5 bandas punks que fizeram história no interior paulista

Meu nome é Ricardo Huss e esse é meu texto de estreia nesse veiculo de informação tão bacana, que é o INSIDE A5. Tem três coisas que gosto muito de fazer, ouvir punk rock, ler sobre histórias e escrever textos (rs) e esse buscarei falar um pouco sobre cinco bandas do interior paulista que fizeram história, com seus acordes raivosos e suas criticas sociais. Lembrando que ainda haverá outros textos sobre esse assunto, por que o interior é um celeiro de excelentes bandas que ajudaram a construir esse cenário que temos hoje, então bora lá.

KRANIO (Indaiatuba/SP)

Essa banda é uma das mais marcantes da história de Indaiatuba,uma mistura de punk rock com hardcore bem marcado da década e oitenta, teve inicio em 1996, sob o nome de PIN HEAD, ainda em 96, se transformaram em Four Heads e se firmou em 97 como o conhecido KRANIO, com a formação que viria a gravar os primeiro registro “Sentimento de Culpa”, que era Marcão (Baixo/Vocal), Márcio (Guitarra) e Pig (Bateria).

A segunda demo veio já em 1998, chamada “Escravos do Sistema” e esses dois registros em estúdio possibilitaram a KRANIO a divulgar seus sons em diversas coletâneas no ano de 1999 e 2000. Nesse ano, Marcão assume definitivamente o vocal, tendo Serginho entrado para o contra-baixo, com essa formação gravaram o primeiro CD, intitulado “Mundo Cão”, a banda era extremamente produtiva e com muito material para produzir, então já na sequencia em 2001, lançam o “Quanto + Armas + Fome”, e em 2003 “Sera que ha tempo de mudar o amanha” que são verdadeiras obras primas do underground paulista e brasileiro, o ultimo registro em estúdio foi o CD “Esfola Krânio”.

Sempre foi uma banda muito ativa, falando sobre o anarquismo revolucionário, questionando quem oprime a população e o modo de vida, teve sua ultima formação até uma parada com Tiago na guitarra, Forfé no Baixo e Marcão na bateria e vocal.
Em agosto de 2009, Marcão, o fundador da banda vem a falecer devido a complicações de um câncer e banda teve uma parada por tempo indeterminado.

A banda em si deixou vários legados para uma geração de punks indaitubanos e paulistas, inclusive o PLEBE BAR, que Marcão ajudou a fundar e funciona até hoje mantendo acesa a chama do underground.

 

Psicultura (Votorantim/SP)

Banda formada em meados de 2000, por integrantes do subúrbio de Votorantim, faziam um punk cru, bem marcado influenciados por bandas brasileiras da década de 80, como DZK e Devotos do Ódio. O primeiro EP foi lançado em 2002, intitulado “Brasilia Casa de Ratos” deu uma boa visão para a banda que começou a tocar pelo interior paulista, ao lado de outras grandes bandas independentes, em 2007 lançou o segundo EP “Futuras Gerações”, que abriu espaço para tocar fora do estado de São Paulo, tendo shows na Bahia, Rio de Janeiro, Goias e Minas Gerais.

O Psicultura ficou conhecido com a formação clássica de “Cavera” no vocal, “Esquerdo” no Baixo, Rodolfo na guitarra e Myq na bateria, sempre fazendo criticas ao poder do estado e a exploração capitalista, foi um dos responsáveis pela expansão da cena punk do inicio dos anos dois mil em Sorocaba e ainda continuam na ativa, depois de quase vinte anos de estrada.

 

RecusArmada (Itapetininga/SP)

A banda RecusArmada é oriunda de Itapetininga, que teve como grande figura um dos maiores agitadores da cena independente do interior paulista, André “Comix”, a cidade em si é um celeiro de bandas e de pessoas que produzem excelentes conteúdos de arte marginal e a RecusArmada trazia em seu som todo o peso e sujeira de um projeto que flertava com diversas vertentes da música, mas sua maior fonte era o punk rock.

Em 2004 lançaram a primeira demo, com 12 sons, intitulado “Igreja Assassina… Templo Maldito!”, gravado ao vivo bem no estilo faça você mesmo, no estúdio Toskera Recordz que na época que tinha o Tio Lú e o Fejão na frente. O ultimo trabalho da banda foi o EP Protest Of Hell de 2011, gravado a formação André “Comix” no Baixo, Rafinha na Guitarra e “Surfista” na Bateria.

