dentro do Metal e disso me aproximei mais do Death, Heavy e Black metal.

 

Metal e ciência

Entrevistamos bandas da Alemanha, Paraguai, Estados Unidos e Botsuana. Ou seja, incríveis quatro continentes. Fora uma penca de bandas do Brasil que iam desde clássicas como Stress, Chakal, Anthares e Korzus até as mais novas e undergrounds como Prepared to Kill, Lecher, Escarnium e Qerbero.
Com o trabalho na Educação, sou historiador e professor, me liguei ao sindicato de professores e pude participar de diversos processos como a maior greve da Educação do Estado de São Paulo, duas greves gerais, o período de ocupação escolar…
O foco do Resíduos foi se transformando. Apesar disso ainda na conclusão de curso de História investiguei a cena de Metal de Sorocaba nos anos 90.
Nos tornamos: Metal, ativismo e resistência.
Metal pela influência do som nesse projeto.
Ativismo, um conceito que eu jamais usaria hoje, era por essa articulação de práxis revolucionária.
Resistência porque fazíamos uma luta dupla, na medida em que a Educação foi sendo incorporada no Resíduos: Educação e Heavy Metal.
Mas entre 2016 e 2017 chegou a hora de migrar para outro campo de batalha: a ciência.
Podem se iludir, mas a ciência brasileira é a principal pavimentadora desse projeto de fascismo que chegou ao poder por via eleitoral em 2017. Autores comprometidos com o Reich, ligados com uma visão anti comunista de sociedade e que estiveram ligados na Guerra Fria com CIA e FBI povoam as formações de licenciatura em nosso país e são tachados como “progressistas”.
Coloquei o metal de molho. Assumi o manto da luta que Fidel nos legou: A Batalha das ideias (é um conceito marxiano, mas minha referência nesse debate é Fidel Castro).
Meu último tiro pela cena nem foi com o Resíduos foi com a coletânea Satan Smashes Fascism, lançada pelo grupo RABM (Red and Anarchist Black Metal), com a inclusão da banda recifense Trovador.
Ainda frequento shows. Mas bem menos que anteriormente.
Em 2018 comprei meus últimos cds para minha coleção, com mais de 500 materiais.
Não organizei mais shows (organizei 8 shows). Não fiz mais entrevistas com bandas.
Fundei o PCB em Sorocaba, para logo depois me afastar da luta por via partidos.
Mas sai lutando e compondo a Frente Ampla Pela Democracia.
Fiz mestrado sobre história da Educação operária em Sorocaba.
Escrevi artigos sobre Revolução haitiana, jogos, cinema e literatura na Educação marxista (eu usaria crítica, mas atualmente até fascista repete feito papagaio coisas sobre educação crítica), história da África… 8 publicados em revistas acadêmicas, até o momento.
Contribui em capítulo de livro sobre história operária de Sorocaba.
Dei mais de 20 palestras em universidades e espaços escolares.
Quando Murillo e o Felipe me chamaram pela primeira vez para uma palestra num show de Hardcore, eu já havia palestrado em show de Metal em Indaiatuba. Fui pela aventura de conhecer o trabalho dos dois.
Estou escrevendo capítulo de livro sobre Heavy Metal a convite de um professor da UNISO. Discutindo Luta de classes e Heavy Metal.

 

Residuos Tóxicos

Novo momento

Hoje sou muito mais identificado como pesquisador, sindicalista, militante comunista e professor do fundamental II (6º até 9º ano), normalmente as séries que ninguém gosta de trabalhar e fui pegando-as com passar dos anos e pegando o jeito com meus gremlins, do que qualquer coisa ligada à Metal.
Mas o Resíduos sempre foi algo que me agradou e eu gosto bastante de Metal (ainda acompanho muita coisa), só não tinha sentido retomar sem ninguém da equipe original (afinal cada um seguiu seu rumo). Então Murillo, que é parceiro do Prolecast (meu podcast, outro projeto de formação política meu), deu a ideia de unir as forças: Resíduos Tóxicos é parte do Prolecast e agora Prolecast é parceiro do Inside A5.
Eu sou Fábio Tardelli. Professor, historiador, comunista, nerd e metaleiro.

Link para o prolecast: https://prolecast20.wixsite.com/prolecast
link para o Resíduos Tóxicos: http://residuotoxico.blogspot.com/

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