O RecusArmada rodou o estado de São Paulo e teve shows fora dele em Santa Catarina, mas o mais interessante é que era uma banda extremamente produtiva na questão de fortalecer a cena, com shows, correrias e apoios a outros artistas independente,, a banda infelizmente teve um fim, com o falecimento de Comix em 2014, vitima de complicações de um acidente.

Sua memória está viva até hoje no Comix Fest, realizado anualmente desde a perda desse grande lutador do underground, onde tocam bandas com a mesma ideologia dele.

 

Arame Farpado (Itu/SP)

Banda nascida em Itu, em 1992, tendo sempre em sua formação de frente Alexandre Bacelli e Zé Gatti, foi uma das precursoras do movimento punk na cidade, sempre organizando shows e produzindo sons, dando espaço para novos artistas do mesmo estilo, por muito tempo tocou em diversas cidades do estado de São Paulo, principalmente no ABC paulista, um dos berços do punk no Brasil, tem uma demo lançada chamada “Realidade” onde apresentam verdadeiro clássicos do punk interiorano, como a música Sem Esperança, uma das que mais gosto. Deram um tempo, de 2002 a 2011 e retornaram com tudo, planejam lançar um novo EP em 2020. A atual formação conta com Zé Gatti na bateria, Alexandre Bacelli no baixo e voz e Willian na guitarra.

 

Smoners (Paulínia/SP)

Smoners é uma banda natural de Paulínia, interior de SP mais conhecida como Paulinia Poluida como eles mesmo dizem. Uma banda que é ligada diretamente as questões sociais do mundo, participam de projetos na cidade e tem pessoas preocupadas com o bem estar das pessoas, como toda banda punk deveria ser, não ficar só no discurso. Nascida em 1996, tem três CDs lançados, o primeiro “Paulinia Poluida” de 2000, o “N3” de 2015 e o “Repaginando” de 2017.

Além disso, tem um documentário lançado em 2016, para contar os 20 anos de caminhada que trilharam. Tocaram por todo o interior de São Paulo durante boa parte dos anos, recentemente fizeram um tour pelo norte do pais e tem planos de lançar um documentário sobre isso. O Smoners na pessoal do Edinho sempre produziram muito conteúdo e shows tanto em Paulínia, como em campinas como o caso do Facada Fest interior no passado recente. A banda continua forte na atividade com Xitão, Marcelino, Édão e Buti.

 

Por hoje é isso pessoal, essa primeira parte da matéria falou dessas cinco grandes bandas, algumas ainda na ativa outras não, mas que além de serem excelentes musicalmente, são pessoas da correria, que produzem e constroem a cena que participam.

 

Texto por: Ricardo Huss

WRY lança novo trabalho: Noites Infinitas

Noites Infinitas é o nome do novo álbum do WRY que traz dez faixas, em português e inglês, e chega nas plataformas digitais do mundo todo em 30 de Outubro […]

Leia Mais

RESENHA: Be Well fala sobre saúde mental em The Weight And The Cost

Sem dúvida hoje os transtornos mentais são mais debatidos de forma aberta, mas ainda é um tabu. Revelar que você tem um psiquiatra ou sequer faz terapia pode ser um […]

Leia Mais
Foto: Mateus Mondini

Entrevista: Futuro – Os Segredos do Espaço e Tempo

O Futuro começou em 2010, primeiro como uma mudança de nome de outra banda que já existia, o B.U.S.H., mas com a entrada da Mila em 2011 se tornou uma […]

Leia Mais

RESENHA: Make It Stop: Sobrevivência 2020

Quando Nina Simone disse que refletir sobre os tempos é dever de quem se envolve de alguma forma com arte, ela também explica que não temos escolha, já que isso […]

Leia Mais

A volta dos Resíduos Tóxicos

A volta dos Resíduos Tóxico! WebZine criado em 2011 por Fábio e Keyla agora torna-se o mais novo colunista do Inside A5, conheça o trabalho deles agora:   Sobre o […]

Leia Mais

Entrevista: 20 anos de Questions!

A banda foi formada com a intenção de unir a energia e a intensidade do hardcore ao peso e à agressividade do metal. O nome representa um pensamento crítico em […]

Leia Mais